Fecomércio-AM mostra que mais da metade dos lojistas espera um ano melhor

Em: 14 de fevereiro de 2023

Apesar das incertezas que cercam 2023, 86,7% dos empresários do comércio do Amazonas esperam que o primeiro semestre – que só conta com o Dia das Mães e o Dia dos Namorados como datas comemorativas – apresente situação econômica melhor do que a registrada no mesmo período de 2022. Entre os otimistas, 55% estimam que será “um pouco melhor” e 31,7% asseveram que será “muito melhor”. Somente 11,7% aguardam empate e 1,7% esperam piora, mas ninguém aposta em recessão. É o que revela a mais recente sondagem do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). 

O otimismo reflete, pelo menos em parte, o saldo das festas de fim de ano. A sondagem revela que a maioria dos lojistas conseguiu crescer na Black Friday e – principalmente – no Natal. Também confirma as apostas em ambas as datas foram altas no ano passado, com as promoções e contratações sendo realidade para a maior parte do setor. Os empresários, por outro lado, têm avaliação unânime de que a realização tardia da Copa foi um fator importante para alimentar os resultados do varejo. 

O crescimento já era esperado, diante da sondagem preliminar do Ifpeam junto aos consumidores, apontando percentuais expressivos de disposição de compras para o Natal (92%) e para a Black Friday (67%), embora os principais critérios de escolha fossem preços e promoções (88%). O contraponto veio do baixo fôlego do 13º salário, em uma conjuntura de endividamento e juros elevados. Em torno de 47% indicou que iria priorizar o benefício para pagar dívidas, e a principal intenção de consumo foi a alimentação (29%).

O prognóstico do Ifpeam contrasta com o ceticismo verificado nos dados mais recentes do ICEC (Índice de Confiança do Empresário Comercial) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) para Manaus. O indicador recuou 3,6% na virada do ano, na segunda queda seguida nesse tipo de comparação. O declínio foi puxado justamente pelo derretimento das expectativas, e pela menor intenção de contratar e investir, embora a pontuação esteja 11,6% acima da de 12 meses atrás.

Aposta nas promoções

Em relação à Black Friday, 52% das empresas relataram crescimento no volume comercializado, 45% mantiveram o nível de 2021 e apenas 3% declararam retração. Na análise do instituto de pesquisa, os números seriam uma confirmação de que “a economia deixou o processo recessivo para trás e iniciou a trajetória de ascendência”.

No grupo de lojas que confirmaram melhora, 23% dizem que a diferença ficou entre 6% e 10%, enquanto outros 13% relataram que o incremento não foi passou de 5%. Fatias minoritárias, mas significativas do empresariado indicaram progressos mais significativos, já que 8% tiveram altas de 11% a 20% e 7% conseguiram escalar 20% nas vendas. Vale notar, contudo, que ninguém confirmou queda e 48% preferiram não responder.

Oito em cada dez empresários ouvidos (80%) fizeram algum tipo de promoção para capitalizar o hype e o apelo de vendas da Blackfriday, enquanto os 20% informaram que não fizeram nada especial para a promoção importada dos EUA, justificando que este é “um período de vendas aquecidas e uma oportunidade para recuperar parte das perdas acumuladas no período de crise”. Entre as empresas que apostaram na data, 50% ofereceram “ofertas especiais”, que incluíam promoções relâmpago, e 31,7% apresentaram “descontos especiais” para a clientela. Mas, 18,3% não responderam.

Reforço nas contratações 

Os números foram mais favoráveis para as vendas voltadas para o Natal, confirmando as apostas da maior parte dos comerciantes amazonenses, que preferiram focar seus esforços na festa familiar, em detrimento da Black Friday. Segundo o levantamento do Ifpeam, o crescimento de vendas ocorreu em 85% das empresas consultadas, naquela que é considerada a data mais importante para o calendário do setor. Apenas 8,3% encolheram e 6,7% tiveram desempenho igual ao de 2021. 

Em torno de 41,7% relataram incrementos de 11% a 20% nas vendas e 15% disseram que a alta ficou entre 6% e 10%. Praticamente um em cada cinco (18,3%) escalou 20% e apenas um comerciante praticamente empatou (+0,5%). “O empresário vem de um longo processo recessivo, sobrevivendo mais do corte de despesas do que propriamente do aumento de receita, o que justifica os elevados percentuais de crescimento”, sentenciou o texto da pesquisa. Entre aqueles que sofreram retração, 3,3% relataram recuos de 6% a 10%, enquanto cada uma das demais fatias foi confirmada por 1,7% dos entrevistados. Mas, 91,7% preferiram não responder.

O aquecimento foi acompanhado e favorecido por contratações. A despeito das dificuldades, 60% das empresas ampliaram seus quadros funcionais – contra as 38% de 2021. Entre elas, 26,7% abriram oportunidade para 3 a 4 pessoas, 20% engrossaram o contingente com 5 a 10 temporários, e 13,3% contrataram de 1 a 2 funcionários. “Historicamente, o setor contrata trabalhadores temporários para atender o intenso fluxo de público no melhor período do ano para vendas. Este foi um ano atípico e de incertezas, pelo longo período de crise desde 2015. Mas, o empresário é obstinado. Tem que ser, ou não sobrevive”, considerou o Ifpeam, acrescentando que 60% “é um bom número diante do momento econômico e político que vivemos”. 

“Ano difícil”

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que 2022 foi um “ano difícil”, em razão dos efeitos da guerra na Ucrânia e do choque das commodities na inflação, nos juros bancários e no endividamento das famílias, com consequências negativas para o consumo. O dirigente acrescenta que o fim do ano foi coroado com o anúncio de aumento da carga tributária, especialmente para o ICMS.

“Não obstante, tivemos um pequeno crescimento, que é motivo de otimismo. É uma demonstração de que o comércio cria forças para se reinventar. E, acima de tudo, acreditar que teremos crescimento progressivo neste início de governo, que foi atropelado pelos acontecimentos de 8 de janeiro. Mais uma vez, queremos mostrar nosso compromisso no atendimento da população e que somos um agente muito importante na economia do Estado. Somos nós que nos espalhamos pelos municípios, parcelando compras, levando crédito e entregando sem custo”, arrematou.

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada com uma amostra de 60 empresários, entrevistados, entre os dias 5 a 13 de janeiro. Ao menos 55% das pessoas jurídicas ouvidas era de pequeno porte (55%). Na sequência estão empresas de médio (15%) e grande porte (8%). Em torno de 41,7% estavam localizadas no Centro, enquanto as demais se situavam em shoppings (30%), comércios de bairro (13,3%) e “todas as opções” (13,3%).

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar