Apesar do anúncio da companhia aérea Latam sobre a redução nas operações de voos com trechos ligados a Manaus e com destino a outros estados, a Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagens do Amazonas), não considera que deva gerar impacto substancial no setor de viagens. Mas concorda que a oferta de voos reduzida vai elevar o valor dos preços das passagens.
Trechos como Manaus-Fortaleza, Manaus-Belém e Manaus-Porto Velho, estão suspensos a partir de abril a junho, voos Manaus/Belém serão interrompidos no período de abril e maio. A medida temporária é motivada pelo aumento do preço e da volatilidade do petróleo.
Para o presidente da Abav-AM, Jaime Mendonça, outros motivos devem estar alinhados à decisão da empresa, como manutenção da aeronave ou até baixa ocupação nos voos. “Por mais que Manaus dependa muito de malha aérea porque a gente não tem estradas, mesmo assim há outras companhias que atendem o mercado para os destinos que tiveram a rota supensa”.
Na percepção do representante, o brasileiro investe muito nas viagens no segundo semestre, particularmente em Manaus, porque no primeiro existem várias prioridades na lista de orçamento, por exemplo, pagamento de impostos e outras contas, o que limita qualquer planejamento para viajar. “Eu acredito que o panorama foi esse. Se eu tenho muito passageiro eu não tiro o meu voo eu aumento o meu preço porque sabe-se que vai ter gente voando, só que no caso de Manaus não aconteceu justamente por essa questão. Não vamos encarar como uma grande perda. É apenas uma situação temporária que num futuro breve essas operações vão retornar para Manaus”, comentou Mendonça.
Operadores
Em mais um revés para o setor de viagens, a tensão por parte dos empresários que atuam na atividade deve aumentar. O fator agravante vem do anúncio realizado semana passada pelas principais empresas aéreas ao informarem o aumento nos reajustes das passagens. Diante do anúncio, da alta do querosene derivado do petróleo, operadores de agências de viagens temem queda na demanda. Algumas já registram adiamento para o segundo semestre nas programações dos destinos.
Entrevistados pelo Jornal do Commercio alguns representantes já demonstravam preocupação. “Com certeza muita gente vai replanejar as suas viagens, porque o custo de hotelaria também vai sofrer essa pressão.A alta vertiginosa no valor do produto afeta várias cadeias e segmentos. Quando se tem uma alta de preço o consumo cai. Eu acredito que isso deve representar uma queda significativa de no mínimo 10% a 15% no movimento das viagens domésticas”, avaliou o empresário do segmento Orsine Júnior.
De acordo com o empresário, as agências já têm se preocupado bastante em relação à demanda porque o segmento vem de um quadro de dois anos de pandemia, fora a retração do mercado pela alta do dólar que estava recuando e deve voltar a subir. “E agora vem esse aumento absurdo dos combustíveis. Nós temos todos esses fatores para atrapalhar o turismo. Em contrapartida, não se vê por parte dos governos um plano de reestruturação do setor ou um plano emergencial que nos dê fôlego para sobreviver, pelo menos freando para que a gente possa passar essa tempestade”.
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Em nota a empresa informou que os voos foram postergados para o terceiro trimestre de 2022, em função do alto preço do querosene da aviação, resultante da evolução da guerra na Ucrânia. A companhia lamenta pelo impacto causado aos clientes em função destas alterações que resultam de fatores externos alheios à sua vontade e orienta os seus clientes a acessarem o site latam.com > Minhas Viagens > Administrar suas viagens para saberem se o seu voo foi postergado…”, diz o comunicado.
A Azul informa que, em decorrência do atual momento, ajustou a oferta de voos diários em alguns mercados. A medida foi necessária devido ao aumento exponencial do valor de várias commodities nas últimas semanas, em especial do barril de petróleo, que já vinha sofrendo consecutivas altas em função da pandemia da covid-19 e atingiu um pico recorde desde 2008, pressionando muito o valor do QAV (querosene de aviação). Isso impacta a retomada mais vigorosa da oferta de voos no país, assim como a inclusão de novas cidades e novas rotas e frequências entre aeroportos que já contam com serviço aéreo.
Quanto ao impacto na oferta, por enquanto a GOL não tem mudanças planejadas em virtude do aumento de custos. Ajustes pontuais realizados em algumas bases são naturais da operação e acompanham as oscilações de mercado. Todos os Clientes que tiveram voos impactados pelas alterações programadas estão sendo notificados e recebendo o devido atendimento da Companhia, seja com remarcação ou reembolso integral.
Amparados
Quem já adquiriu uma passagem com destino a um dos voos interrompidos, dentro deste período, poderá remarcar a viagem e sem multas na tarifa. Outra alternativa é solicitar o reembolso, sem ser descontado, antes do vencimento do bilhete , ou seja 12 meses após a data da compra.
Saiba mais
A decisão da Latam atinge 10 rotas da companhia, no reajuste da malha doméstica da empresa, além de 11 novas rotas que serão adiadas.







