Etnocentrismo, racismo ou tolice?

Em: 12 de novembro de 2007
Houve uma época em que se lutava pelas igualdades raciais. A cor negra, que passa cada vez mais despercebida na hora da seleção para o trabalho
Houve uma época em que se lutava pelas igualdades raciais. A cor negra, que passa cada vez mais despercebida na hora da seleção para o trabalho

No próximo dia 20 de novembro é o dia da Consciência Negra, no Brasil. Festejado por muitos como marco da afirmação de uma raça, para outros, datas que comemoram minorias que chamam a atenção sobre as diferenças e não aproximam.

Houve uma época em que se lutava pelas igualdades raciais. A cor negra, que passa cada vez mais despercebida na hora da seleção para o trabalho, parece querer marcar diferenças entre as raças. O governo vê nessa manifestação algo muito positivo, premiando-o como feriado. Será que é tão positivo assim?

A maioria das pessoas, entre as quais me incluo, mal percebe se estão sendo atendidas por uma pessoa branca, asiática, loura, mulata ou negra quando chegam ao balcão de uma loja ou repartição. O que realmente interessa é se são bem atendidas ou não. A qualidade dos serviços nada tem a ver com a cor de quem o executa.

Contudo, o reconhecimento da igualdade foi conquistado às duras penas. A luta para ser diferen te através de datas marcantes, é um avanço ou retrocesso? Não é um contra censo o governo permitir, por um lado os festejos de um dia especial, comemorando a igualdade, para a raça negra e por outro estipular cotas em universidades como se os negros fossem incompetentes de conquistarem seus postos? Ou então o próprio gover no atesta que não tem condições de oferecer ensino de qualidade a todos?

Uma senhora muito negra, com mais de 50 anos, que trabalhou conosco, ao deixar o emprego foi paga regiamente conforme determina a lei. Educadamente, agradeceu a convivência, o aprendizado, o dinheiro que tinha ganho e principalmente o tratamento igualitário que havia recebido. Achei estranho o que ela disse e perguntei se ainda havia discriminação por conta da cor. Ela me disse que ainda havia, que ela mesma fora vítima, mas que tinha diminuído. São depoimentos que só pessoas de cor podem dar.

Por outro lado, tenho visto discriminações muito claras, praticadas por pessoas pouco esclarecidas, que vão bem em outro sentido. Uma comunidade que produz abacaxi, no interior, costuma vender seu produto a comerciantes de Manaus por menos de R$1. Quando recebem visitas de turistas, cobram pelo mesmo produto até R$ 10 porque os turistas são brancos, não falam nossa língua e por isso devem ser extorquidos. Isso pode ser reparado em muitos outros setores, onde há uma discriminação contra os que parecem “ricos” por causa da sua cor, da maneira de falar, da vestimenta ou do carro que usam. A oportunidade às vezes agradável pode descambar em constrangimento.
Assistia a uma luta de boxe na TV, onde um lutador era louro, quase transparente e outro contendor era negro lustroso. De certo para não ser acusado de racismo, o locutor informava: Fulano é o que usa calções brancos com listras azuis e Sicrano é que usa calções vermelhos com listras brancas. Para mim, ou qualquer outro que estivesse assistindo, ficaria muito mais claro se simplesmente dissesse: Fulano e o branco, Sicrano o negro.

Pode ser encarado como racis mo chamar um branco de branco e um preto de negro? Há alguma coisa pejorativa em chamar alguém de negro? Loura burra, pode?
Lembro-me há 26 anos, quando cheguei ao Amazonas e o movimento folclórico do Boi Bumbá tinha outra conotação que tem hoje. A grande virtude o Festival do Boi foi trazer a afirmação da cultura do povo amazonense de origem indígena. Povo retraído, por sua natureza, aprendeu a valorizar sua cultura. O festival, com certeza tem uma grande contribuição nisso. O povo que canta, com orgulho, que é da beira do rio, das matas e das lendas, transmitiu esse sentimento aos filhos e hoje não só canta suas raízes como também tenta resgatar e registrar os costumes dos ancestrais.

A afirmação de uma cultura, de uma região, de uma raça é a parte positiva do etnocentrismo, politicamente correta. Quando essa afirmação descambar para o lado da exclusão dos demais, aí temos o bairrismo medíocre e repulsivo. A convivência pacífica, harmoniosa e politicamente correta está muito próxima d

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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