Falta tradição à Black Friday brasileira

Em: 2 de dezembro de 2013
Lideranças locais também apontam falta de organização e comprometimento das empresas
Lideranças locais também apontam falta de organização e comprometimento das empresas

Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, onde o Black Friday leva centenas de milhares de consumidores às lojas físicas e eletrônicas, aqui no Brasil o maior evento de descontos do comércio varejista, que aconteceu na última sexta-feira (29), não tem a mesma força. De acordo com o assessor de economia da Fecomércio, José Fernando Pereira, a tradição é o que faz a diferença neste tipo de ação. Enquanto a versão brasileira da liquidação acontece há apenas três anos, na América o “bota-fora” já é realizado há mais de um século.
Nos EUA, a Federação Nacional do Varejo (NRF, na sigla em inglês) espera que as vendas do setor avancem 4% durante os últimos dois meses do ano, para US$ 602 bilhões. No ano passado, houve alta de 3,5%. Enquanto isso, no Brasil a expectativa de faturamento do Black Friday é bem mais modesto. De acordo com o portal Busca Descontos, empresa que organiza o evento, a previsão de vendas para esta edição é de “apenas” R$ 340 milhões, com um total de 850 mil pedidos, o que representa crescimento de 60% em relação a 2012.
O desempenho relativamente fraco não se deve à alta carga tributária brasileira, nem aos problemas com logística e estoques. De acordo com José Fernando, os impostos são pagos durante todo o ano e não inviabilizam a realização de promoções. “O comércio apenas reduz a sua margem de lucro. A carga tributária aqui no Brasil é uma das maiores do mundo. Mas não é um dia que vai reduzir os encargos tributários”, explicou.

Comércio

Já o presidente da CDLM, Ralph Assayag, além da falta de tradição brasileira, aponta a desorganização como um dos pontos negativos. Assayag lembra, contudo, que a exemplo do Brasil, nos EUA a promoção também começou pequena, mas que foi crescendo com o passar dos anos.
“Ninguém teve vontade de fazer como deve ser feito. Aqui não tem um fator forte que possa atrair os consumidores. Lá nos EUA isso não acontece há pouco tempo. Lá esta tradição começou pequena há cem anos e foi uma maneira de incrementar as vendas que estavam fracas. De lá para cá isso foi crescendo e hoje tem o resultado que tem. No Brasil ainda não foi feito nada organizadamente”, disse.
De fato, algumas lojas participantes do Black Friday tiveram seus próprios recordes de reclamações batidos na última sexta-feira. Problemas como descontos maquiados, falsas ofertas e sites fora do ar foram as principais queixas dos consumidores. A desconfiança dos consumidores é tão grande que no Brasil o evento já ganhou o apelido de “Black Fraude” e o slogan “tudo pela metade do dobro do preço”. Para Ralph Assayag, essa falta de comprometimento dos estabelecimentos comerciais com o consumidor coloca em risco o futuro da iniciativa aqui no país.
“Se o comércio sentir que não há necessidade e continuar desse jeito, ninguém pegar como posicionamento, ninguém pegar com vontade de fazer acontecer, vai permanecer do jeito que está”, finalizou.

Consumidores denunciam fraudes

Consumidores apontaram problemas e golpes na edição deste ano da Black Friday, que começou à 0h de sexta-feira. O site de “Reclame Aqui’ diz que as três empresas que lideram a lista de queixas acumularam mais reclamações em apenas seis horas de Black Friday do que ao longo de todo o ano.
A lista pode ser acessada no endereço http://blog.reclameaqui.com.br/. Tanto no Reclame Aqui quanto nas redes sociais, é longa a lista de apelidos que o evento recebeu (“Black Fraude”, “Black Fria”, “Friday Fiasco), sempre fazendo alusão à “maquiagem” de preço.
No site de reclamações, internautas denunciam lojas que aumentaram os preços dos produtos para, ao aplicar um desconto durante a Black Friday, este parecer maior, a chamada “maquiagem”, golpe amplamente denunciado na edição do ano passado.
Em uma das reclamações, o consumidor diz que acompanhou o preço de uma impressora ao longo da semana e que, ao procurá-lo hoje, o preço havia sido inflado e, depois, dado um desconto. “Black Friday Superfaturada”, diz ele.
Lojas de produtos de beleza também estão sendo denunciadas. Consumidores que checaram os preços na quinta-feira, momentos antes da Black Friday, dizem que os itens tiveram seus preços elevados e, depois, receberam um desconto.
Outros consumidores reclamam de falhas no sistema de cobrança das lojas do e-commerce, que, por exemplo, não inclui o desconto anunciado no preço final do produto assim que o consumidor finaliza a compra. Lentidão e sites “fora do ar” também estão entre os problemas apontados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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