A Copa do Mundo passou por Manaus na primeira fase do mundial de futebol e surpreendeu. Torcedores das mais diferentes nacionalidades passaram por aqui e deixaram bons elogios acerca do atendimento e hospitalidade. Segundo a Embratur, mais de R$ 138 milhões circularam na capital amazonense durante a temporada do campeonato. Com o fim das eliminatórias, fica o ‘esvaziamento’ do setor hoteleiro.
Durante o mês de junho, os 23 mil leitos distribuídos entre os 109 hotéis localizados na Região Metropolitana de Manaus foram ocupados com turistas motivados pelo futebol. Destes, 17 hotéis trabalharam em parceria com a empresa Match (agência oficial da FIFA que negocia a hospedagem de patrocinadores, das autoridades, dos voluntários e do staff da arbitragem). Além dos hotéis credenciados, barcos de turismo, hotéis de selva e motéis também ofereceram leitos para os visitantes.
De acordo com números da Abih-AM (Associação Brasileira da indústria de Hotéis do Amazonas), o índice de UHs (Unidades Habitacionais) ocupadas entre os dias 12 e 26 de junho chegou a 90% (4,5 mil apartamentos com reserva). A tarifa aplicada na capital foi a menor do país, chegando à média de R$ 376 por hóspede.
Entre os hotéis tradicionais que foram reformados para o evento esportivo mundial, o resort cinco estrelas Tropical Hotel –credenciado pela FIFA como hotel oficial da Copa de 2014, que garantiu ocupação máxima em alguns dias do mês passado. De acordo com o gerente geral do empreendimento, Antônio Maglione, o hotel revitalizou 250 dos 609 apartamentos disponíveis nos últimos três anos. “As reformas vieram para agregar melhorias nos serviços que já são prestados pela rede em todo o país”, explica. Além das adaptações nos leitos, a parte hidráulica e elétrica do resort também foi renovada.
“Agora as melhorias ficam para atender os próximos clientes”, diz Maglione. Para ele, não há preocupação quanto à ocupação dos quartos nos próximos meses. “Estamos acostumados com as estações de alta e baixa. A Copa do Mundo veio para aprimorar o que já era prioridade do empreendimento”, destaca.
Retração
Passados os jogos, o setor hoteleiro já registra uma retração de ocupação, com apenas 22% de leitos ocupados em toda cidade. Segundo o presidente da ABIH-AM, Roberto Bulbol, os números impressionam, mas não em nível de alerta aos empreendimentos. “O setor hoteleiro está acostumado com a configuração de que os primeiros meses do segundo semestre são de menor movimento. O que precisamos agora é cobrar das entidades municipais e estaduais uma atenção maior ao turismo”, comenta o representante.
Com mais de cinco hotéis construídos nos últimos três anos com foco total no Mundial de Futebol, uma das alternativas apresentadas por Bulbol é o incentivo massivo na realização de convenções e feiras internacionais. “O Amazonas agora tem ainda mais estrutura para receber grandes eventos. A prova está aí”, orgulha-se. “Para manter o número de hóspedes que circulam em Manaus, é necessário que as agências de turismo e que o próprio governo entendam a importância de divulgar o Estado como destino padrão no Brasil”.
Geração de emprego
Segundo dados da UGP Copa (Unidade Gestora do Projeto Copa), mais de 70 mil vagas de empregos foram geradas no Amazonas no primeiro semestre deste ano somente nos segmentos alimentação e alojamento (que integram o setor de Serviços). Apesar dos números, há registros de uma queda quando comparados os números desde 2010. Há quatro anos, o setor contou com o crescimento de 120 mil vagas. Em 2011, foram 98 mil.
Entre as 12 cidades-sede da Copa, todas registram desde 2010 queda gradual no saldo de emprego entre janeiro e maio. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, a queda é brutal. Foram 40 mil vagas nos primeiros cinco meses de 2010 e 4.892 vagas no mesmo período deste ano. Em Manaus, o saldo ficou negativo em mais de 5 mil vagas justamente no ano da Copa. Em Recife, o saldo de emprego ficou em apenas 63 este ano.






