Dia 18 de junho, domingo, comemora-se uma data muito importante, o Dia da Gastronomia Sustentável, um alerta para chamar a atenção das pessoas a modificarem seus modos de produzir, consumir e descartar alimentos.
De acordo com a FAO, organização da ONU para Alimentação e Agricultura, cerca de um terço dos alimentos produzidos por ano, no planeta, se perdem ou são desperdiçados, por isso o 18 de junho foi instituído, em 2016, visando despertar o mundo para essa situação.
Em Manaus, desde 2021, a data não passa em branco. Agricultores do assentamento PA Água Branca, do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), localizado na área rural da APA (Área de Proteção Ambiental) Adolpho Ducke, um corredor ecológico desde 2016, realizam a Festa da Colheita, quando promovem a colheita do milho e da batata ária (típica da Amazônia). Este ano a Festa da Colheita acontecerá nos dias 17, sábado; e 18, domingo, e aguarda visitantes.
“A origem das festas juninas remete às comemorações da fertilidade da terra e às boas colheitas. Era uma reunião de agricultores que se prolongava por sete semanas”, falou Nora Hauswirth, coordenadora do projeto Arte & Escola na Floresta, do Instituto Tera Kuno, que atua no assentamento.
Desde 2009, com apoio do Centro de Treinamento Agroflorestal do Musa (Museu da Amazônia), os agricultores da APA Adolpho Ducke vêm trabalhando com sistemas agroflorestais e técnicas agroecológicas. São 38 assentados, no menor assentamento do Brasil. Três agricultores são certificados como produtores orgânicos. Já o coletivo Ajuri Ecológico reúne seis famílias que, com o apoio do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas) produzem mudas agroflorestais.
Muito milho
A Festa da Colheita comemora a prosperidade do que foi semeado e apresenta as comidas e bebidas produzidas a partir do que foi colhido. São fermentados de abacaxi; milho, fruta pão e batata ariá cozidos; além de vários pratos feitos com pancs (plantas alimentícias não convencionais).
“Muitos alimentos são produzidos com facilidades nessas terras e possuem um grande potencial nutricional”, afirmou Nora.
“Em 2021 a Festa da Colheita começou como Festa do Milho. Após a implementação de um sistema agroflorestal onde plantamos milho em consórcio com vários tipos de árvores frutíferas, deu tanto milho que precisamos organizar uma festa para atrair mais gente a fim de dar conta de consumir toda a produção. Agora com a batata ariá e a criação de galinhas caipiras, resolvemos denominar as comemorações de Festa da Colheita”, contou.
“Na Festa, disponibilizaremos várias delícias para os visitantes conhecerem melhor os produtos originários das terras amazônicas”, completou.
Nos assentamentos também são produzidos açaí, bacaba, biribá, fruta pão, hortaliças, cará roxo, cará de espinho, mais as pancs, e criadas galinhas caipiras.
Para participar da Festa da Colheita é necessário contribuir com R$ 70, e a pessoa tem direito ao translado, a partir da feira do Coroado (av. Cosme Ferreira), às 14h de sábado, hospedagem coletiva, mais as comidas e bebidas agroecológicas com opções veganas, vegetarianas e galinha caipira, além das atrações musicais. O retorno é às 15h30 de domingo.
As inscrições podem ser feitas pelo https://linktr.ee/arteescolanafloresta
Programação completa e mais informações no Instagram @arteescolanafloresta
O que são? O que fazem?
Desde 2020 o projeto Arte & Escola na Floresta vem desenvolvendo, através de parceria com artistas, pesquisadores e agricultores da APA Adolpho Ducke, um trabalho transdisciplinar com assistência técnica e cursos, num processo que proporciona a democratização da prática agroecológica ensinando o manejo da terra com recursos locais, a valorização das sementes, a produção de fermentados, o cultivo de pancs, bem como o compartilhamento de conhecimentos e práticas ancestrais no cultivo de plantas e alimentos regionais, cujo uso se perdeu com o passar do tempo.
“O Arte & Escola na Floresta busca difundir, por meio da arte, a sustentabilidade social, ambiental e econômica, promovendo o trabalho dos agricultores familiares locais e a soberania alimentar, valorizando alimentos regionais, frescos, saudáveis e sem uso de agrotóxicos. Com enfoque na relação entre corpo e natureza, as vivências estimulam os sentidos do corpo e a atenção às percepções e ao mundo”, finalizou Nora.
O Arte & Escola na Floresta atua em parceria com o Ajuri Agroecológico, coletivo que trabalha em regime de mutirão se reunindo todas as segundas-feiras com os agricultores do assentamento ensinando as novidades gastronômicas que podem ser feitas a partir do que colhem.







