Enquanto Estado e município comemoram o encurtamento da distância entre o Amazonas e a Europa com a confirmação do voo inaugural do trajeto Lisboa-Manaus operado pela companhia portuguesa TAP para o dia 3 de junho de 2014, o interior do Estado continua muito distante dos grandes investimentos no setor. Atualmente, 32 municípios do Amazonas contam com estruturas aeroportuárias, sendo em sua maioria aeroportos regionais, como o Aeroporto Regional de Parintins e o Aeroporto Regional de Coari, além dos aeroportos de Eirunepé, Lábrea e Tefé. Apesar disso, apenas duas empresas operam voos regulares partindo de Manaus para o interior do Estado, contemplando apenas 10 dos 61 municípios.
Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Commercio na semana passada, o governador Omar Aziz relembrou o compromisso assumido em outubro do ano passado pela presidente Dilma em construir novos aeroportos nos municípios de Uarini, Pauini, Maraã, Codajás, Nova Olinda do Norte, Amaturá. Segundo o governador, além da construção destes novos terminais, o governador explica que também estão previstas obras de reestruturação de aeroportos já instalados no interior, com o objetivo de ampliar a malha aérea do Estado.
“Ela (a presidente Dilma Rousseff) se comprometeu em fazer reformas e ampliações para que a gente possa, mais tarde, ter linhas regulares em 18 aeroportos no Amazonas. No total, teremos 25 aeroportos em operação no Estado”, disse Omar.
Mas, quase um ano após o compromisso assumido pela presidente, as obras não possuem sequer um projeto elaborado e estão sem previsão de serem iniciadas. O governador revelou que cobrou pessoalmente da ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti –que esteve na capital na última semana –agilidade na aprovação destes projetos, mas reconheceu que ainda há algumas dificuldades burocráticas a serem superadas.
“Sei muito bem que a intenção da presidente é que se construa (os aeroportos). Mas, muitas vezes, o tempo da presidente não é o tempo do ministro, como o tempo do governador não é o tempo do secretário. Você quer urgência, mas quando chega embaixo, não tem”, lamentou.
Tão perto, tão longe
O prefeito de Boa Vista do Ramos, Amintas Júnior, reclamou da falta de investimentos em seu município, localizado a 270 quilômetros de Manaus. Segundo ele, Boa Vista do Ramos não conta com qualquer tipo de estrutura aeroportuária e sofre com o isolamento. Os rios são a única forma de entrar ou sair da cidade. Com o aeroporto mais próximo distante cerca de uma hora por via fluvial, os habitantes sofrem para resolver problemas financeiros e de saúde.
“No meu município não tem aeroporto. Para chegar e sair daqui só de hidroavião ou de barco. Em caso de urgência, principalmente na área da saúde, que é o que mais aperreia a gente, corremos o risco de uma fatalidade. O aeroporto mais próximo daqui é o de Maués, que está distante cerca de uma hora e dez minutos de lancha. Isso é uma dificuldade para nós. Com um aeroporto aqui, nós poderíamos trazer uma agência bancária, pleitear um posto do INSS. Temos um posto do Bradesco, temos o Banco Postal –que é o Banco do Brasil – através dos Correios e temos uma lotérica da Caixa Econômica. No dia do pagamento é um ‘Deus nos acuda’ e muitos trabalhadores preferem receber em Maués. Um aeroporto seria de fundamental importância para o desenvolvimento do município”, reclamou o prefeito.
Ele lamentou o fato de o município não ser incluído no pacote de obras prometido pela presidente Dilma, mas acredita que há a possibilidade de que o governo do Estado resolva a questão.
“Nós nem fomos contemplados nessa leva que a presidente Dilma liberou. Tem uma proposta do governador Omar de construir aeroportos pelo BNDES nos municípios que ainda não possuem, que é o nosso caso, mas isso é uma coisa remota ainda”, confessou.
Exigências
Na última quinta-feira (10), os aeroportos de Barcelos, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Santa Isabel do Rio Negro e São Paulo de Olivença voltaram a operar voos regulares que haviam sido cancelados no mês de agosto. A decisão foi publicada no “Diário Oficial” da União pela Anac (Agencia Nacional de Aviação Civil), que deu um prazo de 18 meses para que os terminais se adequem às normas de funcionamento exigidas.
*Colaborou: Joubert Lima







