Fórum Econômico critica governo brasileiro

Em: 9 de abril de 2010
Ex-ministro, Ricardo Hausmann acusa o Brasil de se aliar a Hugo Chávez na crise venezuelana
Ex-ministro, Ricardo Hausmann acusa o Brasil de se aliar a Hugo Chávez na crise venezuelana

O primeiro dia de debates da quinta edição do Fórum Econômico Mundial na América Latina começou e terminou com duras críticas às posições assumidas recentemente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação aos conflitos na região, especialmente envolvendo os governos da Venezuela e de Cuba.
Após provocar um debate logo no primeiro painel da manhã ao acusar o Brasil de alinhar-se ao governo de Hugo Chávez na crise venezuelana com o governo de Alvaro Uribe para “roubar da Colômbia o mercado de exportações para a Venezuela”, o economista Ricardo Hausmann, ex-ministro do Planejamento da Venezuela e professor da Universidade de Harvard, repetiu as críticas no painel de encerramento do dia e gerou uma nervosa discussão entre os participantes.
O secretário geral da OEA (Organização para os Estados Americanos), José Miguel Insulza, ameaçou abandonar o painel diante das fortes críticas ao papel da instituição na região, causando um estranhamento incomum nos debates do Fórum, que gerou comentários durante o jantar oferecido por Alvaro Uribe aos participantes ontem à noite.
A troca de acusações se deu após o editor da revista Foreign Policy e ex-ministro da Indústria e Comércio da Venezuela no início dos anos 90 (período que coincide com a passagem de Hausmann pelo governo venezuelano), Moisés Naim, concordar com o professor de Harvard em relação às críticas à política brasileira para a região. “O Brasil é um gigante econômico, mas também é um gigante imoral. O presidente Lula tem qualidades impressionantes, mas também tem contradições igualmente impressionantes”, afirmou Naim.
Nos dois painéis dos quais participou, Ricardo Hausmann acusou o Brasil de enviar uma missão à Venezuela para “roubar o mercado venezuelano de exportações da Colômbia” após Hugo Chávez decidir retaliar o país vizinho e suspender as importações. Chávez é um crítico de longa data das relações estreitas do governo colombiano com os EUA, e recentemente o governo de Uribe endureceu suas acusações ao governo venezuelano de colaborar com as Farc com armas e abrigar guerrilheiros colombianos.
Para Hausmann, nenhum país na América Latina se manifestou sobre a retaliação comercial de Chávez, gerando o que chamou de “perigosa guerra fria na região, novamente tão dividida quanto sempre foi”. Para Naim, da revista Foreign Policy, a OEA tem um problema de imagem incrível porque “se vê obrigada a fazer o que os países mais fortes determinam”, e atribuiu a isso os aplausos da plateia às críticas de Hausmann.
O secretário da organização o interrompeu para dizer que a OEA “não é obrigada a nada”, e Naim repetiu a afirmação. Em seguida, lembrou que o secretário Insulza surgiu publicamente há alguns meses celebrando o retorno de Cuba à organização, e novamente foi interrompido pelo dirigente da OEA. Ofendido, Insulza reclamou que o Fórum não é um evento político e que se fosse deveriam tê-lo avisado antes, pois não veio para debates com acusações, aplausos e vivas.
Naim continuou a provocá-lo, sustentando que logo após dar boas-vindas ao retorno de Cuba à OEA, a organização expulsou Honduras do grupo após a queda do governo de Manuel Zelaya. “E o Brasil é um dos grandes responsáveis por essas contradições da OEA”, afirmou Naim. “O presidente Lula tem tantas contradições que, após ter falado tanto em defesa dos direitos humanos e combatido as violações à liberdade de imprensa, agora não fala mais disso. Então há uma grande diferença entre o papel que o Brasil quer ter e o que o país tem feito na região”, disse o editor da revista Foreign Policy.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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