Festa na pesca do mapará no interior

Em: 23 de março de 2022
Desde o dia 15 passado oito espécies de peixe estão liberadas para pesca pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas): aruanã, caparari, surubim, matrinxã, pirapitinga, sardinha, pacu e mapará. Na pesca deste último repetiu-se uma grande festa, que já tem até nome, a ‘Pesca do Mapará’, no Lago do Rei, no Careiro; e nos lagos Tilheiro, Jutaí, Ajará e Janauacá, no Manaquiri.

 Com o fim do defeso, oito espécies de peixes estão liberadas para a pesca, movimentando a economia de vários municípios

O fim do defeso é sinal de alegria para os pescadores profissionais do Amazonas, e alegria maior é ver as redes cheias com a fartura de peixes da região.

Desde o dia 15 passado oito espécies de peixe estão liberadas para pesca pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas): aruanã, caparari, surubim, matrinxã, pirapitinga, sardinha, pacu e mapará. Na pesca deste último repetiu-se uma grande festa, que já tem até nome, a ‘Pesca do Mapará’, no Lago do Rei, no Careiro; e nos lagos Tilheiro, Jutaí, Ajará e Janauacá, no Manaquiri.

A equipe do Jornal do Commercio foi até este último município verificar de perto como a pesca desse peixe liso, não muito apreciado entre os manauaras, movimenta a economia e proporciona trabalho e renda para a população local.

Dados obtidos com a Secretaria do Meio-Ambiente do Manaquiri mostram que 650 canoas participaram da ‘Pesca do Mapará’, reunindo mais de 800 pescadores.

Na segunda-feira (15), às 6h, a pesca foi liberada oficialmente e fogos de artifício deram a largada para os participantes que, com suas redes, se espalharam ordenadamente pelos lagos da região. Redes de mil metros de comprimento e quatro de profundidade, com pescadores em cada uma das pontas, varreram as águas e, quando puxadas, traziam milhares de maparás, entre outras espécies.

“Os três primeiros dias tiveram toda essa fartura, com cerca de 220 toneladas/dia de maparás nas redes. Até o início do próximo defeso, em novembro, a pesca continua, mas não se pega toda essa quantidade”, explicou Evanaldo do Nascimento, engenheiro ambiental e secretário do Meio Ambiente do Manaquiri.

“É uma pesca sustentável porque a malha das redes prende apenas os indivíduos adultos, permitindo que os mais novos continuem livres para se reproduzir”, completou.

Cotação em alta

Ainda de acordo com Evanaldo, 30 geleiros pertencentes a um frigorífico de Manacapuru e dois de Iranduba, participaram do evento. A dinâmica da pesca é a seguinte: Os pescadores fazem o arrastão com as redes. Em poucos minutos as redes estão cheias. Então são levadas para uma embarcação maior onde são selecionados os maparás. Essa embarcação transporta a carga para os geleiros, com grandes frigoríficos e atracados em locais estratégicos. No geleiro, são retirados os buchos dos maparás e atirados às águas, servindo de alimento para outros animais.

“Os pescadores iniciavam às 6h e podiam permanecer pescando pelo tempo que quisessem, e será assim até o início do próximo defeso”, declarou o secretário.

Este ano houve uma valorização do quilo da espécie, que sofreu alteração de acordo com a procura. O preço inicial foi de R$ 4,50 o quilo, mas à medida que os dias passaram, chegou a R$ 7,20.

Apesar de os manauaras não terem muito interesse na carne do mapará, mesmo sendo um peixe delicioso e com poucas espinhas, ele é bastante apreciado no Pará, no Nordeste e na Colômbia, e para lá segue tudo o que é pescado nos lagos do Manaquiri e Careiro. Esse desinteresse pelo mapará é cultural e se estende a outros peixes lisos, como o surubim, e o caparari. Os antigos diziam que estes, pelo fato de terem a pele pintada, dariam lepra em quem os consumisse.

Jair Souto, prefeito do Manaquiri, lembrou que a pesca do mapará é secular nos lagos da região, mas era realizada de maneira desordenada.

“Em 2005, quando fui prefeito pela primeira vez, organizei a primeira despesca da espécie. Quando reassumi, em 2017, novamente encontrei a pesca desorganizada e promovi nova organização, que vem se repetindo nesse meu novo mandato”, afirmou.

Este ano, Jair Souto custeou o combustível das embarcações dos pescadores, deu-lhes camisa padronizada e chapéu de palha típico do homem amazônico.

“Ainda colocamos fiscais para, junto com as comunidades, organizar a pesca para que não houvesse disputa de áreas, e tudo correu normalmente sem problema algum”, comemorou.

Pesca do curimatá

“A abertura da ‘Pesca do Mapará’ tem ganhado proporções tão grandiosas e festivas que estamos pensando seriamente em transformá-la num evento turístico do município, afinal de contas a cidade de Manaquiri fica tão perto de Manaus, podendo ser acessada por via terrestre e fluvial, em apenas duas horas. Temos hotéis, pousadas e restaurantes na cidade, além de ótimos passeios pelos rios e lagos da região”, falou Eduardo Santos, secretário de Indústria e Comércio, Serviços e Turismo do Manaquiri.

“Os manauaras já podem se programar para junho. Junto com a secretaria do Meio-Ambiente, estamos organizando a primeira ‘Pesca do Curimatá’. Os visitantes não só poderão prestigiar a festa, e quem sabe até tentar fisgar algum curimatá. Também estamos organizando um torneio de casqueta, embarcação típica dos interiores amazônicos, a moto aquática dos ribeirinhos”, adiantou Eduardo.

Outras informações: 9 8425-5007.

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Mapará e curimatá

O mapará (Hypophthalmus edentatus) é ideal para ser comido assado, devido à carne gorda, mas pode ser preparado de várias outras maneiras. Por não ter dentes, se alimenta de plânctons. Além do Amazonas, é encontrado em outros Estados.

O curimatá (Prochilodus spp) também é encontrado em todo o país. É peixe de escamas e por ter dentes, come outros animais. Da mesma forma que o mapará, habita o fundo dos rios e lagos. Igualmente pode ser preparado de várias outras formas.  

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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