As organizações do PIM não devem nada a nenhuma grande empresa de fora do Estado, ou do país, em termos de programas de qualidade, e estão comprometidas com a preservação da floresta como diferencial competitivo. A afirmação é da coordenadora do Programa Qualidade Amazonas e gestora do Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Erlen Lúcia Oliveira Montefusco. Formada em administração pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), e pós-graduada em Gestão para a Qualidade Total, ela participa do PQA desde 2001, e passou a ficar à frente do programa apenas dois anos depois. Em 2020, assumiu a gestão do Dampi, braço da Fieam, voltado para capacitação profissional. O principal produto do PQA, que visa disponibilizar metodologias e ferramentas para a melhoria da qualidade de produtos e processos em organizações privadas e públicas, é o Programa Qualidade Amazonas. A premiação tem a mesma sigla e é realizada desde 1994, quando contou com três empresas inscritas. Em quase três décadas, já reconheceu o trabalho de 541 organizações e virou referência no Brasil. A dirigente destaca que, em sintonia com a necessidade de ressaltar a importância do PIM na preservação da Amazônia – e em um momento em que o Congresso discute a reforma Tributária –, o tema da condecoração deste ano é focado justamente na sustentabilidade. Leia, a seguir, a entrevista.
Jornal do Commercio – O PQA está completando 30 anos. Qual sua importância direta para o desempenho do PIM e, indiretamente, para a manutenção da ZFM em tempos de reforma Tributária?
Erlen Montefusco – O PQA atua diretamente junto a área da qualidade e a alta administração das organizações do Polo Industrial de Manaus, que participam do ciclo de avaliação. A partir do momento em que a organização passa a utilizar os modelos disponibilizados pelo prêmio para sua avaliação, fica possível ter uma visão geral de todos os principais processos dessa organização. O modelo de gestão em especial serve como direcionador do que uma organização de excelência precisa ter e ser. Estes fatores ajudam as participantes do prêmio a compararem sua competitividade com outras empresas de classe mundial, o que contribui para melhor planejamento na busca de melhores resultados.
JC – Quais são os principais cases de sucesso, nessas três décadas de PQA?
EM – Temos muitos casos de sucesso. Para as indústrias, seria injusto citar somente um, pois as organizações do PIM buscam nos milésimos de segundos seu diferencial competitivo. As pequenas organizações que vem ao Prêmio, através do Sebrae [Serviços Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa], encontram nas ferramentas da qualidade um mecanismo para alcançar melhores resultados e se manterem no mercado. Mas, posso citar um caso de sucesso que sempre comento, pois quem é de Manaus e tem mais de 40 anos conhece bem a história. A antiga concessionária de água apresentou no PQA o projeto de clareamento da água que recebíamos em nossas casas. Lembro que era necessário usar um pano nas torneiras como filtro. E, após a implantação desse projeto, passamos a ter a água que recebemos hoje nas torneiras e chuveiros.
JC – Há alguma resistência das empresas locais em aderir a ferramentas de qualidade, levando em conta os custos de implementação, ou eventual apego a paradigmas?
EM – Nas grandes indústrias, não, pois o atendimento às normas é mandatório em função das exigências. Já com as pequenas empresas, a questão é um pouco diferente. O custo para implementação das normas não é tão barato, mas as vantagens para as que possuem servem de diferencial na hora de concorrerem em processos licitatórios ou para fornecimento às grandes Indústrias.
JC – O que uma empresa precisa fazer e quanto aproximadamente deve desembolsar para investir na qualidade de gestão e processos em suas dependências?
EM – O atendimento às normas da qualidade hoje é mandatório e está no orçamento de grandes, médias e pequenas empresas. Fica difícil precisar valores, pois temos inúmeras capacitações, voltadas para qualidade e gestão, com focos específicos para o segmento de cada organização. Uma máxima é verdadeira: quando se trata de qualidade de produto ou processo, não existe custo, mas investimento.
JC – Levando em conta os resultados da premiação, podemos dizer que há diferenciais de gestão e processos nas empresas do Amazonas? Em caso positivo, quais?
EM – As organizações do PIM não devem nada a nenhuma grande empresa de fora do Estado ou mesmo fora do país. Algumas plantas instaladas aqui, de organizações multinacionais são as que possuem os melhores resultados financeiros, em termos de pessoas e ambientais. O critério sociedade, que usamos para avaliar as ações ambientais, demostra o quanto nossas organizações são comprometidas com a preservação da floresta, não somente para estarem regulares com as exigências normativas, mas também por usarem estes resultados como diferencial competitivo.
JC – Em 1990, com a criação do Programa Estadual para Qualidade e Produtividade, no rastro da inserção tardia da economia brasileira na globalização, todas as unidades federativas tiveram de fundar um programa voltado para esse fim. Isso levou ao PQA e às realizações que a senhora menciona. Essa situação encontra paralelo no restante do país?
EM – Com o passar dos anos, a maioria dos programas de qualidade foram descontinuados. Por esse motivo, podemos ressaltar que o apoio do Sistema Fieam foi o diferencial para que o PQA pudesse continuar contribuindo com as organizações do Amazonas.
JC – O tema do Prêmio Qualidade Amazonas deste ano é “Qualidade em conexão com a sustentabilidade para o desenvolvimento industrial amazônico”. A senhora poderia nos fornecer mais detalhes?
EM – Quem concorre, passa por um criterioso processo, em várias fases. Começou em março, com a inscrição, e passou para a entrega de relatórios, as análises individuais e de consenso da banca avaliadora, e as visitas técnicas. Teremos ainda a Feira da Qualidade, em outubro, no Studio 5, e a premiação no Qualishow, em 1º do dezembro, no Diamond Center. Os participantes são premiados pelas melhores práticas de Melhoria de Processo, Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Gestão Organizacional. Nosso tema este ano é para reforçar o compromisso das organizações do Amazonas, em especial as indústrias, com a sustentabilidade ambiental. Sabemos que o compromisso com o meio ambiente deve ser prioridade no PIM, uma vez que temos normas rígidas que as indústrias precisam cumprir. É importante ressaltar para todo país que a indústria amazonense ajuda a preservar nossa floresta.







