As principais preocupações internas das empresas brasileiras continuam sendo a manutenção de margens e a contratação e manutenção de funcionários qualificados. As principais preocupações quanto à economia são referentes à demanda, código tributário e inflação.
Estes são alguns dos resultados da recente pesquisa trimestral intitulada Panorama Global dos Negócios (CFO Survey – Global Business Outlook), conduzida pela Duke University, Fundação Getulio Vargas e CFO Magazine com o apoio da BMFBovespa e do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). A pesquisa foi concluída no dia 31 de maio de 2013 e teve a participação de 1112 CFOs (responsável pelas decisões financeiras das empresas) de todo o mundo, sendo 280 da América Latina dos quais 46 eram brasileiros. A pesquisa versa sobre as expectativas dos altos executivos para as suas empresas e para a economia.
CFOs do Brasil e da América Latina continuam sendo os mais otimistas do mundo com relação às economias de seus países. No entanto existe uma tendência à redução no otimismo: 46% dos CFOs estão menos otimistas do que estavam no trimestre anterior – enquanto que somente 20% estão mais otimistas. Resultado semelhante se observa para a América Latina como um todo: 46% mais pessimistas e 24% mais otimistas.
As empresas Brasileiras diminuem a expectativa de aumento de empregados em tempo integral. Espera-se um aumento médio de 2,7% para os próximos 12 meses (nos trimestre anterior as projeções eram de um aumento de 3,9 e 3,3%). Como vinha ocorrendo nos trimestres anteriores, as empresas reportam dificuldade em contratar funcionários com a qualificação desejada.
Também verifica-se que se consolida a tendência de crescimento do emprego temporário e terceirizado. O emprego temporário deve aumentar em 2,1% nos próximos 12 meses e o emprego terceirizado 1,7%.
Em média, CFOs projetam um crescimento nos salários de 8% para os próximos 12 meses. Nos trimestres anteriores as projeções eram de 5,9 e 7,1%
Ao mesmo tempo, aprofunda-se a tendência para redução nos investimentos de capital. A taxa de crescimento que vinha sendo na casa dos 7% há dois trimestres caiu primeiro 3,4% e agora para 1,9%.
Preocupações
Entre as principais preocupações dos CFOs brasileiros estão a inflação e código tributário.
Além disso, a corrupção tem um efeito significante sobre a economia: 57% dos CFOs brasileiros apontam que a corrupção prejudica seus negócios. Esse padrão é alto mesmo para a América Latina onde a média geral é 33% (Colômbia 53%, México 38%, Peru 32% e Chile 6%). O cenário é bem diferente nos Estados Unidos e Europa onde corrupção é apontada como um problema para 6% e 16% dos CFOs respectivamente.
Crescimento
Os CFOs indicam uma redução na taxa de crescimento das contratações de empregados efetivos pelas empresas: 2,7% neste trimestre contra 3,9 e 3,3% nos trimestres anteriores. Em compensação cresce a tendência para o aumento no uso de mão de obra temporária e terceirizada. “O emprego em tempo integral vem crescendo há vários trimestres. E ao longo deste período a projeção de uso de emprego temporário e terceirizado vinha decrescendo. Simultaneamente observamos que as empresas estão reduzindo a previsão de investimentos. Assim, em um cenário de incerteza quando ao crescimento, parece que as empresas estão sendo cautelosas e preferindo substituir emprego em tempo integral por emprego temporário e terceirizado.” Comenta Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.







