Faturamento das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) chega a US$ 2.8 bilhões, representando uma diminuição de 1,7% em fevereiro, comparado ao mesmo mês de 2012, segundo informações da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). No acumulado do bimestre o faturamento foi de US$ 5.5 bilhões, o que representa uma queda de 3,1%, comparado ao mesmo período do ano passado. Na visão do vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, o cenário é realmente de pessimismo. “Infelizmente o cenário de crise internacional e redução dos investimentos tem afetado o desempenho da indústria, principalmente o do setor de duas rodas”, apontou.
No ano passado o polo de duas rodas apresentou perdas de faturamento, em dólar, na ordem de 19%, com diminuição da produção, e os números de 2013, referentes a janeiro, apontaram a produção de 124.783 motocicletas, resultado superior apenas aos de 2009, ano da crise internacional. Dados sobre emplacamento de motos, referentes a fevereiro, apontaram 101 mil emplacamentos de motocicletas no país, o pior número desde fevereiro de 2006.
“No ano passado, o setor de Duas Rodas não teve o mesmo desempenho dos demais segmentos. Para 2013, trabalhamos com a perspectiva que este setor irá se recuperar e, como os demais seguem com bom desempenho, os índices do ano devem superar os de 2012”, disse o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira.
Valorização da moeda
Os indicadores da Suframa apontaram que empresas do PIM registraram, em fevereiro, um faturamento de R$ 5,69 bilhões, representando um crescimento de 12,8%. No acumulado do ano, o faturamento chega a R$ 11,05 bilhões, o melhor desempenho para o período em moeda nacional (10,60% a mais que o mesmo período do ano passado, por exemplo).
Em dólar, o faturamento do PIM em fevereiro equivaleu a US$ 2.88 bilhões, representando um recuo de 1,69%. O acumulado, em moeda americana, nos primeiros dois meses do ano foi de US$ 5.52 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2012, houve um recuo de 3,10%. É importante destacar que o dólar se valorizou frente à moeda nacional 13,48% em janeiro e 14,83% em fevereiro.
Com relação à geração de empregos, fevereiro registrou 117.639 pessoas, entre mão de obra efetiva, temporária e terceirizada. No acumulado do ano, ocorreram 8.137 admissões contra 7.372 demissões. O saldo é de 765 vagas.
Já no acumulado do ano, o faturamento chega a R$ 11,05 bilhões, o melhor desempenho para o período em moeda nacional (10,60% a mais que o mesmo período do ano passado, por exemplo).
Para Nogueira, fevereiro é um mês difícil de tomar como base para projeções, pelo número de dias úteis menor e por representar um mês de ajuste para a maioria dos segmentos econômicos. “O esperado, geralmente, é uma acomodação dos índices no início do ano, mas, felizmente, o primeiro bimestre deste ano só reforça nosso otimismo em relação a 2013”, completou.
Folha deve influenciar
Na opinião de Azevedo, como a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que desonera a folha de pagamento para setores da indústria e de serviços, isso pode trazer boas perspectivas para a indústria. “Em termos de competitividade, a desoneração deve ajudar bastante, já que isso estimulará o setor a contratar mais”, frisou o vice-presidente da Fieam, que acrescenta que hoje o custo da mão de obra no país é considerada uma das mais caras.
Com a desoneração, empresas que contribuem ao INSS com 20% da folha de pagamento passarão a pagar de 1% a 2%. A nova lei também permite a depreciação de bens de capital para apuração do Imposto de Renda e institui o Regime Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Infraestrutura da Indústria de Fertilizantes. Além disso, altera a lei 12.598, de 22 de março de 2012, quanto à abrangência do Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa. Também altera a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na comercialização da laranja e reduz o Imposto de Renda devido pelo prestador autônomo de transporte de carga.
Investimento para alavancar
Já na avaliação da CNI (Confederação Nacional da Indústria), depois da queda de 4% registrada em 2012, os investimentos no país aumentarão 4% neste ano e serão a principal alavanca da indústria e da economia brasileira. Com a expansão do investimento, o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá 3,2% e o PIB industrial aumentará 2,6%. “O retorno a uma taxa de crescimento mais expressiva deve ocorrer com a resposta do investimento às medidas de redução dos custos e melhora da competitividade”, diz o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, da Confederação.
Embora as novas previsões para o desempenho do PIB e do PIB Industrial em 2013 estejam mais próximas da previsão menos otimista feita no final do ano passado, a CNI avalia que há sinais de recuperação da indústria. Os estoques estão no nível planejado pelos empresários, o que abre espaço para o aumento de produção nos próximos meses.
Além disso, a utilização da capacidade instalada aumentou 1,1 ponto percentual e alcançou 84% em janeiro, na série livre de influências sazonais, e aproximou-se dos 84,4% registrados em janeiro de 2008, o maior patamar da série iniciada em 2003. “O aumento da utilização da capacidade instalada é condição importante para a volta dos investimentos”, considera o Informe Conjuntural.
O Informe Conjuntural do primeiro trimestre prevê ainda que a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechará o ano em 5,7%, abaixo do teto da meta de 6,5%. Com a inflação dentro do limite, a taxa básica de juros, a Selic, se manterá em 7,25% ao ano e os juros reais deverão recuar para 0,9%.







