Franquias diversificam para superar crise

Em: 19 de julho de 2016
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Frente a um cenário desafiador, as redes de franquias vêm buscando alternativas para manter-se no mercado. A reação imediata foi de investir em ações pontuais com intuito de gerar novos negócios, em meio ao momento econômico desfavorável, que envolve o país. A confiança do setor está nos números de faturamento, animadores, apresentados pela ABF (Associação Brasileira de Franchising). O levantamento mostra que o mercado de franquias obteve um crescimento nominal de 7,6% no primeiro trimestre de 2016, em relação ao mesmo período de 2015. Gerando uma receita de R$ 33,7 bilhões de janeiro a março deste ano, contra R$ 31,3 bilhões do igual período do ano passado. Presentes em Manaus, as redes de franquias Açaí do Ponto, CVC Turismo, Morana (acessórios femininos), entre outras, investiram com criatividade na diversificação de seus produtos e serviços, aproximando o cliente de suas marcas.
Foi pensando num diferencial para driblar a crise que a Rede de Franquias Açaí no Ponto incrementou o cardápio com mais um item, a escolha foi pelo crepe. Mas, não é qualquer crepe. Segundo o diretor da Rede, Vander Areosa, o diferencial do produto está na massa fina e crocante com receita própria. “Os clientes que degustaram o nosso crepe apontam como o melhor, ou seja, mais saboroso. Os outros crepes que vemos por aí possuem uma massa sem muito sabor e priorizam o recheio. E o nosso tem a junção das duas texturas e dos dois sabores que se harmonizam em um só”, observou.
Entre os 26 sabores doces e salgados, os crepes ganharam nomes de amigos e familiares, como por exemplo, Luíza com receio de carne seca, Andreza com peito de frango desfiado e o Pri uma mistura de nutella e morango. Outro diferencial da marca está no valor praticado abaixo do mercado, se comparado com outros estabelecimentos, na capital amazonense. “Enquanto, nos concorrentes o produto custa entre R$ 20 e R$ 32, no Açaí no Ponto o valor é a partir de R$ 13”, comparou Areosa.
A manutenção da rentabilidade do ticket médio dos franqueados foi a principal alavanca para o incremento no cardápio. “O mercado tem enfrentado dias complicados. Mas, não podíamos deixar nossos franqueados começarem a ter prejuízos com uma possível diminuição de vendas. E nosso novo produto tem dado muito certo”, comemorou Areosa.
Em Manaus, o franqueado Açaí no Ponto, Wladir Sarkis, informa que a primeira unidade da Rede a ter o crepe no cardápio foi a loja do Vieiralves, na rua Rio Madeira, 664-A, bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul da cidade. “Começamos a vender o crepe no mês de abril. Os primeiros dias foram de adaptação para produzir os crepes e atender aos clientes no tempo adequado. Hoje, já encontramos o ritmo certo. Outro resultado é o aumento no faturamento, o que reflete em tudo na loja”, comentou.

Otimizar e aproximar

Presente no Amazonas Shopping e no Manauara, a rede de franquias Morana, especializada em acessórios femininos, usou de criatividade envolvendo o departamento de marketing, a otimização de preços e a aproximação com parceiros para vencer a crise em 2015. Para 2016, a marca visa sua internacionalização, dando ainda mais abertura para novos franqueados.
Segundo o gerente de expansão do Grupo Ornatus, administrador da marca Morana, Danilo Augusto, no ano passado a marca garantiu um faturamento de R$ 45 milhões. Sem falar em números, para 2016 a expectativa é de aumentar esse valor. “A Morana se tornou uma das maiores redes de acessórios do Brasil. São quase 300 lojas em operação. Temos franqueados e investidores confiantes, que acreditam em suas marcas, na estrutura do Grupo e no trabalho que nós nos propusemos a fazer”, explicou.

Técnicas agressivas

A CVC, maior rede de turismo da América Latina usou de técnicas agressivas, como câmbio reduzido, maior parcelamento das compras, renegociação com companhias aéreas para menores preços e muito mais, atraindo ainda mais o público. Além disso, a CVC também fortaleceu o plano de expansão e começou a implantar franquias em cidades do interior com menos de 150 mil habitantes.
Essas estratégias, de acordo com a empresa, garantiram à marca o reconhecimento de mercado, valorização na bolsa de valores, liderança no setor, solidez e prestígio. Em 2015, a rede teve um faturamento de dois dígitos superior ao de 2014. Hoje, ainda com mais ações planejadas para 2016, espera obter novo crescimento.
Já a rede de franquias Via Verde, especializada na comercialização de produtos naturais, focou em reforçar o time de nutricionistas e de vendas, nas lojas. O resultado também foi positivo. Segundo Bruno Montez Carpes, diretor do Grupo Albero que administra a franquia, a marca também está investindo fortemente em expansão. “Nosso foco é abrir lojas em todos os bairros nobres do Rio de Janeiro e São Paulo, reforçando a nossa aposta no modelo de negócios”, garante.
No ano de 2015, a marca carioca teve um crescimento de mais de 20%. Para continuar neste caminho, em 2016, a marca está investindo ainda mais em engajamento com o público, participando de feiras, fazendo campanhas de conscientização e outras ações do gênero. “O que fez com que os negócios só melhorassem. E, quem sabe, começar a expandir para outras regiões do país, em 2017”, estimou Carpes.

Conquistas no 1º trimestre

A ABF comemorou os números de faturamento do setor referentes ao primeiro trimestre de 2016. O levantamento mostra que o mercado de franquias obteve um crescimento nominal de 7,6% em relação ao mesmo período de 2015. Assim, gerou receita de R$ 33,7 bilhões, contra R$ 31,3 bilhões registrados no igual período, do ano anterior. Já no acumulado de 12 meses, a receita do setor variou positivamente em 7,9%, garantindo R$ 141.970 bilhões. Um salto significativo frente ao mesmo período de 2015, que registrou R$ 131,5 bilhões.
O crescimento também foi sentido no número de marcas e lojas disponíveis no mercado. Segundo a ABF, somente no primeiro trimestre de 2016, 108 marcas foram formatadas para o modelo de franquias, totalizando mais de três mil redes no Brasil. Ainda nesse caminho, a porcentagem da expansão se mostrou mais alta que a do ano anterior sendo de 2,9%, ou seja, 2.911 novas lojas e, totalizando 141.254 unidades pelo país.
De acordo com a presidente da ABF, Cristina Franco, os números positivos podem parecer surpreendentes para muitos, mas a explicação está na capacidade de resiliência do setor e nas ações pontuais executadas por parte das redes, o que inclui promoções e adequação do ticket médio ao bolso do brasileiro, fragilizado nesse momento. “O franchising é um setor que aplica indicadores de desempenho e os acompanha, constantemente, tomando medidas para preservar sua operação. E foi isso o que ocorreu no primeiro trimestre”, analisou.
Segundo Cristina, mesmo diante da crise econômica no país, as franquias buscam diversificar, investindo em seus produtos, para cativar os clientes. “Frente a um cenário dos mais desafiadores, as redes buscaram alternativas, das quais destacamos as promoções, campanhas de incentivo, revisão de mix de produtos, renegociação com fornecedores, identificação de novos mercados e até o desenvolvimento de novos modelos de negócios”, concluiu a presidente da ABF.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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