Estaleiros têm de competir entre si para aumentar eficiência

Em: 17 de agosto de 2009
Carlini defendeu com veemência que os estaleiros nacionais sejam estimulados a competir por clientes. Segundo o empresário, esta é a melhor forma de aumentar a eficiência do setor como um todo e reduzir os preços dos navios
Carlini defendeu com veemência que os estaleiros nacionais sejam estimulados a competir por clientes. Segundo o empresário, esta é a melhor forma de aumentar a eficiência do setor como um todo e reduzir os preços dos navios

O engenheiro naval e empresário Nelson Luiz Carlini apresentou no último dia 13 a palestra “Renovação e Ampliação da Frota própria no Brasil – Possibilidades e Limitações”, durante o 1º Seminário sobre Desenvolvimento da Cabotagem Brasileira, realizado pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), em parceria com o Sindarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima) e o Ministério dos Transportes, em Brasília.
Carlini defendeu com veemência que os estaleiros nacionais sejam estimulados a competir por clientes. Segundo o empresário, esta é a melhor forma de aumentar a eficiência do setor como um todo e reduzir os preços dos navios.
“Eu gostaria de entrar no mercado de cabotagem comprando navios, mas não tem jeito, só afretando”, afirmou. O engenheiro disse ainda que os programas de financiamento para compra de novos navios não resolvem o problema. “O preço é alto demais. Mesmo com um juro de 1% e 100 anos para pagar, não dá. No Brasil, o armador tem de ficar 18 anos abraçado ao navio, enquanto nos EUA, o navio se paga em 10 anos”.
Carlini fez um breve histórico da construção naval no Brasil. Depois de uma fase pujante posterior à Segunda Guerra Mundial, a indústria enfrentou problemas nos anos 1960, recuperou-se na década seguinte, para enfrentar novo período de turbulência nos anos 1980. Só voltaria a recuperar-se a partir da última década. “Hoje, temos capacidade, gente e tecnologia. O que falta é estimular a competição no mercado. Não dá para manter a mesma estrutura protecionista de 50 anos atrás. A indústria é outra. O Brasil é outro”.
Caso não haja mudanças na estrutura do setor, Carlini propõe que os armadores sejam liberados para comprar navios fora do Brasil. “Não queremos acabar com a indústria naval brasileira, mas não podemos ficar reféns dela. Se não houver ajustes, precisamos de saídas alternativas para continuar operando”.
O empresário propôs ainda que a indústria naval não se limite a vender para o mercado interno. “China, Coréia e outros países do sudeste asiático exportam navios, sem deixar de atender ao mercado interno. Nós também temos capacidade para isso”, avaliou Carlini.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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