Faltam profissionais no mercado da beleza

Em: 22 de fevereiro de 2022

Os salões de beleza estão entre os segmentos que precisaram seguir com as atividades suspensas em função dos decretos. Após o período de sinal vermelho em razão da pandemia, os negócios, que começaram a ganhar fôlego, enfrentam um outro viés, a atividade tem sido impactada pela falta de mão de obra em todo país. 

Um comparativo de 2021 e 2019, realizado pela ABSB (Associação Brasileira dos Salões de Beleza) evidencia que o atendimento em domicílio é o grande responsável pela defasagem de cerca de 52% dos profissionais que atuam em salões. Para 66% dos empreendedores entrevistados, houve uma redução no número de pessoas que atuam nos salões de beleza em relação a 2019.

Diferente do fator atendimento em domicílio citado no estudo,  Antonia Moura, presidente do Sindicato dos Salões de Barbeiros e Cabeleireiros de Manaus, afirma que o mercado local também passa pela mesma dificuldade. Mas, conforme a representante da entidade, a escassez de profissionais está relacionada a uma junção de fatores. “Além desse aspecto, outros elementos também são responsáveis por esse cenário. Muitos profissionais da área estão saindo de Manaus para trabalhar em outros Estados. A questão econômica também impulsionou esse movimento, a falta de segurança e o próprio custo de vida”.

Além desses motivos, a presidente do Sindicato informou ainda que muitos espaços reduziram a equipe. Alguns locais que tinham 15 funcionários precisaram diminuir para 7. Outra questão é que ao menos 5% dos estabelecimentos que atuam no mercado local fecharam as portas. “Temos ainda aquele profissional que atua em vários locais em horários distintos. Isso tudo reflete na ausência de mão de obra”, disse. 

Sem citar números,  Antônia afirma que o Sindicato tem informações através dos grupos e de grande procura no Sindicato por estes profissionais. “Temos também muitos donos de salão e profissionais que estão buscando serviços em outros Estados do Brasil e fora”. 

De acordo com o presidente da ABSB, José Augusto Nascimento,  a reposição de mão de obra é um problema que deve ser acompanhado de perto pela associação. “Isso é ruim para a economia, para o salão e para o profissional, que fica desassistido. Não é bom também para quem recebe o atendimento domiciliar, porque ele deixa de contar com a segurança adequada. O salão de beleza é um local seguro, é onde o cliente tem experiências inovadoras, onde há uma fiscalização efetiva, tanto da prefeitura quanto dos sindicatos”, reforça.

A coordenadora nacional de Beleza e Cosméticos do Sebrae, Andrezza Cintra Torres, destaca que vários aspectos podem ajudar a reter esse funcionário na empresa, como a garantia do cumprimento de medidas de segurança sanitárias adequadas, a facilidade de gestão e até mesmo o posicionamento da marca. “O espaço de embelezamento e bem-estar precisa cuidar dessa gestão: o agendamento, a gestão financeira e tributária, o estoque, manutenção e atualização de equipamentos. Esses são serviços essenciais e muito importantes para o profissional e que ele não tem quando está atuando de maneira independente. Ele fica sobrecarregado com outras questões relativas à sua atividade e o espaço do salão de beleza, barbearia, estética faz isso muito bem. Temos aí um poder de atratividade por meio desse serviço que é prestado e em outros aspectos, como o clima de trabalho, a sensação de pertencimento, de time, de equipe. Além disso, ao atuar no salão, o profissional usufrui do bom nome da empresa, um nome que seja reconhecido pelos clientes e tenha um bom posicionamento de marca”, argumenta Torres.

Faturamento em baixa

Os donos de salões de beleza também amargaram uma redução no faturamento nos últimos dois anos. Em dezembro de 2021, um total de 20% dos empresários faturou 30% a menos do que no mesmo período de 2019; enquanto outros 18% registraram números 40% menores quando comparados à fase pré-pandemia.

Já o faturamento integral de 2021 também obteve um resultado abaixo do registrado em 2019, segundo o levantamento da ABSB: 21% dos pesquisados tiveram 30% de diminuição nesse índice; e, para 35% dos entrevistados, a queda foi ainda pior, de 40%.

Procura por período

A presidente do Sindicato dos Salões de Barbeiros e Cabeleireiros de Manaus informou que o segmento considera três períodos que mede o termômetro do movimento nos salões. “É uma tradição. De janeiro a abril a procura é mais fraca e tem retração de 50%. Em relação ao segundo semestre do ano, o movimento é considerado bom, no fim de ano,  é o período que representa maior procura”. 

Conforme ela, a Associação Nacional que representa o segmento conseguiu unir os presidentes dos Sindicatos em todo Brasil e criaram o patronal e o laboral que devem rever a situação do mercado.  

O Jornal do Commercio entrou em contato com alguns salões que estão com a escassez de profissionais, porém até o fechamento desta edição não obtivemos resposta.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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