O Amazonas exportou 77,18% a mais em abril, avançando de US$ 59.96 milhões (2009) para US$ 106.14 milhões (2010) na comparação com o mesmo mês do ano passado. As vendas externas no Estado acumulam saldo de US$ 346.86 milhões, 34,33% a mais do que no mesmo intervalo do ano passado (US$ 258.22 milhões).
Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e apontam para recuperação também em relação a 2008 –US$ 92.98 milhões em abril e US$ 342.25 milhões no acumulado–, uma base de comparação mais forte e ainda não dilapidada pela crise econômica global.
Celulares voltaram a liderar a lista de remessas ao estrangeiro em abril, com US$ 42.89 milhões (2010) contra US$ 13.83 milhões (2009), um incremento de 210,12%. Preparações para elaboração de bebidas vieram em seguida –US$ 13.58 milhões– e motocicletas de 125 cilindradas –US$ 6.77 milhões, uma queda de 13,98% em relação ao mesmo mês de 2009 (US$ 7.87 milhões). Argentina (US$ 42.93 milhões), Venezuela (US$ 10.07 milhões) e Chile (US$ 8.18 milhões) encabeçaram o ranking de clientes do Amazonas no mês passado.
Na avaliação do ex-diretor executivo da Aceam (Associação do Comércio Exterior da Amazônia) e consultor da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) para assuntos de comércio exterior, Moacyr Bittencourt, os números de abril apontam para tendência de estabilidade nas vendas externas do Estado. “Houve certo crescimento em relação a 2008, mas nada tão expressivo. O momento é positivo, dadas as dificuldades do ano passado. A região cumpriu seu papel e comprovou que a Zona Franca continua sendo um modelo econômico válido”, declarou.
“As vendas estão se recuperando e é natural que estejam bem acima de 2009. No ano passado, houve um recuo muito mais forte no mercado estrangeiro. Se há recuperação, como tudo indica, é natural que voltem a comprar”, ponderou o diretor executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota. Conforme o dirigente, a expectativa da indústria é que as vendas externas fechem o ano em um patamar de 15% a 20% superior ao registrado ao final de 2008.
Bittencourt considera que, apesar da volatilidade do dólar –que se valorizou em 6,5% na semana passada para registrar recuo de 4% ontem– o saldo do câmbio ainda é positivo para o PIM (Polo Industrial de Manaus). “Dólar baixo não é bom para exportações, mas é positivo para a produção, ao tornar os insumos mais baratos e reduzir custos industriais. Em termos econômicos e políticos, o resultado é positivo para o polo, pois torna seus produtos mais competitivos, pelo menos no mercado interno”, assinalou.
Já o diretor executivo do Cieam avalia que o câmbio ainda está alto para os exportadores e mesmo para as empresas de componentes instaladas no PIM. Mota calcula que, para o polo, a cotação de equilíbrio para operações de compra e venda no estrangeiro seria de R$ 1,90 a R$ 2. “De uma forma geral, o balanço é positivo, até porque 95% de nossas vendas ainda se concentram no mercado interno. Há problemas que poderiam inibir a demanda, como a crise da dívida grega. Mas, não creio que isso vá se espalhar para outros países, até porque a comunidade internacional está se mobilizando”, amenizou.
Modal aéreo registra alta de 189,24% na procura
O modal aéreo foi o que registrou maior procura dos exportadores do Amazonas no mês passado, com US$ 55.91 milhões (2010) contra US$ 19.33 milhões (2009), um avanço de 189,24% e saldo de US$ 153.04 milhões no ano. Já as vendas externas do Estado pelo modal marítimo aumentaram apenas 19,75% na mesma comparação, de US$ 33.06 milhões (2009) para US$ 39.59 milhões (2010). O volume comercializado pelos portos da região acumula US$ 149.63 milhões.
Isso ocorre em virtude da combinação de prazo apertado para atender à demanda da Copa e o fato de os poucos fabricantes mundiais de LCD (display de cristal líquido) terem reduzido a produção no ano passado, por conta dos efeitos da crise, e apenas recentemente terem retomado o ritmo. Para não perder terreno e cumprir prazos, o PIM optou pelo modal aéreo, apesar do custo mais elevado. O polo não contava, no entanto, que a decisão resultasse em um congestionamento no desembarque de mercadorias no Teca (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Moacyr Bittencourt, no entanto, avalia que as exportações estão sendo menos prejudicadas com a demora na liberação de mercadorias do que as importações, em virtude destas serem mais burocratizadas. “É muito mais difícil nacionalizar uma mercadoria do que embarcar o produto para o estrangeiro. Independente disso, o regime aduaneiro continua extremamente burocrático e torna nossas operações de comércio exterior mais lentas do que as de outros países.O processo continua precisa de mais velocidade”, lamentou.
“Não saberia dizer qual o resultado disso nas exportações. Sei que, de uma forma geral, o polo poderia estar vendendo mais se conseguisse produzir mais. No caso do polo eletroeletrônico, que está todo concentrado aqui, a situação é menos grave para o modelo ZFM, já que nenhuma empresa sairá prejudicada em relação a concorrentes de outros estados. O mesmo não se pode dizer de outros produtos, como os celulares, cuja concorrência não sofre os mesmos problemas em São Paulo, por exemplo”, finalizou Ronaldo Mota.













