Exportações do AM caem 17,46%

Em: 14 de julho de 2016

No período de janeiro a junho deste ano as exportações do Amazonas registraram faturamento de US$ 304 milhões, o que representa uma queda de 17,46% em relação ao mesmo período de 2015. O resultado negativo foi impulsionado pela retração nas comercializações de quatro dos seis principais países compradores dos produtos amazonenses. Por outro lado, países como a China e a Colômbia mantêm, por pelo menos dois meses consecutivos, índices de crescimento às transações estrangeiras.
De acordo com o gerente executivo do CIN/Fieam (Centro Internacional de Negócios) departamento da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, José Marcelo Lima, a retração no volume de exportação do Estado ainda é consequente dos problemas econômicos nacionais. Ele explica que o país está desacreditado economicamente, fator que afasta os investidores que em algum momento demonstraram interesse em firmar parceria econômica com o Brasil e com o Amazonas. Somado a este problema, alguns dos principais parceiros comerciais do Amazonas, como é o caso da Venezuela e da Argentina, enfrentam crises econômicas e políticas, o que afeta diretamente o volume de compras dos estrangeiros.
Nos primeiros seis meses do ano a Venezuela registrou redução de 41,30% nas importações de produtos do PIM (Polo Industrial de Manaus). O faturamento foi contabilizado em US$53,9 milhões. Enquanto no mesmo período de 2015 esse saldo chegou a US$91,9 milhões.
“A Venezuela está atravessando uma crise séria e por isso reduziu o volume de importação. Por outro lado, acreditamos que nos próximos meses a Argentina possa reagir e apresentar maiores volumes de importação do Amazonas. A Argentina começa a se equilibrar a partir de um novo governo e de novas medidas econômicas”, disse Lima.
O México também teve redução nas compras estrangeiras, com faturamento de US$16,2 milhões e queda de 29,07%, em comparação a igual período do último ano. Lima comenta que o governo mexicano assinou recentemente um acordo econômico complementar com o Brasil com o objetivo de incrementar as exportações e também as importações. Ele acredita que nos próximos meses o volume de compras do México aumente.
“Esperávamos um aumento nas exportações do México decorrente da assinatura do acordo complementar. A tendência é de fomento às negociações”, disse.
O gerente acredita que o segundo semestre poderá render melhores resultados para as exportações. Ele adianta que além do acordo econômico assinado pelo México, no âmbito local, o segmento de duas rodas tenha um acréscimo nos pedidos para atender ao mercado interno e também ao externo.
“Acreditamos que a partir de julho o volume de exportações cresça. O polo de duas rodas começa a receber pedidos para o segundo semestre. As motocicletas atenderão ao mercado interno e ao externo”, cita.
Outro fator que para Lima, pode desencadear um crescimento mais expressivo no volume de exportações, é a comercialização de minérios para a China, no caso, o nióbio que no Amazonas é extraído por meio do processo desenvolvido pela Mineração Taboca. No primeiro semestre, houve um crescimento de 197,8% nas exportações para a China.
“A atividade mineral no Amazonas é atrativa aos estrangeiros principalmente à China, à Alemanha e aos Estados Unidos. O nióbio é considerado um mineral raro que é encontrado em abundância no Amazonas. O interesse dos países pelo uso do minério é para a aplicação na indústria automobilística, naval e tecnologia nuclear. Acreditamos em um crescimento das exportações deste mineral”, disse.

Balança Comercial do AM

Em 2015, o Estado foi 18º exportador entre os Estados brasileiros e o quarto da região Norte, respondendo por 5,4% do total de vendas externas da região. Durante o ano passado, as exportações totalizaram U$ 772 milhões e as importações US$ 8,838 milhões, gerando um deficit de US$ 8,066 milhões.
Nesse período, 4,3% da pauta exportadora do Amazonas foi composta por produtos básicos, 93,2% por bens industrializados (manufaturados e semimanufaturados). Os principais itens exportados durante o ano foram preparação para produção de bebidas, motocicletas, facas, navalhas e tesouras, aparelhos transmissores e receptores, castanha do pará.
Os principais destinos das exportações do Estado foram Venezuela, Argentina, Colômbia, Estados Unidos, México, Paraguai e Alemanha.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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