Faturamento tem queda de 3,1%

Em: 4 de abril de 2013
Resultado nos dois primeiros meses em dólar mostra tendência de queda para as empresas no polo amazonense
Resultado nos dois primeiros meses em dólar mostra tendência de queda para as empresas no polo amazonense

Faturamento das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) chega a US$ 2.8 bilhões, representando uma diminuição de 1,7% em fevereiro, comparado ao mesmo mês de 2012, segundo informações da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). No acumulado do bimestre o faturamento foi de US$ 5.5 bilhões, o que representa uma queda de 3,1%, comparado ao mesmo período do ano passado. Na visão do vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, o cenário é realmente de pessimismo. “Infelizmente o cenário de crise internacional e redução dos investimentos tem afetado o desempenho da indústria, principalmente o do setor de duas rodas”, apontou.
No ano passado o polo de duas rodas apresentou perdas de faturamento, em dólar, na ordem de 19%, com diminuição da produção, e os números de 2013, referentes a janeiro, apontaram a produção de 124.783 motocicletas, resultado superior apenas aos de 2009, ano da crise internacional. Dados sobre emplacamento de motos, referentes a fevereiro, apontaram 101 mil emplacamentos de motocicletas no país, o pior número desde fevereiro de 2006.
“No ano passado, o setor de Duas Rodas não teve o mesmo desempenho dos demais segmentos. Para 2013, trabalhamos com a perspectiva que este setor irá se recuperar e, como os demais seguem com bom desempenho, os índices do ano devem superar os de 2012”, disse o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira.

Valorização da moeda

Os indicadores da Suframa apontaram que empresas do PIM registraram, em fevereiro, um faturamento de R$ 5,69 bilhões, representando um crescimento de 12,8%. No acumulado do ano, o faturamento chega a R$ 11,05 bilhões, o melhor desempenho para o período em moeda nacional (10,60% a mais que o mesmo período do ano passado, por exemplo).
Em dólar, o faturamento do PIM em fevereiro equivaleu a US$ 2.88 bilhões, representando um recuo de 1,69%. O acumulado, em moeda americana, nos primeiros dois meses do ano foi de US$ 5.52 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2012, houve um recuo de 3,10%. É importante destacar que o dólar se valorizou frente à moeda nacional 13,48% em janeiro e 14,83% em fevereiro.
Com relação à geração de empregos, fevereiro registrou 117.639 pessoas, entre mão de obra efetiva, temporária e terceirizada. No acumulado do ano, ocorreram 8.137 admissões contra 7.372 demissões. O saldo é de 765 vagas.
Já no acumulado do ano, o faturamento chega a R$ 11,05 bilhões, o melhor desempenho para o período em moeda nacional (10,60% a mais que o mesmo período do ano passado, por exemplo).
Para Nogueira, fevereiro é um mês difícil de tomar como base para projeções, pelo número de dias úteis menor e por representar um mês de ajuste para a maioria dos segmentos econômicos. “O esperado, geralmente, é uma acomodação dos índices no início do ano, mas, felizmente, o primeiro bimestre deste ano só reforça nosso otimismo em relação a 2013”, completou.

Folha deve influenciar

Na opinião de Azevedo, como a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que desonera a folha de pagamento para setores da indústria e de serviços, isso pode trazer boas perspectivas para a indústria. “Em termos de competitividade, a desoneração deve ajudar bastante, já que isso estimulará o setor a contratar mais”, frisou o vice-presidente da Fieam, que acrescenta que hoje o custo da mão de obra no país é considerada uma das mais caras.
Com a desoneração, empresas que contribuem ao INSS com 20% da folha de pagamento passarão a pagar de 1% a 2%. A nova lei também permite a depreciação de bens de capital para apuração do Imposto de Renda e institui o Regime Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Infraestrutura da Indústria de Fertilizantes. Além disso, altera a lei 12.598, de 22 de março de 2012, quanto à abrangência do Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa. Também altera a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na comercialização da laranja e reduz o Imposto de Renda devido pelo prestador autônomo de transporte de carga.

Investimento para alavancar

Já na avaliação da CNI (Confederação Nacional da Indústria), depois da queda de 4% registrada em 2012, os investimentos no país aumentarão 4% neste ano e serão a principal alavanca da indústria e da economia brasileira. Com a expansão do investimento, o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá 3,2% e o PIB industrial aumentará 2,6%. “O retorno a uma taxa de crescimento mais expressiva deve ocorrer com a resposta do investimento às medidas de redução dos custos e melhora da competitividade”, diz o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, da Confederação.
Embora as novas previsões para o desempenho do PIB e do PIB Industrial em 2013 estejam mais próximas da previsão menos otimista feita no final do ano passado, a CNI avalia que há sinais de recuperação da indústria. Os estoques estão no nível planejado pelos empresários, o que abre espaço para o aumento de produção nos próximos meses.
Além disso, a utilização da capacidade instalada aumentou 1,1 ponto percentual e alcançou 84% em janeiro, na série livre de influências sazonais, e aproximou-se dos 84,4% registrados em janeiro de 2008, o maior patamar da série iniciada em 2003. “O aumento da utilização da capacidade instalada é condição importante para a volta dos investimentos”, considera o Informe Conjuntural.
O Informe Conjuntural do primeiro trimestre prevê ainda que a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechará o ano em 5,7%, abaixo do teto da meta de 6,5%. Com a inflação dentro do limite, a taxa básica de juros, a Selic, se manterá em 7,25% ao ano e os juros reais deverão recuar para 0,9%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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