Apesar de o primeiro bimestre do ano, tradicionalmente, ser considerado fraco para o comércio varejista, o desempenho do setor em Manaus nos dois primeiros meses de 2012 foi ainda pior do que o esperado.
Depois de fechar janeiro com acréscimo de 3,10% nas vendas, em relação ao mesmo período do ano anterior, em fevereiro, o crescimento foi de apenas 2,4%, quando o percentual aguardado pela CDL – Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) era de pelo menos 3%, devido ao bom desempenho de setores relacionados ao período carnavalesco e de volta às aulas.
“O período de chuvas, mais extenso neste ano, foi o principal responsável pelo enfraquecimento do setor”, alegou o presidente da entidade, Ralph Assayag.
Os compromissos do consumidor com o pagamento de impostos como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), além do endividamento decorrente dos gastos de final de ano também foram apontados como fatores de influência no desaquecimento das vendas no bimestre, de acordo com o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende.
“É preciso observar que a atividade industrial também enfraquece no início do ano, o que reflete no comércio”, acrescentou.
Os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já apontam uma produção industrial mais tímida no ano passado, 4% no acumulado de 2011 contra os 16,3% de expansão do ano anterior.
Mesmo sem os dados fechados do bimestre, o vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, disse acreditar em uma queda da produção industrial neste ano, continuação do comportamento observado no final do ano passado.
“A produção industrial caiu devido às dificuldades enfrentadas pelos empresários nas exportações, uma vez que a supervalorização do real encareceu os produtos. Como indústria e comércio estão ligados, o resfriamento do primeiro interferiu no resultado do segundo”, explicou.
Inadimplência
O aumento da inadimplência no bimestre, resultante das vendas de dezembro e de encargos com cartão de crédito, também foi responsável pela queda no comércio formal da capital amazonense, segundo Aderson Frota.
De acordo com a CDL-Manaus, o índice que em janeiro era de 3,2%, com 3.498 consumidores na lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), passou para 3,3% em fevereiro, totalizando 5.174 inadimplentes.
“É um número administrável. Ainda não é alarmante, tendo em vista que a nossa meta é chegar aos 2,8%, mas inspira cuidados. Continuamos aconselhando os lojistas a fazerem a consultas no SPC antes de fechar a venda para evitar problemas futuros”, detalhou Ralph Assayag.
Ele admitiu que é difícil falar em controle da inadimplência em função do dinamismo da economia. “Isso porque qualquer modificação como redução ou aumento nas taxas de juros fazem diferença nos números da inadimplência”, justificou.
Empregos
Como resultado do desaquecimento, aproximadamente 2.200 funcionários do comércio foram desligados entre janeiro e fevereiro deste ano, média de 1.100 trabalhadores por mês, segundo dados do Sindicato dos Empregados no Comércio do Amazonas, que se referem apenas aos empregados sindicalizados, com carteira assinada há pelo menos um ano.
“As demissões no início do ano são normais. No terceiro mês acredito que não vá haver tantas contratações, mas vamos fechar estabilizados”, avaliou o vice-presidente do sindicato, José Ribamar do Nascimento.
Um número maior de admissões é esperado pelo representante do sindicato para abril, com o início do ‘Liquida Manaus’.
Projeção
Marcado para ocorrer entre os dias 28 de março e 15 de abril, o ‘Liquida’ deve impulsionar as vendas. A expectativa da CDL-Manaus é de que o tímido crescimento verificado até o momento dispare e seja de pelo menos 12%.
Junto com a liquidação, Aderson Frota aponta a redução da Selic –taxa básica de juros– para 9,75% ao ano como uma boa notícia para o setor. “As mexidas dos governos na taxa de juros devem começar a ser percebidas em até dois meses. A tendência é que as vendas comecem a crescer gradativamente, em especial a partir de maio”, projetou o economista.






