Farmácias normalizam estoques no Amazonas, diz Sindidrogas-AM

Em: 4 de novembro de 2022

Após enfrentarem dificuldades acerca da escassez de medicamentos em razão de vários fatores, o Sindidrogas-AM (Sindicato do Comércio Varejista de Drogas do Amazonas), informou que as farmácias no Amazonas normalizaram os seus estoques e começaram a dar sinais de normalidade.

“O estado já conseguiu, no geral, normalizar o seu nível de estoque de produtos, entrando na normalidade. Tivemos alguns obstáculos desde junho. Alguns estabelecimentos tiveram os estoques encerrados. E mesmo realizando pedidos às distribuidoras que operam em Manaus não conseguiam suprir as necessidades, pois os medicamentos associados às síndromes gripais tiveram grande demanda em todo país”, informou Alarico Rodrigues de Araújo, presidente do Sindidrogas.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, também trouxe prejuízos para a indústria farmacêutica porque depende de matéria-prima oriunda de países como a China e a Índia. “Com isso, a logística internacional tendo o espaço aéreo limitado impactou o aumento no valor do frete e ocasionou atrasos na entrega. Além das incertezas do mercado, o setor também foi pressionado pela indisponibilidade de insumos para suas produções”, disse o presidente, ressaltando que agora o segmento está mais equilibrado e com um panorama favorável com controle dos seus estoques.  

Procurados pela reportagem do Jornal do Commercio, os estabelecimentos  reiteram que os seus estoques estão dentro do ideal sem sinais de escassez. “No período entre junho e meados de setembro, realmente, as farmácias sentiram esse impacto. Hoje a situação está bem diferente com a disponibilidade de produtos”, afirmou o gerente de uma drogaria na capital, Emerson Lima. 

O grupo Tapajós, que representa as redes de drogarias do grupo, Santo Remédio, FarmaBem e Flexfarma, também comunicou que não há nenhum impacto da falta de medicamentos nas respectivas redes.  

De acordo com o Sindidrogras-AM, no mês de dezembro, tradicionalmente, as farmácias abastecem o estoque de medicamentos em volume superior aos meses anteriores por conta da pausa no final de ano na produção dos laboratórios fabricantes das drogas. 

É importante lembrar que dezembro e janeiro aumentam a demanda por medicamentos associados à síndrome gripal. Em janeiro deste ano, o surto de gripe aumentou expressivamente a procura por antigripais, analgésicos e antitérmicos, além de medicamentos como xaropes e vitaminas, ocasionando a falta desses produtos em farmácias, na capital.

Levantamento

Sondagem de julho a setembro do CFF (Conselho Federal de Farmácia) apontou a falta de medicamentos em várias das regiões do Brasil, problema que se arrasta desde o início do ano, nas farmácias públicas e privadas.  De acordo com a pesquisa, a maior dificuldade foi encontrar antibióticos. Em seguida, entram na lista, os mucolíticos para o tratamento de muco, antialérgicos e analgésicos.

Por meio de um questionário contendo 21 perguntas para preenchimento voluntário por farmacêuticos de todo o país, 683 estabelecimentos participaram do levantamento. 

Embora o diretor secretário-geral do CFF, Gustavo Pires, responsável pelo levantamento, sinalize que a escassez de medicamentos se mantém até hoje, no Amazonas, o cenário começa a dar sinais de normalidade. 

Segundo Gustavo Pires, que coordenou a pesquisa, a escassez de alguns medicamentos no país ainda é um dos reflexos da pandemia do Covid-19. Já que a indústria não conseguiu colocar em dia a produção dos fármacos e que por isso, mantém-se o déficit de importação de algumas matérias primas essenciais para a fabricação dos medicamentos. A dificuldade maior é que o Brasil é totalmente dependente desses recursos que vêm de fora.

Para ele, a solução do problema passa pelo incremento da produção nacional, tanto da matéria-prima, quanto dos medicamentos; alternativas para o melhor planejamento de compras no serviço público, visando à manutenção dos estoques; e estratégias para um monitoramento mais eficiente dos estoques de medicamentos.

Entre as 683 respostas obtidas, 671 relataram enfrentar o problema de desabastecimento de medicamentos onde atuam, o que representa 98,2%.

Entre os 671 relatos de desabastecimento de medicamentos, foram destacadas as seguintes classes de medicamentos:  Antimicrobianos: 638 relatos (95,1%);  Mucolíticos: 545 relatos (81,2%); Anti-histamínicos: 510 relatos (76%); Analgésicos: 470 relatos (70%); Outras classes: 437 relatos (65,1%). 

Fatores responsáveis

Os principais motivos apontados para o desabastecimento, sendo possível indicar mais de um, foram:  Escassez de mercado, com 86,6% das respostas;  Alta demanda não esperada, com 43,1% das respostas;  Falha do fornecedor, com 38,6% das respostas;  Preço alto impraticável, com 27,6% das respostas;  Fatores como a guerra, COVID-19, falta de matéria-prima, que não atingiram 1% das respostas.

As informações coletadas corroboram os relatos de desabastecimento de medicamentos nas farmácias do Brasil, tanto no setor público como no privado. Entre os medicamentos em falta, destacaram-se os antimicrobianos, os mucolíticos e os anti-histamínicos. A escassez de medicamentos usados no tratamento de infecções respiratórias (amoxicilina, acetilcisteína, ambroxol, dipirona) coincidiu com o período do inverno, causando transtorno aos pacientes e aos profissionais da saúde. Apesar do esforço de farmacêuticos e instituições para minimizar o problema, a maior parte dos profissionais relatou não encontrar alternativas e, em alguns casos, não foi possível evitar algum dano ao paciente.

Por Andreia Leite

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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