Setor de serviços volta a crescer em julho no Amazonas

Em: 16 de setembro de 2019
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Depois do tropeço de junho (-0,4%) o setor de serviços do Amazonas retomou alta no volume de vendas, mas recuou na receita nominal. O Estado perdeu posições na variação mensal, mas segue líder nacional em termos de crescimento da atividade, quando se leva em conta o longo prazo. A conclusão vem da análise dos dados da pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta quinta (12). 

O volume de serviços aumentou 0,3% entre junho e julho e 5,4% no confronto com os números de julho de 2018. O mesmo se deu nos acumulados do ano (+3,8%) e dos últimos 12 meses (+2,2%). No texto da pesquisa, o IBGE-AM identifica nos números uma evolução substancial em relação ao desempenho do aglutinado dos sete meses iniciais de 2018 (-1,8%).

O resultado na comparação com junho de 2019 colocou o Estado abaixo da média nacional (+0,8%) e na 23ª posição entre as 27 unidades da federação. As maiores altas ocorreram em Tocantins (+12,2%), Acre (+9,9%) e Pará (+8,7%), enquanto os piores números ficaram em Pernambuco (-0,7%), Piauí (-0,4%) e Minas Gerais (+0,1%).

Ainda assim, o desempenho acumulado ao longo do ano garantiu ao Amazonas a primeira posição no ranking nacional, bem à frente da média nacional (+0,8%). O Estado foi acompanhado de perto por São Paulo (+3,7%) e Santa Catarina (+3,2%). Em contraste, Acre (-8,8%), Rondônia (-6,9%) e Mato Grosso (6,5%) ficaram nas últimas posições, em um panorama em que apenas dez das 27 unidades federativas do Brasil avançaram.

Receita menor

Do lado da receita nominal, por outro lado, o Amazonas levou seu primeiro escorregão no ano, ao retrair 0,1% frente a junho de 2019, embora tenha seguido no campo positivo nas outras comparações. Em relação a julho de 2018, o setor de serviços amazonense subiu 8,3%, tendo obtido dados positivos nos acumulados do ano (+7,9%) e dos últimos 12 meses (+5,4%). 

O recuo mensal deixou o Estado na 24ª posição do ranking nacional do IBGE e bem distante da média nacional (+1,6%). O Estado foi acompanhado por Pernambuco (-0,4%), Rio Grande do Sul (-0,2%) e Rondônia (-0,1%). As maiores altas foram registradas no Acre (+12,3%), Tocantins (+11,2%), e Distrito Federal (+5,8%).

Em contrapartida, a performance no acumulado do ano sustentou o setor de serviços do Estado no primeiro lugar entre as unidades federativas brasileiras e bem acima da média nacional (+4,3%). Tocantins (+7,6%) e São Paulo (+6,8%) ficaram nas posições seguintes. As maiores baixas ficaram no Acre (-5,2%), Piauí (-4,9%) e Rondônia (-4,4%).

A despeito do desempenho sofrível dos serviços do Amazonas na passagem de junho para julho, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o setor consolidou-se com o segundo melhor desempenho do ano no Estado, atrás apenas do comércio varejista. 

"Com um acumulado de 3,8% de alta, a atividade recupera-se frente ao desempenho do ano passado. Em julho de 2018, o acumulado estava negativo em 1,8%, e o setor acabou fechando o ano com queda de 0,9%. Os serviços não esperaram que a indústria (-0,6%) voltasse a crescer para pegar uma carona. Isso demonstra que a atividade encontrou fôlego fora da manufatura para alavancar seu desempenho", avaliou.

"Lenta e gradual"

No entendimento do presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, os números do setor de serviços do Amazonas apresentados pelo IBGE refletem a "lenta e gradual" recuperação da economia brasileira nos últimos meses, principalmente após a Reforma da Previdência ter passado pelo crivo da Câmara.

"O ritmo de expansão da atividade econômica pode parecer desalentador, mas o fato de a recuperação vir aos poucos sinaliza que será mais vigorosa no médio e longo prazos. Se estivéssemos crescendo aos saltos, certamente não teríamos uma retomada sustentada e consistente", amenizou.

Aderson Frota avalia que os números mais robustos da atividade de serviços no acumulado se devem principalmente aos efeitos da Reforma Trabalhista do Governo Temer (2016-2018), que aumentou a terceirização, reduzindo os custos das empresas. 

Indagado sobre o motor de crescimento – a demanda – e quais segmentos de serviços se destacam no Amazonas, o presidente em exercício da Fecomercio-AM considera que o mercado imobiliário e de alimentação fora de casa estão em alta, enquanto o transporte de passageiros por fretamento e hotelaria estão em baixa.

"A indústria está tendo mais problemas para se recuperar e isso reflete no segmento de transportes. No caso da hotelaria, houve muito aumento de oferta nos anos anteriores à Copa e a crise fez com que a taxa de ocupação não passasse de 30%, inclusive em tempos recentes. Mas as perspectivas são positivas, já estamos tendo números melhores em setembro, e o setor de serviços como um todo deve ser o primeiro a recuperar as perdas da crise", arrematou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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