Em vernissage ocorrida na noite de quinta-feira (7), no restaurante Caxiri (rua 10 de Julho, 495, próximo ao Largo de São Sebastião) o público pode conhecer os trabalhos de cinco artistas visuais mulheres: Andréia da Silva, Gisele Riker, Hadna Abreu, Mia Montreal, Rakel Caminha e a chef Débora Shornik, que além de literalmente fazer arte ainda assina o cardápio do Caxiri. Sob a curadoria de Hadna Abreu, da Manart Galeria, a exposição é denominada ‘Mulher-folha’ e deve permanecer nos espaços do restaurante até março.
“A exposição surgiu em um momento singular da Manart Galeria. Veio trazendo transformações de fora para dentro e de dentro para fora. Afinal, essa é a nossa primeira experiência externa que, com muito empenho, marca nossa estréia nesse espaço de referência na gastronomia, o fabuloso Caxiri Manaus”, falou Anna Lôyde, gestora da Manart Galeria.
As obras das seis mulheres estão espalhadas por todas as paredes do Caxiri, desde a escadaria, na entrada, até os dois salões onde ficam dispostas as mesas do restaurante muito bem localizado num casarão secular, ao lado do Teatro Amazonas e nas proximidades da igreja de São Sebastião. Entrar no casarão é voltar ao início do século 20, nos tempos áureos da economia e do comércio da borracha, tudo isso enriquecido com o visual das diversas formas de artes das seis ‘mulheres-folhas’, que abordam a Amazônia como uma entidade viva, explorando linguagens, técnicas, vivências e poéticas únicas.
“Seis olhares femininos que atravessam os sentimentos, as sensações e o entendimento de ver, tocar e imaginar uma folha pairando ao centro da floresta. As obras se comunicam como objetos que se conectam com o espaço e interagem com aqueles que as observam, através de experimentações sensoriais para além de suas ‘paredes’. Uma série de obras/instalações que apresentam a visão feminina enquanto floresta”, explicou Hadna.

Chef e cozinheira
“Essa exposição é fruto do olhar sensível destas artistas que muito se dedicaram para a produção de obras que dialogam com nosso espaço e olhar para a floresta amazônica. As obras destacam a delicadeza da floresta e o cotidiano feminino, um extraordinário convite para imergir no universo de possibilidades entre folhas, cores, sabores e arte”, disse Débora Shornik que, além de chef do Caxiri, é uma das proprietárias do restaurante junto com o mecenas Ruy Carlos Tone.
Débora, assim como Ruy, são paulistas. Além do Caxiri, ela também assina os cardápios do flutuante Flor do Luar e do hotel Mirante do Gavião, em Novo Airão. Há dez anos em Manaus, ela se tornou especialista em saberes e sabores amazônicos.
“Nesse território, desconstruí minha dólmã e me vesti da cozinheira que eu sou. Ser cozinheira é o reflexo de mim, o que me deixa mais confortável para existir, mais próxima das mulheres que me inspiram: as artesãs dos alimentos, das curas, dos fogos, das ervas, das pancs, das técnicas ancestrais”, revelou.
Na exposição, Débora apresenta fotos de vários pratos criados por ela, alguns com ingredientes bem nossos conhecidos como a castanha, o jambu, a pimenta de cheiro, o coentro, o feijão de metro, a macaxeira, a banana pacovã, a farinha; outros, bem menos, como a panc ora-pro-nobis, o tucupi preto, o puxuri, a manteiga de tucupi, os cogumelos yanomami, a pimenta jiquitaia e a vitória régia.
As cinco artistas

Hadna Abreu é ilustradora e arte educadora. Com seus traços finos e cores claras, Hadna já foi matéria do Jornal do Commercio com a exposição ‘Linhas do tempo’, onde retratava velhinhos e velhinhas em várias situações. Agora ela apresenta cogumelos: “um entrelaçado fúngico, micélios, que agarrados em galhos, raízes, folhas e terra, trabalham incansavelmente para a manutenção e renovação da vida na floresta”.
Com certeza, a arte mais exótica da exposição, é a da professora Andréia da Silva, especialista em genética humana. Ela borda palavras em folhas secas, dispostas artisticamente: “em 2019, descobri a técnica do bordado livre e comecei a bordar imagens de mulheres”.
A paraense Gisele Riker, mestra em artes visuais, faz pintura digital produzindo figuras abstratas e multicoloridas: “a Amazônia me encanta se tornando fonte de inspiração para uma produção instaurada pela linguagem da fotografia num processo criativo híbrido com o universo digital”.
Mia Montreal é grafiteira, por isso seu principal objeto de trabalho é o spray. Retrata mulheres caboclas e indígenas, sobressaindo o vermelho: “minha sombra é a arte. Ela entra como água que irriga, o Sol que ilumina, a terra que sustenta e cores que se renovam”.
Rakel Caminha é publicitária e fotógrafa. De imediato suas fotos, manipuladas digitalmente, lembram o surrealismo dos quadros de Salvador Dali, e surreais são suas palavras: “uma artista de pés descalços, mas que sonha, flutuando entre céu e rio”.
‘Mulher-folha’ está aberta de terça-feira a domingo, das 11h30 às 15h, e das 19h às 22h e todas as obras estão disponíveis para compra no site: www.manartgaleria.com/collections/exposicao-mulher-folha







