Como era esperado, houve retração no desempenho do PIM em 2012. O recuo ficou em -9,02%, na comparação com o ano anterior, de acordo com dados dos Indicadores de Desempenho do Pólo Industrial de Manaus, divulgado ontem pela Suframa.
As indústrias incentivadas instaladas no PIM fecharam o ano com faturamento de US$ 37,52 bilhões reflexo da crise no setor de Duas Rodas, segundo o superintendente as Suframa, Thomaz Nogueira. “O problema de duas rodas é de mercado e precisa de uma solução de mercado. Não é um problema do modelo Zona Franca. Se a produção estivesse em qualquer outro ponto do país, o problema seria o mesmo. De toda forma uma série de medidas que foram adotadas, como a redução da TSA (Taxa de Serviço Administrativo), a isenção do compulsório -que reduz o custo do financiamento -e a alteração no IPI, contribuíram para minorar os danos e devem apresentar os reflexos positivos agora. Outra solução para o modelo de comercialização, sem dúvida, é ampliar a participação das vendas via consórcio.Contudo, acreditamos que 2013 encerrará o ano com números melhores”, estimou Nogueira.
IBGE confirma recuo industrial
Dados divulgados pelo IBGE confirmam o fraco desempenho industrial no Amazonas em 2012. Com recuo de 7,0% frente ao resultado de 2011 e apresentando perfil generalizado de taxas negativas, já que nove das onze atividades pesquisadas apontaram queda na produção, de acordo com o disseminador de informações do instituto no Amazonas, Adjalma Nogueira Jaques.
A indústria de outros equipamentos de transporte exerceu a maior influência negativa no resultado global de -21,4%, vindo a seguir os impactos registrados por material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações de -6,6%, refino de petróleo e produção de álcool de -17,0%, máquinas e equipamentos de -8,5%, edição, impressão e reprodução de gravações de -7,4% e equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros de -5,6%.
Segundo Jaques, ficou confirmada a interferência negativa do seguimento de duas rodas no resultado anual apurado pelo instituto. “Nessas atividades sobressaíram, respectivamente, os recuos na produção de motocicletas e suas peças; telefones celulares; gasolina automotiva, óleo diesel e outros óleos combustíveis; fornos micro-ondas; discos de DVDs; e relógios de pulso. Por outro lado, os dois ramos que apontaram crescimento na produção foram: alimentos e bebidas de 2,8% e produtos químicos de 9,3%, impulsionados pela maior fabricação de refrigerantes e preparações em xarope e em pó para elaboração de bebidas, no primeiro setor, e de oxigênio no segundo”, informou Jaques.
Em dezembro de 2012, a produção industrial do Amazonas ajustada sazonalmente mostrou decréscimo de 0,5% frente ao mês anterior, após registrar crescimento de 4,1% em novembro último.
Empregos no PIM
O saldo de empregos foi de 116.950 postos de trabalho diretos em dezembro de 2012, com média anual de 120.056. Os números superam em 2,65% a média de 2011, considerada a melhor da série histórica. “Mesmo com toda a pressão da crise internacional e as dificuldades do setor de Duas Rodas, o PIM teve forças para manter mais de cento e vinte mil postos de trabalho. Obviamente, considerando que o pólo de duas rodas é um dos que mais emprega, qualquer crise nesse segmento afeta o resultado global. Então os números são positivos”, justificou Nogueira.
Impasse na moeda
O otimismo do superintendente da Suframa se baseia em dados de setores como, por exemplo, o Eletroeletrônico, que criou novas vagas em 2012 e respondeu por 35,42% do faturamento global do PIM correspondendo aos R$ 26,10 bilhões, que segundo declaração do presidente do Cieam, Wilson Périco, erroneamente o superintendente insiste em citar os valores divulgados em reais. “Ele insiste em falar em Real, o correto é usar a moeda forte, o Dólar”, afirmou Périco.
Para Nogueira, o faturamento é um indicador pobre. Ele aponta produção e a comercialização como melhores termômetros para avaliar o PIM. “O faturamento é afetado, não apenas pelo câmbio, mas também pelo valor unitário de cada bem”, disse.
Expectativa de recuperação
Segundo o presidente do Cieam, o cenário negativo estava anunciado com a crise do setor de Duas Rodas, que demorou a reagir com as medidas tardias do governo federal, desencadeando um reflexo também negativo nas indústrias componentista que fornecem para esse setor.
A expectativa fica para uma recuperação do setor no 2º semestre de 2013. “O governo federal deve tomar medidas para garantir a competitividade com os componentes importados”, estimou Périco. Que continua em defesa dos empregos que geram renda no PIM, e espera que o governo federal busque ações alternativas para recuperar os dois setores ainda neste ano.
Na opinião do 2º vice-presidente da Fieam, Américo Augusto Esteves a economia nacional sente os reflexos do Pólo de Duas Rodas que deverá se recuperar da perda até junho deste ano. Segundo Esteves o crédito para aquisição de motocicletas começa a dar sinais positivos com a ‘desova’ dos estoques do PIM paras as lojas, que agora precisam aumentar as vendas para também renovar seus estoques. “É uma reação em cadeia que deverá acontecer até o final do 1º semestre”, estimou Esteves.







