Fábricas denunciam prejuízos com greve

Em: 28 de fevereiro de 2014
Linhas de produção de várias empresas chegaram a ficar paradas por falta de insumos
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Linhas de produção de várias empresas chegaram a ficar paradas por falta de insumos

A greve na Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) segue causando prejuízos às empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus). A morosidade com que a Suframa vem trabalhando após o início da paralisação, a falta da perspectiva para o fim da greve e o adiamento da reunião do CAS (Conselho Administrativo da Suframa) vêm causando transtorno às fábricas que denunciam atrasos na produção e chegaram a ter linhas paralisadas nos últimos dias.
O gerente de controle interno da Hitachi Ar-Condicionado, Jorge Gushiken, conta que a empresa esta tendo problemas com procedimentos de básicos relacionados a autarquia, como o acompanhamento de projetos, emissão ou ratificação de CRO (Contador de Reinício de Operação), dúvidas quanto a documentações. “Principalmente ligada à entrada de insumos, a importação. Às vezes é feito algo errôneo, falta atualização no sistema da Suframa e nós temos um profissional para tirar nossas dúvidas e verificar o que vem sendo feito”, conta
O resultado, segundo Jorge Gushiken, é de queda na produção da empresa, que teve que fazer uma readequação de linhas de produção durante esse período. “Identificamos atraso e queda na produção, e com a falta de backup junto a Suframa vemos atraso na liberação de mercadorias e impactando a produção e o caixa da empresa. Readequamos as linhas, mas houve momentos em que elas ficaram paradas, sim”, lamenta.
Apesar dos percalços, Jorge diz apoiar e entender a greve dos servidores, mas lembra que a Suframa já vinha apresentando problemas de pessoal desde o ano passado e questiona a falta de apoio do governo federal. “A greve vem impactando e muito. Mas a Suframa já vinha desde 2013 com problemas de pessoal e nos já vínhamos sentindo isso. Essa greve impacta ainda mais nas empresas, prejudicando muito. Falta o apoio do governo federal e da presidente Dilma para resolver a questão”, reclama.
A chefe fiscal da Yamaha Motor da Amazônia, Joyce Nunes, afirma que a empresa esta tendo problemas na liberação de laudos feito pela autarquia e afirma que os 30% de funcionários que continuam a atividade não são suficientes para as necessidades do polo. “É um volume muito grande de processos, de liberação de mercadoria. Hoje para funcionar com incentivos tem que ter os laudos. Não posso produzir sem eles. A partir do momento que não tenho os técnicos para fazer os laudos fico prejudicado na minha venda. Para cada novo produto é um laudo”
Joyce lembra que o Polo de Duas Rodas já vem em um mau momento desde 2012 e que essas situações dificultam ainda mais o momento vivido pelas empresas. “É um prejuízo significante em valores. O polo de duas rodas já anda mal. Sofremos uma queda e a partir do momento que não vende já esta comprometendo”, lembra.

Adiamento do CAS
Segundo Jorge Gushiken, além dos problemas enfrentados a demora para se realizar a reunião do CAS também vem impactando na empresa que possui uma atualização de projeto em pauta para a reunião. “Estamos com uma atualização de projeto que estava na pauta e infelizmente foi postergado. Hoje a Suframa trabalha em um sistema padrão com 30% do efetivo e isso da morosidade nos processos. A atualização de projeto é necessária para a fabricação dos ares-condicionados da Hitachi e estão prejudicados”.
O gerente Sênior da empresa inglesa, PricewaterhouseCoopers, Rodrigo Anegues, que participava de seminário de atualização tributária no Tropical Hotel, também comentou sobre a visão dos empresários estrangeiros quanto a insegurança jurídica vivida no Polo. O consultor defendeu a manutenção dos incentivos, mas afirmou que a situação é vista com preocupação pelas empresas estrangeiras. “A continuidade dessa política de incentivo é acompanhada com preocupação pelos investidores lá fora. Mas o Brasil tem passado essa visão de que os incentivos serão mantidos nessas regiões. Mesmo com a mudança política”, afirma.

MP 627/2013
Os empresários discutiram as mudanças na MP 627/2013, que atualizou o sistema tributário brasileiro e passou a entrar em vigor em janeiro de 2014. Com obrigatoriedade para janeiro de 2015. O gerente sênior da PwC, Edno Maia, explica que as medidas tinham uma forma de tributação que já vinha a 12 anos sem modificações e a MP modificou substancialmente o Imposto de Renda e extinguiu o regime tributário de transição.
“A medida provisória é a matriz dessas mudanças. Entre elas esta a nova forma de se calcular o ágio das empresas que requer uma forma diferente requerendo laudo de um perito específico. O que tem de relevante é que as empresas que optam por aderir a MP agora podem ter benefício quanto ao dividendo e juros de capital próprio. Se optarem por 2015 tem que voltar os últimos 5 anos, analisar o valor societário e ver como vai ficar”, conta.
Para o gerente de controle interno da Hitachi Ar-Condicionado, Jorge Gushiken, o governo está buscando apertar o cerco para não faltar arrecadação. “Tem alguns pontos que estão sendo muito rígidos e onerosos com as empresas que tem que estar realmente cientes para não haver falhas. Por isso seminários como esses são sempre bem vindos”, destaca.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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