Falta de profissionais afeta turismo

Em: 1 de setembro de 2011
A falta de profissiona­lização é um dos principais gargalos para incrementar o turismo no Amazonas
A falta de profissiona­lização é um dos principais gargalos para incrementar o turismo no Amazonas

A falta de profissiona­lização é um dos principais gargalos para incrementar o turismo no Amazonas. Segundo consultores do segmento, grandes redes hoteleiras que começam a se instalar em Manaus são obrigadas a importar profissionais de outros Estados e até do exterior porque o mercado local não dispõe de pessoal mais qualificado para atender à demanda de serviços especializados, voltados em especial para turistas norte-americanos, europeus e japoneses.
Responsável pelo setor de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-AM), o consultor Fábio de Souza afirma que o Ceasar Parker é hoje o único hotel de primeiro escalão, dos dez que se instalaram recentemente na capital, a ter um amazonense na gerência geral, o “badaladíssimo” e nacionalmente conhecido Mário Pio.
“A rotatividade de funcionários na rede hoteleira local é alta porque não existe pessoal qualificado que se enquadre no perfil exigido pelas grandes empresas que começam a explorar o segmento no Amazonas”, afirma o consultor Fábio de Souza. “E nesse contexto se enquadra Mário Pio, que reúne qualificação e know how à altura de profissionais dos grandes centros consumidores”, acrescenta o consultor.
Redes como Accor e Atlântica, que fazem parte do topo da pirâmide do segmento de hotelaria do mercado, importam pessoal qualificado de outras regiões para trabalhar em Manaus. Apesar de existirem hoje cinco faculdades de turismo em Manaus, os recém graduados e até os com cursos de pós-graduação não atendem às exigências das empresas.
Com o incremento de um setor que movimenta pelo menos R$ 4 bilhões por ano no Brasil, a rede hoteleira investe cada vez mais na profissionalização, passando a exigir certificação dos profissionais. Em geral, são selecionadas as pessoas com formação de nível superior e que falem pelo menos dois ou três idiomas. “Normalmente, as empresas não encontram o profissional com o perfil exigido pelo mercado de primeira linha”, diz o consultor Fábio de Souza.
E os investimentos das empresas de turismo devem ter um aumento de cerca de 50% com a aproximação da realização da Copa do Mundo de 2014. De olho no incremento do mercado local, o Sebrae já tem como foco três estratégias para o mundial que será realizado daqui a três anos e que tem como uma das subsedes Manaus, segundo o consultor Fábio de Souza.
Ele disse que as estratégias do Sebrae-AM consistem na formação de mão de obra qualificada para o turismo, produção associada com o comércio, construção civil e agronegócios. “A iniciativa tem como objetivo promover a profissionalização e, com certeza, deixará um legado positivo de pessoal mais qualificado após a Copa”, disse ele.
Só para a formação de mão de obra qualificada, o Sebrae-AM prevê investimentos de aproximadamente R$ 3 milhões até a Copa do Mundo, quando aqui devem desembarcar pelo menos um milhão de turistas para assistir aos jogos das seleções, segundo estimativas da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).
Fábio de Souza aponta as condições precárias do transporte aéreo como um dos grandes gargalos para incrementar o turismo no Amazonas. Segundo ele, é necessário aumentar o número de voos das companhias aéreas com destino ao Amazonas, melhorar a operacionalização de chek-ins, além de oferecer uma melhor infraestrutura de transporte tanto na capital do Estado como nos municípios do interior do Amazonas. “O setor turístico ainda tem um perfil muito artesanal e só a profissionalização do segmento poderá incrementar os negócios no Amazonas”, reafirma o consultor.

Balanço do setor

Segundo a presidente da Amazonastur, Oreni Braga, o setor de turismo deve receber investimentos de pelo menos R$ 250 milhões até a Copa 2014. Ela disse que hoje o Estado já conta com uma nova rede de 21 hotéis com infraestrutura necessária para atender às necessidades de qualquer perfil de turistas, principalmente os estrangeiros, que são mais exigentes.
De acordo com Oreni Braga, os novos hotéis representam um investimento de mais de R$ 300 milhões e oferecem 3.600 novos leitos. “O turismo é transversal. Precisamos urgentemente melhorar as condições de transporte, principalmente do aeroporto e do porto de Manaus, para atrair mais turistas ao Estado”, afirmou a presidente da Amazonastur.

Infraestrutura precária no interior do Estado atrai apenas os chamados mochileiros

Além de uma infraestrutura logística de transporte eficaz para receber os turistas, o Amazonas precisa também melhorar as condições dos municípios do interior do Estado, onde praticamente não existem médicos e outros profissionais de saúde para garantir um atendimento de emergência e ambulatorial à população.
Todos esses gargalos emperram o incremento das atividades turísticas no Amazonas, segundo o consultor e economista Assis Mourão, considerado um estudioso do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) há mais de 30 anos. Ele alerta que deve ser construído, no mínimo, um hospital de excelência em cada município com potencial de exploração do turismo para atender aos visitantes.
Segundo Assis Mourão, recentemente um grupo de mil turistas indianos que se hospedou no hotel de selva Ariaú Amazon Towers, localizado a 48 quilômetros de Manaus na floresta amazônica, trouxe até água mineral para o consumo. “Daí pode-se imaginar que os visitantes não confiam mesmo na qualidade da água que consumimos e imagem no atendimento à saúde”, afirmou o consultor. “Se um turista precisar de um atendimento de emergência corre risco de morrer no interior porque não dispomos de profissionais, nem de helicópteros para o socorro imediato”, acrescentou o consultor.
Segundo ele, o empresário Rita Bernardino, proprietário do Ariaú Amazon Toweres, oferece hoje uma boa infraestrutura aos turistas porque, em suas viagens pelo exterior, vem acompanhando a evolução do setor em todo o mundo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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