Executivos menos otimistas

Em: 17 de junho de 2013
Índice de Otimismo no Brasil permanece estável, mas emprego vem diminuindo
Índice de Otimismo no Brasil permanece estável, mas emprego vem diminuindo

As principais preocupações internas das empresas brasileiras continuam sendo a manutenção de margens e a contratação e manutenção de funcionários qualificados. As principais preocupações quanto à economia são referentes à demanda, código tributário e inflação.
Estes são alguns dos resultados da recente pesquisa trimestral intitulada Panorama Global dos Negócios (CFO Survey – Global Business Outlook), conduzida pela Duke University, Fundação Getulio Vargas e CFO Magazine com o apoio da BMFBovespa e do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). A pesquisa foi concluída no dia 31 de maio de 2013 e teve a participação de 1112 CFOs (responsável pelas decisões financeiras das empresas) de todo o mundo, sendo 280 da América Latina dos quais 46 eram brasileiros. A pesquisa versa sobre as expectativas dos altos executivos para as suas empresas e para a economia.
CFOs do Brasil e da América Latina continuam sendo os mais otimistas do mundo com relação às economias de seus países. No entanto existe uma tendência à redução no otimismo: 46% dos CFOs estão menos otimistas do que estavam no trimestre anterior – enquanto que somente 20% estão mais otimistas. Resultado semelhante se observa para a América Latina como um todo: 46% mais pessimistas e 24% mais otimistas.
As empresas Brasileiras diminuem a expectativa de aumento de empregados em tempo integral. Espera-se um aumento médio de 2,7% para os próximos 12 meses (nos trimestre anterior as projeções eram de um aumento de 3,9 e 3,3%). Como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores, as empresas reportam dificuldade em contratar funcionários com a qualificação desejada.
Também verifica-se que se consolida a tendência de crescimento do emprego temporário e terceirizado. O emprego temporário deve aumentar em 2,1% nos próximos 12 meses e o emprego terceirizado 1,7%.
Em média, CFOs projetam um crescimento nos salários de 8% para os próximos 12 meses. Nos trimestres anteriores as projeções eram de 5,9 e 7,1%
Ao mesmo tempo, aprofunda-se a tendência para redução nos investimentos de capital. A taxa de crescimento que vinha sendo na casa dos 7% há dois trimestres caiu primeiro 3,4% e agora para 1,9%.

Preocupações

Entre as principais preocupações dos CFOs brasileiros estão a inflação e código tributário.
Além disso, a corrupção tem um efeito significante sobre a economia: 57% dos CFOs brasileiros apontam que a corrupção prejudica seus negócios. Esse padrão é alto mesmo para a América Latina onde a média geral é 33% (Colômbia 53%, México 38%, Peru 32% e Chile 6%). O cenário é bem diferente nos Estados Unidos e Europa onde corrupção é apontada como um problema para 6% e 16% dos CFOs respectivamente.

Crescimento

Os CFOs indicam uma redução na taxa de crescimento das contratações de empregados efetivos pelas empresas: 2,7% neste trimestre contra 3,9 e 3,3% nos trimestres anteriores. Em compensação cresce a tendência para o aumento no uso de mão de obra temporária e terceirizada. “O emprego em tempo integral vem crescendo há vários trimestres. E ao longo deste período a projeção de uso de emprego temporário e terceirizado vinha decrescendo. Simultaneamente observamos que as empresas estão reduzindo a previsão de investimentos. Assim, em um cenário de incerteza quando ao crescimento, parece que as empresas estão sendo cautelosas e preferindo substituir emprego em tempo integral por emprego temporário e terceirizado.” Comenta Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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