Expectativa de retomada no semestre

Em: 26 de junho de 2013
Entidades do setor, como Sinduscon-AM e Creci-AM/RR, apostam na aceleração imobiliária na segunda metade do ano
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Entidades do setor, como Sinduscon-AM e Creci-AM/RR, apostam na aceleração imobiliária na segunda metade do ano

Setor imobiliário deve voltar a fortificar a economia no 2º semestre. A atividade econômica do setor imobiliário, aliado ao segmento da construção civil, deu sinais de reaquecimento no final do primeiro semestre e deve exercer influência positiva sobre o PIB (Produto Interno Bruto) no segundo semestre de 2013, na avaliação de especialistas e entidades do setor ouvidas pelo Jornal do Commercio.
Entidades do setor, como Sinduscon-AM e Creci-AM/RR, apostam na aceleração imobiliária no segundo semestre deste ano. Em 2013, a construção civil, que abrange o setor imobiliário e obras de infraestrutura, voltou a receber incentivo do governo federal, com a desoneração da folha de pagamento de empresas do segmento, em abril, o que refletiu na queda dos preços com deflação de 5,12% registrado em maio de acordo com o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) no país.
Segundo dados da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), de janeiro a abril as vendas cresceram 4,7% em relação ao mesmo período de 2012, em função de um aumento acentuado nas vendas de materiais de construção em abril, que subiram 14,2% sobre abril do ano passado. “A expectativa para o segundo semestre é de mais aquecimento com esses percentuais positivos que abrem espaço para uma recuperação de atividade para o setor.”, disse Frank Do Carmo, vice-presidente do Sinduscon-AM.
Frank Do Carmo informou que no 1º semestre de 2013 o setor da construção atingiu 60% das vendas, graças às obras de duplicação da rodovia AM-070 que liga Manaus ao município de Manacapuru e de ampliação e reforma do Aeroporto Internacional de Manaus Brigadeiro Eduardo Gomes. Já com a chegada do verão amazônico as obras propiciaram um crescimento significativo. “No período de verão aumenta muito as obras de construção, seja grande ou pequena, inclusive a construção doméstica, as informais, as executadas diretamente pelas empreiteiras e até mesmo por pequenas construtoras. Já as obras do setor público, estas devem movimentar bem o setor até o final deste verão que começa a esquentar por toda a cidade.”

Mão de obra

A criação de vagas na construção, que crescia a um ritmo de 9,3% em abril do ano passado, na comparação com 2011, perdeu ritmo e cresceu apenas 1,2% em abril deste ano contra abril de 2012. Nesse cenário, desde 2011, o ritmo de contratações com carteira no setor de construção cai mensalmente, segundo dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) elaborados pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Na opinião da consultora da FGV, Ana Maria Castelo os dados até abril apontam que o setor está ‘tirando o pé do freio’ em relação aos investimentos em mão de obra. “A produção de materiais de construção sinaliza que o pior já ficou para trás. A taxa de crescimento do emprego na construção diminuiu e de janeiro a abril houve queda de 30% no saldo de contratações. Mas em nenhum momento o setor deixou de contratar”, diz Ana Maria.

Feirão da Caixa decepciona

Mesmo diante da expectativa positiva, não há garantia de que ainda neste ano, uma reação do setor imobiliário alcance um resultado comparável ao de 2010, período considerado como ‘dos sonhos’ pelo setor. Quando o PIB da construção civil cresceu 11,6% logo após a crise financeira de 2008-2009, embalado por ações como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o programa Minha Casa, Minha Vida.
A mudança de humor dos empresários do setor imobiliário se deu quando, após o fechamento de 2012 que registrou retração nas vendas e também nos lançamentos, que refletiram no primeiro semestre deste ano. Mesmo com o as vantagens do 9º Feirão Caixa da Casa Própria em Manaus, foram apenas 1.183 negócios fechados dos 4.500 imóveis disponíveis no evento, totalizando R$ 106,336 milhões, realizado no início de junho.
O montante contabilizado no 9º Feirão da Caixa ficou bem abaixo da expectativa, segundo o gerente regional de habitação e construção civil da Caixa, Wellington Lopes ocorreu uma oferta menor de imóveis e de lançamentos neste ano por parte das construtoras em comparação ao ano anterior. “O resultado foi um reflexo do mercado imobiliário local, que têm apresentado uma, certa, estagnação”, informou Lopes.

Cautela prevalece

As vantagens como linhas de financiamento para a casa própria que atendem a todas as faixas de renda familiar, com prazo de pagamento de até 35 anos e taxas de juros a partir de 4,5%, não foram suficientes para convencer os cautelosos clientes a fechar negócio.
De acordo com o economista e agente de investimentos Gabriel Vansolini, o imóvel, como opção de investimento, não está tão bem. “O comprador está receoso de investir um dinheiro que tem que ficar parado por um tempo. Ele não está disposto a comprometer e até prender seu dinheiro”.
Ainda, segundo o especialista, a capacidade de pagamento também não é a mesma de cinco anos atrás, apesar do volume de crédito continuar alto. “Isso faz com que o investidor freie um pouco o rítmo de lançamentos imobiliários”, analisa Vansolini, que disse considerar o mercado estabilizado, mas que mesmo assim, depende muito da característica do imóvel, localização, padrão, entre outros detalhes. “Hoje é mais difícil vender imóveis com prestações acima de mil reais (R$ 1.000)”, conclui o economista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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