Os benefícios da engenharia genética estão mais acessíveis aos brasileiros. O equipamento desenvolvido, pioneiramente, pela Tone Derm, com tecnologia nacional, reduz em até 45% os custos com análise de DNA, em relação às máquinas estrangeiras.
Além do software, em português, o equipamento foi todo construído em módulos, sem fios nem parafusos, para facilitar a assistência técnica. Caso ocorra algum problema, o próprio operador do laboratório pode retirar o módulo com defeito e mandá-lo para a fábrica, sem interromper o funcionamento. O objetivo é não prejudicar pacientes ou pesquisas. “Eles nos mandam o módulo com defeito, e enviamos outro no lugar pelo correio, porque o grande problema desses aparelhos, hoje, no Brasil, é a assistência técnica. São muitas máquinas quebradas e sem assistência, porque a mão-de-obra é muito cara”, diz Cristiano Paganin, diretor Comercial e de Desenvolvimento da Tone Derm.
O Tonegen analisa as amostras do DNA de forma amplificada, utilizando substâncias específicas de identificação, chamadas de “primers”. Como as porções são muito pequenas, a idéia é multiplicá-las por meio de um ciclo de temperatura – por isso, se chama termociclador. As amostras são separadas em tubos de ensaio, misturadas aos reagentes, e, com o aumento da temperatura, as hélices do DNA se dividem em duas fitas. Os reagentes completam a seqüência, transformando uma porção em duas, e assim por diante. O Tonegen é capaz de ampliar uma amostra em até 70 vezes.
O equipamento custa cerca de R$ 20 mil e tem aplicação em diversas áreas. Além do conhecido teste de paternidade, também é útil para identificar a contaminação em produtos, verificar a ocorrência de sementes transgênicas, raças de animais e suas linhagens genéticas, e também para verificar a compatibilidade de medicamentos com cada tipo de organismo. “O agronegócio é um nicho muito importante. Para cada caminhão de soja importada, é preciso fazer um teste para controlar a porcentagem de semente transgênica no carregamento”, disse Paganin. A demanda por equipamentos para fazer testes de paternidade também deve aumentar, e, com o barateamento da máquina, a tecnologia deve se tornar acessível para os pequenos laboratórios, que, atualmente, terceirizam o serviço.
Com o sucesso do Tonegen, lançado em junho deste ano, a empresa projetou versões do equipamento para diferentes públicos. Este mês, será lançado um termociclador mais compacto, com menos funcionalidades e menor custo, para atender à demanda de pequenos laboratórios e universidades. “Muitos professores trabalham com editais, com verba pública, tentando desenvolver suas pesquisas. Com essa máquina, será possível desenvolver trabalhos em editais menores”, disse Paganin.
O modelo compacto deve chegar ao mercado por cerca de R$ 12 mil. No próximo ano, a Tone Derm também pretende lançar um termociclador mais sofisticado, com tecnologia laser, que oferece resultado instantâneo – as máquinas disponíveis atualmente têm processo manual de leitura, e os resultados demoram dois dias para ficar prontos. A nova máquina deve chegar ao mercado por R$ 90 mil.







