Enquanto os atletas estão na reta final dos treinamentos para as Olímpiadas Rio 2016, em Manaus, uma das cidades-sede do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos está preparada desde a Copa do Mundo da Fifa 2014. Mas as expectativas não são nada animadoras para o setor de turismo, que está com um fluxo de ocupação hoteleira em torno de 35% bem abaixo do esperado. Com a economia em crise, o setor de bares e restaurantes optou pela manutenção do padrão de qualidade sem maiores investimentos para este evento internacional. É unanime a opinião entre as entidades de classe amazonense, de quê o governo federal além de fomentar a crise institucional no país, não se empenhou em melhorar a imagem desgastada no exterior com os constantes escândalos de corrupção, da proliferação do Zika vírus e a falta de segurança e de infraestrutura, principalmente, nas cidades-sede dos Jogos Olímpicos.
De acordo com o presidente da ABIH-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), Roberto Bulbol, o setor está preparado desde o evento da Copa do Mundo Brasil 2014. Para as Olimpíadas pouca coisa foi feita, além da manutenção nesse segmento. “A cidade de Manaus foi a que melhor recebeu os turistas e a nossa preocupação, pelo menos na hospitalidade, os hotéis se prepararam, se equiparam e começaram a fazer investimento com muita antecedência, não só no imobiliário, bem como, na qualificação”, informou.
No entanto, diversos fatores negativos vêm contribuindo para reduzir o fluxo de turistas na capital amazonense, entre eles, a repercussão internacional da atual política brasileira e a proliferação do Zika vírus. “Houve uma divulgação negativa muito grande e nenhum esforço foi feito para reverter toda essa situação. E a maior surpresa nossa foram os cancelamentos de reservas, justamente por causa dessas questões da Zika, da corrupção, das trocas de ministros, principalmente, do ministro do Turismo durante aquele desastroso episódio com esposa dele. Isso tudo inviabilizou uma divulgação, um marketing mais forte, mostrando que o Brasil não é só motivo de preocupação”, lamentou.
O resultado da pesquisa realizada em junho, pela ABIH-AM, aponta uma ocupação inferior a 35% para agosto, mês das Olimpíadas Rio 2016.”Mas, para surpresa maior nossa, é o fluxo. Nós não temos o número de reservas que esperávamos. A nossa expectativa é muito baixa e, até hoje o último levantamento que nós fizemos, ainda no mês passado, a ocupação para esse período não chegava a 35%”, alertou.
Para Bulbol a proximidade do evento internacional pode atrair os turistas brasileiros que costumam deixar tudo para a última hora, ao contrário dos turistas estrangeiros que programam suas viagens com seis meses de antecedência, no mínimo. “Ser brasileiro hoje no exterior é motivo de gozação, infelizmente. Mas, esperamos ainda que este cenário se reverta, mesmo porque, os brasileiros deixam tudo para a última hora. E, assim consigamos chegar até 50% de ocupação hoteleira, se tudo der certo”, concluiu.
Ação contínua
Segundo a presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seccional Amazonas), Lilian Guedes, o setor também já está preparado para os grandes eventos. Porem, não há expectativas do setor, para as Olimpíadas Rio 2016. “Não tem expectativa do setor. Para as Olímpiadas não tem um movimento diferenciado como nós fizemos para a Copa, em 2014. Tendo em vista que as expectativas não são boas com relação à economia. O turista que vem para esses jogos não frequenta restaurantes mais requintados, mais bem preparados. Eles preferem ir, em bares”, disse.
Lilian explica que para esse evento internacional, não houve um movimento para criação de cardápios como ocorreu na Copa do Mundo em 2014, quando alguns restaurantes chegaram a investir entre R$ 40 mil até R$ 50 mil, sem ter o retorno esperado. “Nesse realmente não tem nenhum trabalho específico, porque não houve expectativa por parte das empresas. Eles acharam que não valia a pena fazer nada específico para as Olimpíadas”, afirmou.
A maioria dos restaurantes associados à Abrasel recebe treinamento contínuo, para garantir as condições sanitárias e de atendimento ao cliente. “A cada seis meses nós abrimos uma nova turma de certificação no programa Alimento Seguro, uma parceria Abrasel, Sebrae e Senac. E, no treinamento dos profissionais que estão na linha de frente nós fazemos, mensalmente, várias turmas de atendimento”, informou.
Nesse sentido, Lilian reconhece que houve um legado da Copa em relação há qualificação das empresas associadas à Abrasel. “A gente sempre diz que ficou um legado: O legado foi que todo mundo está pronto para outros grandes eventos. Todos os que participaram desses projetos e continuam participando. Por isso a bandeira da Abrasel é preparação contínua”, frisou.
Atrativos
Na visão do presidente da ABIH-AM, o entorno do Teatro Amazonas vai ser um grande atrativo da cidade. “Porque os turistas querem conhecer esses pontos turísticos do Centro”, destacou Bulbol. Dois novos atrativos estão prestes a ser inaugurados no centro histórico de Manaus. Trata-se do Hotel Villa Amazônia, a poucos metros do Teatro Amazonas, pretende oferecer ao turista de lazer a mesma experiência singular e personalizada que encontra no hotel de selva Anavilhanas Jungle Lodge, que será aberto em soft opening, na próxima quinta-feira (21).
Mais próximo do centro comercial, está o empreendimento Solimões Plaza, um novo conceito de shopping popular voltado para o público flutuante, que busca um local acolhedor no coração de Manaus. Com um mix diversificado de lojas e serviços, praça de alimentação e vagas de estacionamento rotativo, fazem parte do leque de opções para atrair turistas e manauaras que gostam de passear e fazer compras com conforto. A inauguração está marcada para o dia 10 de agosto, na av. Sete de Setembro, 1.175, no Centro da cidade.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, o centro precisa de um novo atrativo para alavancar a economia local. “Há muito tempo que não se vê um empreendimento desse porte na área central. É um shopping de vizinhança de pequeno para médio porte, mas que vem a somar e trazer mais vida ao Centro”, avaliou.
Ataliba destacou a importância do horário diferenciado de atendimento do novo shopping, das 9h às 21h, que atrairá maior movimento e segurança. “É interessante, porque se quer trabalhar aquele horário noturno que o Centro precisa. Hoje, as lojas fecham às cinco horas da tarde, por questão de falta de segurança. Por medo, os comerciantes fecham suas portas às 17h, todos muito preocupados com assaltos”, lamentou. A PMM por meio da ManausCult (Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos) preparou um roteiro com os principais pontos turísticos da cidade que já fazem parte do trabalho de divulgação desenvolvido junto aos turistas. A exemplo da Copa do Mundo, este trabalho será reforçado nos locais onde haverá maior concentração de visitantes.
Segundo a assessoria de Comunicação e Marketing da ManausCult para auxiliar o turista na cidade, existe ainda o Guia do Espectador com informações que orientam as pessoas que compraram ingressos para os jogos a se deslocarem na cidade. Outro canal de divulgação que vem sendo trabalhado em parceria com o governo do Estado é o site www.manaus2016.am.gov.br, que possui informações sobre o evento, sobre a cidade e disponibiliza ferramenta de tradução para inglês e espanhol.Para os Jogos Olímpicos Rio 2016 em Manaus três CATs (Centros de Atendimento ao Turista) estarão em funcionamento, sendo dois estaduais e um municipal. O CAT Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e o CAT avenida Eduardo Ribeiro, 666 – Centro próximo ao Teatro Amazonas estão com a Amazonastur.






