Uma forte discussão no Plenário da CMM (Câmara Municipal de Manaus), protagonizada pelos vereadores Mário Frota (PMDB) e Isaac Tayah (PSD) na manhã de ontem, acabou ofuscando a audiência pública que ouviu os diretores da empresa concessionária Amazonas Energia sobre os frequentes apagões que vêm ocorrendo na capital amazonense.
A divergência teve início minutos antes do início da audiência e foi motivada pela distribuição de um texto publicado na última terça-feira no blog pessoal do vereador tucano, defendendo a aprovação do Projeto de Lei n.º 062/2012, que prevê a extinção do 14º salário no parlamento municipal, conhecido como auxílio-paletó.
Ao acatar reclamação feita pelo vereador Leonel Feitoza (PSD) com relação à distribuição do documento, da Mesa Diretora Isaac Tayah classificou a proposta de Frota como “um assunto polêmico, delicado, eleitoreiro e de autopromoção”, já que foi apresentado em ano eleitoral. Tayah se negou ainda a conceder questão de ordem pedida por Mário Frota: “Eu peço para o vereador não se manifestar. Vossa Excelência não tem direito de ordem sobre o assunto”, sentenciou o presidente da CMM.
Mário Frota considerou a atitude de Tayah como sendo ofensiva. Ele exigiu retratação ao que disse ser uma agressão pessoal contra ele: “Quem vai decidir se a matéria é democrática, correta, legal ou não, são as comissões e depois, soberanamente, o Plenário. E não ele pessoalmente. Ele está agindo como ditador nesta Casa”, falou Mário Frota.
Quatorze já assinaram
Segundo o texto distribuído pela assessoria de Mário Frota a parlamentares e jornalistas, 14 dos 38 vereadores já aderiram à proposta de extinção do auxílio-paletó: Homero de Miranda Leão Neto e Wilker Barreto (PHS); Luis Augusto Mitoso (PSD); Wilton Lira, Luiz Alberto Carijó e Marise Mendes (PDT); Reizo Castelo Branco (PTB); Socorro Sampaio (PP); Waldemir José e Ademar Bandeira (PT); Cida Gurgel (PRP); Hissa Abrahão (PPS); Elias Emanuel e Joaquim Lucena (PSB).
O líder do prefeito na Câmara, vereador Leonel Feitoza é um dos que considera a matéria “política eleitoreira”. Ele diz não ser contra a iniciativa, mas impõe uma condição para assinar o projeto: “Se for para devolver o benefício recebido desde quatro anos atrás eu assino. Sem essa condição não assino. Porque faltando poucos meses para a eleição se pensou nesse projeto?”, questiona.
Já o autor do polêmico projeto afirmou que não tem a intenção de devolver a verba recebida nos quatro anos de mandato caso o projeto seja aprovado: “Não penso em devolver porque eu recebi a verba por lei. É a lei, mas quando nós acabarmos com este privilégio ninguém poderá mais receber. Nem eu, nem ninguém”, conclui. Ele afirmou ainda que, caso seja reeleito e o Legislativo mantenha o benefício, ele estará moralmente impedido de recebê-lo.







