Estimativa de safra no Amazonas mantida para 2019, aponta IBGE

Em: 17 de setembro de 2019
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Em nova revisão, ocorrida em agosto, o IBGE manteve novamente a estimativa de safra para o Amazonas em 1.873.122 toneladas neste ano, o equivalente a 36,3% de incremento em relação a 2018. O mesmo pode ser dito da área de plantio (183.791 hectares) e de colheita (170.856 hectares), que avançaram 31% e 32,6%, respectivamente, na comparação com a safra do ano passado.

Líder no índice de produção – mas não no de produtividade –, a mandioca segurou a estimativa de crescimento de 58,1% assinalada nos levantamentos anteriores do IBGE. A expectativa é que a safra passe de 842.180 (2018) para mais de 1,33 milhão de toneladas (2019). O índice percentual de crescimento do Estado para a mandioca supera com folga a média nacional (+4,2%), que aponta para uma produção total de 20,2 milhões de toneladas. 

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 41.207 toneladas, quantidade 25,6% superior à safra de abril de 2018 (32.806) e sem alteração em relação a divulgação anterior. A área utilizada para a produção subiu 18,93%, de 19.280 (2018) para 22.930 (2019) hectares. 

No Amazonas, essa categoria inclui arroz (14.206), milho (18.894) e duas safras de feijão (4.000 e 4.107). A quantidade obtida de arroz deve ser quase 19% superior à do ano passado (11.938), enquanto a de milho deve avançar 47% em relação a 2018 (12.853). No caso do feijão os cálculos apontam para uma elevação de 2,4% na produção e para uma retração de 0,7% e empate nas áreas plantadas, respectivamente.

A cana de açúcar é categoria agrícola com menor previsão de alta. O IBGE estima que a safra deve ser de 274.059, 3,9% maior do que a do ano passado (263.854). A área de plantio também foi reduzida (-0,7%), de 4.607 (2018) para 4.640 (2019) hectares.

Café e cacau 

A projeção para os cafés canephora (2.679 toneladas) e arábica (1.836), por outro lado, segue estagnada. As áreas de plantio também permaneceram inalteradas: 2.622 e 2.000 hectares, respectivamente. Há também produtos que permanecem em queda, com destaque para a fruticultura. A banana deve ter uma colheita 10,08% inferior entre 2018 (126.120) e 2019 (112.522) e sua área de plantio foi reduzida em 5,84%, para 7.944 hectares – contra 8.408 (2018).

Na sequência, vem a laranja, que perderá 6,11% de produção entre as safras de 2018 (71.104 toneladas) e de 2019 (66.760). Em menor grau, o cacau deve baixar 1,34% e totalizar 1.321 toneladas (2019) contra 1.339 (2018). Em contrapartida, a extensão para o plantio subiu em ambos os casos, respectivamente para 3.895 (+0,7%) e para 2.404 hectares (+10,4%).

“Em julho já estávamos em pleno verão amazônico e as águas começavam a baixar. E o momento de início de uma nova etapa de acompanhamento das safras. As mudanças serão sentidas nos próximos meses, quando o IBGE e os órgãos parceiros começarem a realizar novos acompanhamentos”, salientou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

“Indústria ao relento”

Na mesma linha, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, diz que a previsão do IBGE para a safra do Amazonas deste ano levou em consideração os impactos negativos que o setor primário amazonense teve com a enchente e, agora, com um período de forte estiagem.

“Costumamos dizer que a atividade rural é praticamente uma indústria ao relento, a céu aberto, muito sujeita à questão climática”, reforçou.

No entendimento de Muni Lourenço, a queda do cacau – assim como da banana – é reflexo da cheia que atingiu tanto as áreas produtivas de várzea, bem como a dificuldade adicional da logística e escoamento da produção no período chuvoso.

“No caso do café, nossa avaliação é que, apesar da estagnação verificada, a perspectiva é que no médio e longo prazo essa cultura deve ser expandida no Estado. Notadamente pelo apoio de políticas públicas estaduais à produção do e o estímulo das compras de café decorrente de uma nova planta industrial instalada recentemente em Manaus, por um grupo empresarial líder no mercado nacional”, afiançou.

Plano Safra

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, concorda que a produção amazonense de cacau foi impactada de forma significativa pela enchente atípica deste ano, assim como ocorrido o cultivo da banana.

O secretário estadual adianta que os 21 projetos prioritários do Plano Safra do Amazonas 2019/2020 contemplam o apoio e fortalecimento da produção de café em Silves e Apuí, e ressalta “o importante papel do Idesam [Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia]” na produção de café em Apuí. 

“O governo continua intensificando ações do pro-mecanização e pro-calcário e, em breve, o pró sementes e mudas. Estamos dialogando com a área ambiental para acelerar esses programas, que são de fundamental importância para que nossos números continuem evoluindo”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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