Em nova revisão, ocorrida em agosto, o IBGE manteve novamente a estimativa de safra para o Amazonas em 1.873.122 toneladas neste ano, o equivalente a 36,3% de incremento em relação a 2018. O mesmo pode ser dito da área de plantio (183.791 hectares) e de colheita (170.856 hectares), que avançaram 31% e 32,6%, respectivamente, na comparação com a safra do ano passado.
Líder no índice de produção – mas não no de produtividade –, a mandioca segurou a estimativa de crescimento de 58,1% assinalada nos levantamentos anteriores do IBGE. A expectativa é que a safra passe de 842.180 (2018) para mais de 1,33 milhão de toneladas (2019). O índice percentual de crescimento do Estado para a mandioca supera com folga a média nacional (+4,2%), que aponta para uma produção total de 20,2 milhões de toneladas.
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 41.207 toneladas, quantidade 25,6% superior à safra de abril de 2018 (32.806) e sem alteração em relação a divulgação anterior. A área utilizada para a produção subiu 18,93%, de 19.280 (2018) para 22.930 (2019) hectares.
No Amazonas, essa categoria inclui arroz (14.206), milho (18.894) e duas safras de feijão (4.000 e 4.107). A quantidade obtida de arroz deve ser quase 19% superior à do ano passado (11.938), enquanto a de milho deve avançar 47% em relação a 2018 (12.853). No caso do feijão os cálculos apontam para uma elevação de 2,4% na produção e para uma retração de 0,7% e empate nas áreas plantadas, respectivamente.
A cana de açúcar é categoria agrícola com menor previsão de alta. O IBGE estima que a safra deve ser de 274.059, 3,9% maior do que a do ano passado (263.854). A área de plantio também foi reduzida (-0,7%), de 4.607 (2018) para 4.640 (2019) hectares.
Café e cacau
A projeção para os cafés canephora (2.679 toneladas) e arábica (1.836), por outro lado, segue estagnada. As áreas de plantio também permaneceram inalteradas: 2.622 e 2.000 hectares, respectivamente. Há também produtos que permanecem em queda, com destaque para a fruticultura. A banana deve ter uma colheita 10,08% inferior entre 2018 (126.120) e 2019 (112.522) e sua área de plantio foi reduzida em 5,84%, para 7.944 hectares – contra 8.408 (2018).
Na sequência, vem a laranja, que perderá 6,11% de produção entre as safras de 2018 (71.104 toneladas) e de 2019 (66.760). Em menor grau, o cacau deve baixar 1,34% e totalizar 1.321 toneladas (2019) contra 1.339 (2018). Em contrapartida, a extensão para o plantio subiu em ambos os casos, respectivamente para 3.895 (+0,7%) e para 2.404 hectares (+10,4%).
“Em julho já estávamos em pleno verão amazônico e as águas começavam a baixar. E o momento de início de uma nova etapa de acompanhamento das safras. As mudanças serão sentidas nos próximos meses, quando o IBGE e os órgãos parceiros começarem a realizar novos acompanhamentos”, salientou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
“Indústria ao relento”
Na mesma linha, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, diz que a previsão do IBGE para a safra do Amazonas deste ano levou em consideração os impactos negativos que o setor primário amazonense teve com a enchente e, agora, com um período de forte estiagem.
“Costumamos dizer que a atividade rural é praticamente uma indústria ao relento, a céu aberto, muito sujeita à questão climática”, reforçou.
No entendimento de Muni Lourenço, a queda do cacau – assim como da banana – é reflexo da cheia que atingiu tanto as áreas produtivas de várzea, bem como a dificuldade adicional da logística e escoamento da produção no período chuvoso.
“No caso do café, nossa avaliação é que, apesar da estagnação verificada, a perspectiva é que no médio e longo prazo essa cultura deve ser expandida no Estado. Notadamente pelo apoio de políticas públicas estaduais à produção do e o estímulo das compras de café decorrente de uma nova planta industrial instalada recentemente em Manaus, por um grupo empresarial líder no mercado nacional”, afiançou.
Plano Safra
O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, concorda que a produção amazonense de cacau foi impactada de forma significativa pela enchente atípica deste ano, assim como ocorrido o cultivo da banana.
O secretário estadual adianta que os 21 projetos prioritários do Plano Safra do Amazonas 2019/2020 contemplam o apoio e fortalecimento da produção de café em Silves e Apuí, e ressalta “o importante papel do Idesam [Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia]” na produção de café em Apuí.
“O governo continua intensificando ações do pro-mecanização e pro-calcário e, em breve, o pró sementes e mudas. Estamos dialogando com a área ambiental para acelerar esses programas, que são de fundamental importância para que nossos números continuem evoluindo”, finalizou.






