Especialistas analisam conquista do grau de investimentos no país

Em: 16 de maio de 2008
Subida do Brasil ao patamar de investment grade é positiva, pois suscita muito otimismo. É um avanço impensável há dez ou 15 anos e tem de ser vista por esse lado.
Subida do Brasil ao patamar de investment grade é positiva, pois suscita muito otimismo. É um avanço impensável há dez ou 15 anos e tem de ser vista por esse lado.

A elevação ao grau de investimento do Brasil pela agência de risco Standard & Poors significa, na prática, que o país entrou na fase adulta. É o que garante o economista e professor das Faculdades Rio Branco, Antonio Cândido Azambuja. “E como qualquer pessoa que entra na fase adulta, terá mais responsabilidade e deve trabalhar mais duro para manter a conquista, pois essa classificação só acarretará benefícios”, disse.
Quanto à previsível valorização do real ainda maior ante o dólar, o professor pondera que o Brasil é um país essencialmente agrícola, não devendo ter maiores dificuldades para continuar exportando. “Com a presente situação mundial de elevada demanda por produtos agropecuários e alimentos, duvido que deixemos de exportar. Apenas os exportadores que têm dívidas em dólares para pagar em real e aqueles que sobrevivem apenas das exportações em dólar devem ressentir-se, mas essa situação também deverá ser passageira. Na verdade, esse é o preço do desenvolvimento”, disse.
O presidente da Regional São Paulo da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), Fabio de Arruda Mortara, salienta que a subida do Brasil ao patamar de investment grade é positiva, pois suscita  muito otimismo. “É um avanço impensável há dez ou 15 anos e tem de ser vista por esse lado”, comentou.
Por isto, o empresário gráfico acredita que não se deve ficar olhando apenas conseqüências aparentemente negativas, como queda ainda mais acentuada do dólar ante o real e eventual dificuldade maior para exportar. Há mesmo esse contraponto do efeito no câmbio sobrevalorizado, que tira a competitividade do produto nacional. Porém, esse problema já existia. O país tem numerosos itens —como os cadernos brasileiros, hoje os melhores do mundo— com qualidade para competir internacionalmente, mas já é prejudicado pelo câmbio.
“Por outro lado, o mercado está analisando de modo muito positivo a conquista do grau de investimento. Os papéis brasileiros tiveram crescimento de 8% no mercado internacional. É preciso aproveitar o momento”, disse Mortara.
O professor da disciplina Governança Corporativa das Faculdades Trevisan, Roberto Gonzalez, salientou que “um dos pontos positivos da classificação do país no grau de investimento é que todas as empresas brasileiras vão poder pegar dinheiro lá fora mais barato; ou seja, o chamado endividamento bom vai ser possibilitado agora”.
Quanto à questão cambial, ele disse que “o governo deverá tomar medidas para conter essa queda do real, adotando atitudes positivas, sem interferência fiscalizadora, sempre tão criticada pelos empresários”, ponderou o especialista, acrescentando: “O Brasil sempre quis que a moeda estrangeira variasse ao sabor do mercado. O empresário, agora, tem de aprender a valorizar as regras do mercado, que valoriza a competência. Ao contrário do que afirmam alguns analistas, este é um bom momento. Significa mais dinheiro entrando em nossa economia. O empresário só tem de aprender a trabalhar nesse novo patamar”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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