Forte valorização do real reduz custo

Em: 12 de março de 2008
Certas notícias não encontram repercussão no noticiário econômico dado o momento de quase euforia que vive a economia brasileira
Certas notícias não encontram repercussão no noticiário econômico dado o momento de quase euforia que vive a economia brasileira

Certas notícias não encontram repercussão no noticiário econômico dado o momento de quase euforia que vive a economia brasileira. É exemplo o cancelamento do projeto de expansão da única empresa que fabrica papel de imprensa no país.
O anúncio mereceu apenas uma pequena nota no caderno de negócios de um jornal de grande circulação. O motivo foi o aumento do custo do investimento. Para muitos, a forte valorização do real, como ocorreu no ano passado e que vem ocorrendo neste ano, favorece o investimento porque reduz o seu custo, mas essa é apenas uma meia verdade.
O que a valorização causa é uma redução do custo em reais da importação de bens de capital, um item do custo do investimento, mas não o único dado da questão a ser considerado. Todos os itens do investimento que não são importados, como os gastos com construções e instalações e os equipamentos de fornecimento local, têm seus custos em dólar ampliados com a valorização, o que pode levar a um grande aumento do custo global da inversão, dependendo da composição do investimento entre fornecimento local ou externo.
Em setores intensivos em capital essa possibilidade ganha vulto e pode fazer com que a opção pelo investimento não recaia sobre o Brasil, que nessa hipótese perde o investimento e a produção e o emprego a ele associados para outro país de destino do projeto.
O maior valor do real, portanto, pode reduzir o atrativo de inversões, chegando a inviabilizar um investimento e afugentá-lo do país. É claro que tudo dependerá do setor ao qual se refere o investimento, das alternativas da localização do projeto e se é possível destinar exclusivamente para o mercado interno a sua produção. Em dólar, esta também encarece com a valorização do real, retirando competitividade do produto nacional, a menos que se trate de um produto de grande valorização nos mercados internacionais ou, se é destinado ao mercado interno, não haja concorrência com a importação.
Investimentos não tão intensivos em capital, com vantagens comparativas naturais inequívocas ou voltados para o mercado interno e para a produção de bens não comercializáveis, eis para onde nos leva a excessiva valorização da moeda. Delimitar assim os investimentos produtivos é tudo o que os países emergentes de industrialização mais agressiva não fazem em um mundo globalizado.
Quanto à redução de custos dos bens de capital importados, que inegavelmente é favorecida pela queda do dólar, o mesmo resultado poderia ser obtido com a desoneração de impostos que recaem sobre os investimentos, incluindo os itens importados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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