Exportação poderá beneficiar indústria

Em: 1 de dezembro de 2015
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A indústria moveleira (móveis e colchões) pode crescer 1,4% no próximo ano, para 483,9 milhões de unidades, embalada por uma alta nas exportações. Mas no mercado interno as vendas ainda devem continuar retraídas devido ao cenário macroeconômico.
De acordo com levantamento da consultoria Iemi Inteligência de Mercado, que monitora o setor de móveis, o consumo doméstico continuará fraco. “No ano que vem, a produção pode ser positiva, por conta da base de comparação fraca de 2015 e pela melhora nas exportações, mas o que puxou o crescimento dessa indústria nos últimos anos é, justamente, o que está faltando agora”, avaliou o sócio diretor do Iemi, Marcelo Prado.
Ele faz referência ao mercado imobiliário e à oferta de crédito ao consumidor como fatores que vinham estimulando a demanda por móveis no país.
“Está claro que, no próximo ano, esses elementos que ajudavam o setor não estarão presentes. No melhor cenário, podemos ver alguma melhora a partir do segundo semestre de 2016”, citou o consultor.
O diretor comercial da fabricante de móveis Unicasa, Thiago Baisch, afirmou que o cenário econômico para os próximos três meses não está muito claro, mas acredita que 2016 será difícil. “A economia como um todo não deve se recuperar em 12 meses, mas continuamos colocando energia total para garantir o desempenho”, contou o executivo. Para 2015 o Iemi prevê retração de 6% na produção de móveis e colchões contra um ano antes, para 477,2 milhões de unidades. As importações devem cair apenas 0,5% para 11,5 milhões de unidades. Na mesma base de comparação, as exportações devem registrar queda de 9%.
Já em 2016 a perspectiva é de alta de 5,7% nas vendas para o exterior, alcançando a marca de 15,7 milhões de unidades. “Embora não traga resultados tão expressivos, as exportações devem ajudar o setor no segundo semestre de 2016, mas não é para todos os segmentos”, ponderou Prado.
Ele lembra que o mercado de móveis de maior valor agregado, chamado de alta decoração, é um dos segmentos que neste ano foi menos impactado pela crise e tem ajudado a minimizar as quedas nas vendas.
Na avaliação do presidente da Abimad (Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração), Michel Otte, o cenário para exportação no ano que vem será melhor. “Com a mudança do governo na Argentina, outro destino que era importante para o setor, podemos ter mudança na política comercial. Isso ajudaria as fabricantes nacionais a retomar os embarques para aquele país”, destacou.
Segundo Otte, a recuperação do consumo nos Estados Unidos, que historicamente é um comprador importante da indústria moveleira, é vista como um bom sinal para as fabricantes brasileiras. Países da Europa também estão no radar das indústrias. “Nossa expectativa é ampliar as vendas para outros países no próximo ano. Em 2015 isso não foi possível porque muitos clientes externos já haviam acertado as encomendas com outros fornecedores internacionais”, explicou o presidente da Abimad.
A Duratex, fabricante de painéis de madeira, teve queda de 6,9% nas vendas de painéis de madeira entre janeiro e setembro quando comparado com um ano antes. A empresa é importante fornecedora de insumo para a indústria moveleira
“A desaceleração da demanda por painéis de madeira observada durante o ano é resultado, principalmente, da diminuição de vendas no varejo de móveis, que corresponde a cerca de 40% das vendas de painéis da Duratex”, apontou a empresa, em relatório sobre resultados do terceiro trimestre, divulgada recentemente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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