Expansão vai depender de crédito

Em: 2 de janeiro de 2009
Em um primeiro momento, a previsão da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ci­clo­motores, Motonetas, Bicicletas e Similares) para este começo de ano é que se repitam as vendas de 2007
Em um primeiro momento, a previsão da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ci­clo­motores, Motonetas, Bicicletas e Similares) para este começo de ano é que se repitam as vendas de 2007

Depois de colher resultados expressivos entre janeiro e setembro de 2008, tendo sofrido desaceleração a partir de outubro, com o estouro da crise, o segmento de duas rodas do PIM (Pólo Industrial de Manaus) trabalha agora com um cenário de indefinição para este primeiro trimestre de 2009.
Em um primeiro momento, a previsão da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ci­clo­motores, Motonetas, Bicicletas e Similares) para este começo de ano é que se repitam as vendas de 2007, período em que a produção bateu 436.535 veículos e as vendas, 396.518, entre mercado interno e externo. Tudo vai depender, destacou a entidade, do retorno ao crédito para financiamentos, hipótese que poderia levar os números ao mesmo patamar de 2008.
De janeiro a novembro de 2008, de acordo com os dados mais recentes da Abraciclo, a produção da indústria de motocicletas avançou 21,6%, passando de 1.649.123 (2007) para 2.004.815 (2008). Já o número do comparativo de novembro com o mês anterior foi bem mais modesto: 6,2% de incremento. As projeções da associação davam conta que a manufatura chegaria a 2.115.000 veículos produzidos ao final de dezembro, volume 22% superior ao de 2007.

Freio nas vendas

O pé no freio das vendas foi mais sentido na faixa de motocicletas de até 150 cilindradas, justamente o segmento que mais acelerou na primeira metade de 2008 com o combustível do crédito fácil nas concessionárias. É também o segmento mais vulnerável à queda de produção, a partir de um eventual acirramento da crise financeira.

Medidas temporárias

A cautela na expectativa da Abraciclo para a resposta do mercado nos três primeiros meses de 2009 já leva em conta a injeção de gás concedida pelo governo do Estado ao isentar de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) as motocicletas zero adquiridas neste ano.
“As medidas são acertadas e muito bem recebidas pelo setor, mas são temporárias. As indústrias do setor não estão medindo esforços para manter a mão-de-obra, mas o pacote preparado pelo governador Eduardo Braga só deverá ajudar a segurar os empregos até o prazo acordado”, declarou o presidente da Abraciclo, Paulo Shuiti Takeuchi.

Redução de tributos

Na avaliação do dirigente, uma medida que contribuiria para desafogar as empresas melhorar a saúde do pólo de duas rodas do PIM seria a redução da alíquota de PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição pa­ra o Financiamento da Seguridade Social), que hoje é de 3,65%.

Abraciclo espera mais investimentos

Apesar da desaceleração de mercado dos últimos meses, o presidente da Abraciclo destacou não acreditar que o setor venha a viver retração de investimentos em 2009. A cidade aguarda a abertura de pelo menos dez montadoras na capital amazonense que já tiveram projeto aprovado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas).
Os dois últimos anos foram de investimentos pesados para o setor. De janeiro a outubro de 2008, segundo a estatística mais recente da Suframa, as indústrias aplicaram US$ 1.79 bilhão no aumento da capacidade de produção do pólo, 40,94% mais do que em todo o ano de 2007 (US$ 1.27 bilhão).
“O mercado brasileiro de motocicletas é promissor e tem muito potencial para as empresas. Portanto, acredito que a situação atual não inibirá a entrada de novas empresas do setor, nem o surgimento de novos investimentos”, finalizou Paulo Shuiti Takeuchi.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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