Nos mais de 40 anos da Zona Franca de Manaus prevaleceu o modelo industrial que deve continuar porque propicia uma economia próspera ao Amazonas. A garantia é do empresário Joseph Feder, fundador da Dismac Industrial, pioneira na ZFM. O projeto da empresa foi um dos primeiros a ser aprovado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Nascido em Viena, Áustria, Joseph Feder veio para Manaus, no anos 60, a fim de estudar os diferenciais que a ZFM oferecia em relação a São Paulo na produção de alguns bens.
Hoje à noite o empresário lança o livro “Dismac e Amazônia” História e Preservação Ambiental, de sua autoria. O evento ocorrerá às 18h30 no Auditório Gilberto Azevedo, na Avenida Joaquim Nabuco 1.919. Aos 92 anos, Joseph Feder virá a Manaus pessoalmente para o lançamento de sua obra. “Como forma de retribuir o carinho dos amazonenses”, afirmou.
Joseph Feder recorda que no início da ZFM a mão-de-obra, em sua maioria, vinha de fora da região. Segundo ele, o treinamento e formação profissional, já em andamento por diversas iniciativas, devem ser intensificados para ela estar à altura dos desafios do PIM (Pólo Industrial de Manaus), formado por mais de 600 indústrias.
A percepção que o empresário tem da Zona Franca de Manaus é que desde o início das atividades da Dismac na capital amazonense, lhe pareceu que essa zona franca era diferente das demais que conhecera em outras partes do mundo. “Ela tem um papel eminentemente industrial”, disse Feder, ressaltando que o governo militar acertou o alvo ao criar uma economia próspera em Manaus que mostrasse ao mundo a presença brasileira no centro da gigantesca região natural. “O PIM criou um centro de riquezas e de empregos em plena selva amazônica, o que sinaliza de certa forma posse da região. À medida que empregos foram criados, a floresta amazônica teve menos focos de destruição. Com isso ganhou o meio ambiente”, assegurou.
Lembrar o passado
Ao falar sobre a obra que vai lançar hoje, Josep disse, em resumo que, “Dismac e Amazônia” pretende fazer um breve histórico da empresa Dismac, com maior foco no depoimento de seus colaboradores. Isso seria lembrar o passado. Mas o livro queria abrir caminho para o futuro, dar uma colaboração para os debates que se travam no momento em torno da sustentabilidade da floresta amazônica, em que a Dismac esteve inserida. “Como manter a continuidade da floresta e ao mesmo tempo prover bem-estar e progresso dos seus habitantes, o equilíbrio climático estão contidos no livro”, disse.
As homenagens que irá receber de entidades de classe como Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Josep disse que o povo do Estado do Amazonas sempre foi gentil e essas associações refletem esse sentimento. “Ao longo de minhas atividades prestigiei as entidades de classe, atitude que aprendi com os empresários americanos. Aqui em Manaus eu participei, junto de vários empresários, da criação do Cieam, cujo primeiro presidente foi o empresário Mário Guerreiro, da antiga Brasil Juta. Outro companheiro de luta foi Matias Machline, da Sharp”, disse o empreendedor.
Às pessoas que o consideram um empresário notável, inovador e hoje aos 92 anos, está lúcido e forte, inclusive com vitalidade para escrever um livro, Josep responde que o segredo para uma pessoa idosa se manter lúcida e criativa é não parar depois de aposentado. “Entreter-se com atividades do seu interesse. No meu caso jogo bridge com um circuito de amigos, escrevo livros, participo do Rotary. Pratico o que Domenico de Masi prescreve, um ócio criativo”, contou.
Ao falar sobre os constantes ataques à ZFM, ele disse que o modelo sempre foi uma área polêmica, pois os incentivos fiscais eram um diferencial significativo para atrair investimentos à região. À medida que as entidades de classe, principalmente do Sul, criticavam a nova política, as empresas por intermédio da Suframa foram implantando o sistema de índice de nacionalização, que evoluiu para o processo produtivo básico. “A essas entidades de classe, as empresas instaladas na área da Suframa respondiam com tecnologia de ponta, qualidade e preços competitivos. Hoje, podemos afirmar que a ZFM é uma realidade, com mais de 600 empresas e com vários pólos concentrados, como o pólo de duas rodas e o pólo eletroeletrônico. O empresariado amazonense, junto com a classe política e o povo, tem orgulho desse parque industrial”, detalhou.
Ao comentar sobre a reforma tributária, Josep disse que ela visa eliminar a guerra fiscal, mas a ZFM, como está prevista na Constituição, tem direito a certos benefícios diferenciados e que precisam ser mantidos.
Quanto ao atual quadro de crise financeira mundial, que tem levado algumas empresas a decretarem falência, o empresário avisa que o momento é de cautela. Muito embora países desenvolvidos, como os EUA, já convivam com a recessão, a economia brasileira foi menos afetada. “Ainda há clima para investimentos. Há investimentos que não podem ser cancelados, como os de infra-estrutura”, assegurou.






