Arquivamento das PECs 33 e 37, melhoria na saúde e no atendimento do SUS, melhoria do transporte público e redução da tarifa, prisão dos mensaleiros e melhoria no sistema de educação e aumento do salário dos professores: estas serão as pautas da manifestação “Manaus na mudança do Brasil”, que está marcada para esta quarta-feira (26), a partir das 17 horas. Organizada pelo Movimento Independente, a marcha terá concentração no Largo de São Sebastião e seguirá rumo à Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Chegando ao local, cartazes serão colados na grade frontal do edifício e os manifestantes farão atos pacíficos, como cantarem o hino nacional sentados de costas para o prédio e gritar palavras de ordem.
De acordo com um dos organizadores do evento, o jornalista Victor Affonso, as cinco pautas do protesto definidas de maneira democrática, por meio de reuniões presenciais abertas e, principalmente, pela rede social Facebook. Pela estimativa dos organizadores são esperados entre 7 mil e 10 mil manifestantes.
“A gente resolveu criar um evento no Facebook e lá a gente colocava as pautas iniciais. Depois, outras pautas foram surgindo em diálogos e as cinco mais votadas foram essas”, disse.
Os organizadores do movimento viram essa necessidade justamente por sentirem falta de liderança e organização na manifestação anterior, do último dia 20, que levou cerca de 85 mil pessoas para as ruas da capital.
Sem Violência
E após confrontos violentos entre a polícia e parte dos manifestantes como os que foram vistos na última quinta-feira, Victor Affonso lembra que o ato de hoje tem caráter pacífico. Ele garantiu que a organização entrará em contato com os órgãos responsáveis para comunicar o trajeto e as ações, como a Secretária de Segurança Pública, o Manaustrans e a própria Aleam.
“Aproveitamos para frisar a importância da natureza pacífica da manifestação e o repúdio a qualquer ato de vandalismo, seja ele em qual nível for. Para isso, medidas de conscientização estarão sendo reforçadas com os participantes durante o próprio ato, por meio de panfletos distribuídos no dia”, explicou.
Mesmo tendo demandas nos três âmbitos de poder (municipal, estadual e federal), Victor Affonso justifica a escolha da sede do legislativo estadual como o alvo principal das reivindicações do “Manaus na mudança do Brasil”
“A Assembleia é a casa que representa o povo, os deputados estaduais são os porta-vozes da população amazonense. Então nada mais justo do que fazermos essas vozes serem ouvidas na casa que representa tudo isso, por um lado simbólico, claro”.
Resultados
Ainda na opinião de Affonso, apesar de considerar que a cidade de Manaus teve relativo sucesso nas manifestações populares no âmbito nacional, aqui no Amazonas poucos foram os reflexos positivos das mobilizações
“Teve o anúncio da presidente propondo algumas medidas drásticas. Acho que isso já pode ser considerado um dos resultados da manifestação da última quinta-feira em Manaus, já que fomos a cidade com o terceiro maior número de participantes. A presidente viu que as manifestações estavam acontecendo de Norte a Sul do país, não era uma coisa concentrada no Sul e Sudeste. Trata-se de uma questão nacional. Mas regionalmente ainda não teve nada muito significativo, e é justamente por isso que nós continuamos indo às ruas até alcançarmos resultados mais concretos”, garantiu.
CDL Manaus recomenda portas fechadas
Após reunião realizada na manhã desta terça-feira (25) com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus) divulgou nota oficial na qual recomenda a todos os lojistas do centro comercial de Manaus, principalmente nas ruas do entorno da Praça São Sebastião (av. Eduardo Ribeiro, rua 10 de julho, av. Getulio Vargas, av. Joaquim Nabuco, parte da rua Silva Ramos se estendendo pela av. Djalma Batista), que ao perceberem a aproximação e aglomeração dos participantes da manifestação fechem suas portas comerciais. Após a passagem dos manifestantes,a CDL deixou a critério dos lojista, observando a segurança, a reabertura das portas e continuidade do funcionamento normal até o horário de encerramento do expediente.
A recomendação é diferente da que foi dada aos comerciantes na semana passada, quando o comércio fechou as portas às 14 horas. De acordo com estimativas do presidente da Associação Comercial do Amazonas, Ismael Bicharra Filho, com o fechamento antecipado das lojas cerca de 40% das vendas do dias foram perdidos.
Na manifestação da última segunda-feira, apesar da orientação de funcionamento normal do comércio, alguns estabelecimentos também preferiram encerrar o expediente antecipadamente.
Reação do Governo é paliativa
Para o cientista político Breno Rodrigo Messias Leite, o governo federal responde de forma exagerada ao que ele chamou de “maremoto de reivindicações, que vão desde o passe-livre até reforma do sistema político.
Para ele, é um erro estratégico propor um pacote de reformas do sistema político sem que o sistema político tenha a capacidade de absorvê-las em tempo hábil. O cientista explica que, ao contrário da ideia de “pacotes”, qualquer agenda de reformas, em países democráticos, devem ser analisadas ponto a ponto já que são necessárias longas negociações e concessões por parte dos envolvidos.
“Uma reforma implica em perdas e ganhos, ou seja: alguns atores vão ganhar e outros vão perder. E neste cenário de imprevisibilidade os atores tendem a não mudar o staus quo, ou seja, as reformas tendem a não sair. Um exemplo disso é a reforma política que vem se arrastando desde o governo FHC. Agora se propôs reforma política, reforma tributária, tudo junto… Fazer um pacote de reformas é inviável em dois anos, principalmente para um governo que perde cada vez mais a base aliada. A reação foi totalmente paliativa, mas sem efeitos práticos”, analisou Breno Rodrigo.







