As fábricas de eletroeletrônicos do PIM (Pólo Industrial de Manaus) estão com os dedos cruzados para que os reflexos da crise econômica global no Amazonas não comprometam significativamente os resultados de 2009. De antemão, as empresas esperam um primeiro trimestre difícil e recuperação só a partir de abril.
Em comunicado divulgado por seu site na internet, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) projeta expansão de 7% para o segmento em 2009, apesar das dificuldades previstas para os primeiros meses do ano. A previsão se baseia na evolução do mercado interno, que responde hoje por mais de 80% dos negócios das empresas e absorve amais de 90% do que é produzido em Manaus.
O Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), por outro lado, mantém expectativas mais conservadoras em relação ao desempenho da produção e das vendas nos próximos meses, mas prefere não antecipar números e aguardar a evolução do mercado.
“É muito difícil prever como será 2009 diante das atuais incertezas. O primeiro trimestre não será fácil, mas devemos sentir melhoras a partir do segundo trimestre. Não acredito em crescimento acentuado, mas posso estar errado e nossa atividade crescer acima das expectativas”, ponderou o presidente do Sinaees, Wilson Périco.
Embora considere importantes as recentes medidas do governo para incentivar o consumo, assim como o estabelecimento de novos PPBs (Processos Produtivos Básicos), o dirigente avaliou que talvez sejam necessárias novas iniciativas para assegurar a atividade do PIM.
Ele sugere, por exemplo, a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na entrada de insumos e produtos acabados, além de redução na alíquota do PIS/Cofins.
Setor obtém o segundo maior faturamento do PIM
Nos dez primeiros meses de 2008, de acordo com a estatística mais recente fornecida pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o faturamento do pólo com a venda de eletroeletrônicos e bens de informática saltou de US$ 9.65 bilhões (2007) para US$ 11.44 bilhões (2008), deixando um saldo positivo de 18,54%.
Em outubro, quando os efeitos da crise econômica global já estavam sendo sentidos nos países desenvolvidos, a manufatura eletroeletrônica da capital amazonense experimentou uma leve retração de 3,79% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, com US$ 1.27 bilhão (2008) contra US$ 1.32 bilhão (2007).
Tradicionalmente marcado pelo aumento da atividade da indústria para atender às festas de fim de ano, o mês registrou incrementos significativos na produção de artigos com maior tecnologia incorporada, a exemplo das TVs com telas de LCD (267,81%) e de plasma (275,57%), receptores de sinais de TV (27,26%) e celulares (35,85%). O número de empregos chegou a 42.809, 1,66% a mais do que em 2007 (42.111). De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, o segmento perdeu em torno de 1,4 mil empregos apenas em novembro.
Bom desempenho
“Os resultados de 2008 foram muito positivos e o faturamento deve atingir as metas traçadas pela Suframa. A geração de empregos também esteve bem durante todo o ano, mas não deve apresentar crescimento por conta do desaquecimento de alguns segmentos”, avaliou.
Câmbio dá fôlego ao produto nacional
Wilson Périco destacou que, ao desequilibrar o câmbio em favor do dólar, a atual crise deu fôlego ao segmento que vinha perdendo a batalha contra a invasão dos importados ao longo do ano. A moeda norte-americana fechou a R$ 2,36 em 26 de dezembro, segundo o Banco Central. A cotação é 43,90% superior à registrada no começo de setembro (R$ 1,64), mês em que a crise se instalou nos mercados centrais do planeta.
“A diferença é mais sentida em artigos de menor tamanho, como aparelhos de áudio e tocadores de DVD, entre outros. A alta do dólar pode favorecer o produto nacional pois torna os importados mais caros e menos atraentes, mas tudo vai depender também do animo da sociedade em consumir”, ressaltou.
Produtos acabados
A disparada do câmbio não impediu a alta da importação de produtos acabados. Os dados mais recentes da Abinee informam que as compras da indústria pela rubrica “utilidades domésticas” em outubro foram 22,4% superiores ao mesmo período do ano passado, com US$ 205.9 milhões (2008) contra US$ 168.2 milhões. O saldo do acumulado dos dez primeiros meses de 2008 é de US$ 1.78 bilhão, 32,4% a mais do que em 2007 (US$ 1.35 bilhão). (MD)






