Atenção paraenses, e também amazonenses que gostam da música e da gastronomia que vêm lá do baixo Amazonas. Nos próximos dias 31 de março, 1 e 2 de abril, sexta, sábado e domingo, acontecerá a 4ª edição do Festival Paraense. Promovido pela Mode On Eventos, o Festival, com início às 17h, ocorrerá no Espaço Via Torres (rua Visconde de Porto Seguro, Cidade Nova).
O Espaço Via Torres será ocupado por food trucks e food bikes, e mais 50 barracas que poderão vender outros tipos de comida, porém, obrigatoriamente terão que servir ao menos um tipo de prato da diversificada culinária paraense (maniçoba, tacacá, açaí, arroz paraense, farofa de camarão, pato no tucupi, apenas para citar as mais conhecidas). Os preços serão populares, variando de R$ 5, a R$ 35.
“Para dar um ar mais atrativo aos pratos apresentados pelos chefs de cada cozinha, haverá o concurso de ‘Melhor Prato Paraense’ com uma comissão formada por jornalistas e influencers que irão degustar prato por prato para escolher o melhor do Festival. Os critérios avaliados serão: harmonia, apresentação, sabor e aroma”, avisou Carlos Júnior, CEO da Mode On.
Mais de 30 estandes serão disponibilizarão para os visitantes apreciadores do rico artesanato que os paraenses herdaram dos indígenas como colares, brincos e pulseiras, além de peças de cerâmica e produtos confeccionados com fibras e palhas, mas também serão expostos sandálias, bolsas, roupas, bijuterias, quadros e artigos de decoração.
E quem não pode faltar quando se fala do Pará é a Virgem de Nazaré, a santa padroeira que arrasta milhões de pessoas de todo o Brasil, e até do exterior, em sua procissão que ocorre sempre no segundo domingo de outubro. Os organizadores do Festival Paraense montarão um espaço especialmente dedicado ao Círio de Nazaré, com uma imagem da santa para aqueles que desejarem fazer suas orações e pedidos.
Música e cerveja
E festival sem música, não é festival, por isso, para embalar os três dias de festa, bandas paraenses se revezarão no palco tocando carimbó, lambada, siriá, brega funk, guitarrada, entre outros ritmos, além de um paredão destacando o melhor do tecnobrega, e mais apresentações de famosas danças, como o carimbó e o siriá, por exemplo, que além de ritmos musicais, também são as danças mais tradicionais do estado vizinho.



E quem nunca ouviu falar da Cerpa, e mais recentemente da Tijuca? Pois no Espaço haverá um bar servindo essa bebida dos deuses aos amantes da boa cerveja. Enquanto os pais estiverem degustando as cervejas paraenses, as crianças poderão brincar no espaço kids repleto de brinquedos infláveis, pula-pula, touro mecânico, tiro ao alvo, pescaria, e piscina de bolinhas.
“Se você quer participar e ter um espaço no evento, tanto na área gastronômica quanto dos bazares, pode entrar em contato com a Mode On pelos 9 8147-5568 e 9 8590-0016 para saber preços de barracas e estandes”, informou Carlos.
Nas noites do Festival, o valor do ingresso no Espaço Via Torres será R$ 10, com parte da renda sendo revertida para a instituição Pró-Menor Dom Bosco.
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História vem de longe
Durante séculos amazonenses e paraenses viveram uma rusga sem fim devido o Amazonas ter surgido a partir do Pará, depois se tornar um estado soberano, porém, sempre dependente do ‘vizinho’. As coisas só começaram a mudar a partir da instalação da Zona Franca, em Manaus, em 1967, quando a cidade se tornou um celeiro de indústrias fazendo com que a economia dos dois maiores estados do país se igualasse. Desde então os dois povos irmãos passaram a tomar o tacacá na mesma cuia, se unindo através de sua cultura e gastronomia. Eles tocam o carimbó e o tecnobrega, nós a toada e o beiradão. Eles adoram o pato no tucupi, nós o tambaqui assado. Eles comem a maniçoba, nós o pirarucu a milanesa. Eles bebem o tarubá, nós o guaraná. Eles têm o jambú, nós temos a pimenta murupi. Até a castanha, que era do Pará, agora é da Amazônia, e se descobriu que o açaí possui duas variedades, uma paraense, que frutifica durante seis meses; e a outra, amazonense, que frutifica nos outros seis meses do ano.
Depois do sucesso da Zona Franca, Manaus foi invadida por paraenses que, não se sabe por que, preferem subir o rio rumo à capital amazonense, do que descer o Amazonas e ir para Belém. Aqui conseguem um terreno, constroem uma casa, constituem família, quando já não trazem uma, e podem até voltar para suas cidades, a passeio, mas sempre retornam ao ‘aconchego’ dos manauenses. Se orgulham em estender a bandeira do Pará, se são possuidores de algum estabelecimento comercial, ou vestir uma camisa representando a bandeira de seu estado, ou mesmo do Remo ou do Paysandu. O certo é que amazonenses e paraenses hoje formam um só povo, cada vez mais unido, e as rusgas há muito ficaram para trás.






