Gasolina leva vantagem sobre álcool em Manaus

Em: 2 de abril de 2009
Desde que comprou o automóvel Polo modelo 2005, motor bicombustível, popularmente conhecido como ‘flex’, a psicóloga Lúcia Viana tem abastecido semanalmente com os dois combustíveis: álcool e gasolina
Desde que comprou o automóvel Polo modelo 2005, motor bicombustível, popularmente conhecido como ‘flex’, a psicóloga Lúcia Viana tem abastecido semanalmente com os dois combustíveis: álcool e gasolina

Desde que comprou o automóvel Polo modelo 2005, motor bicombustível, popularmente conhecido como ‘flex’, a psicóloga Lúcia Viana tem abastecido semanalmente com os dois combustíveis: álcool e gasolina. Entretanto, a frequência da alternância caiu, porque a condutora enumerou inúmeras vantagens do segundo, em detrimento do primeiro. Diferente dela, muitos consumidores (leia-se condutores) não sabem: Manaus é uma das seis capitais onde a gasolina é mais vantajosa que o álcool, apesar da estabilidade no preço dos combustíveis em todo o país em fevereiro, em comparação a janeiro.
A informação faz parte de um levantamento realizado pela Ticket Car, produto de gestão de despesas de veículos da Ticket, repassado com exclusividade ao Jornal do Commercio. De acordo com a pesquisa, o custo médio da gasolina comum nos postos da cidade ficou em R$ 2,669 o litro, enquanto que o álcool registrou preço médio de R$ 1,920, pela mesma quantidade – uma diferença de 28% entre os combustíveis. O valor médio nacional é R$ 2,586 e R$ 1,856 para os líquidos, respectivamente.
“Quando a diferença de preço entre eles [gasolina e álcool] é inferior a 30%, a gasolina é mais vantajosa, como ocorre em Manaus. Caso contrário, é preferível o uso do álcool”, disse o gerente especialista Marcelo Nogueira. Além da capital amazonense, o custo do combustível derivado do petróleo é mais econômico também em Macapá, Distrito Federal, Belém, Teresina e Natal. Nas demais cidades, o abastecimento com álcool é mais benéfico ao bolso do consumidor.
Dados da Ticket Car apontam ainda que cada litro de gasolina rende em média dez quilômetros, enquanto que o álcool faz sete mil metros. “Considerando o preço médio dos combustíveis em fevereiro, cada quilômetro rodado com gasolina custa R$ 0,2586 e álcool, R$ 0,2651”, explicou Nogueira. Em Manaus, essa conta sobe para R$ 0,2669 e R$ 0,2742, respectivamente.
Era o que a psicóloga já suspeitava. “Apesar de ser mais barato que a gasolina, comecei a perceber que o álcool rendia menos que o derivado do petróleo”, argumentou Lúcia. Para ela, a diferença entre os gastos com os dois combustíveis, no fim do mês, era quase imperceptível. “Não via muita vantagem e, por isso, passei a abastecer mais com gasolina”, contou.
Segundo o gerente de negócios e especialista do Ticket Car, o gasto com combustíveis é um dos principais custos de uma frota. “É preciso tomar cuidado pois, apesar de mais barato, a autonomia do veículo com o álcool é em média 30% menor. Assim, para ser vantajosa a sua utilização, o preço do litro também precisa ser 30% menor”, informou.

Produto no AM é o mais barato do Norte

No último mês, o custo da gasolina teve variação de -0,16, em comparação a janeiro, quando o líquido estava cotado em R$ 2,690. “Ao longo dos últimos anos, o preço da gasolina vem mantendo certa estabilidade”, afirmou Nogueira, ao acrescentar que, por isso, a indicação é continuar abastecendo com esse combustível.
Ao contrário, o custo do álcool, que subiu 1,85% em fevereiro, tem apresentado crescimento nos últimos meses, entre outros fatores, por conta do aumento na venda dos carros bicombustível, que caiu no gosto popular. Dos 306.177 automóveis vendidos no primeiro bimestre deste ano, 290.944 são flex, isto é, 95% do total. Só a venda desse tipo de veículo aumentou 11,5%, passando de 137.523 unidades, em janeiro, para 153.421, em fevereiro, conforme dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Entre as 27 unidades federativas, o Amazonas aparece em 14º no ranking do preço da gasolina. É a mais barata entre os Estados da região Norte, tomando por base os números de fevereiro.
O Acre tem o combustível mais caro do país, cotado em R$ 3,03. O Pará, vice-líder regional, aparece em terceiro na lista nacional, cujo valor do item ficou em R$ 2,87. São Paulo tem o preço mais em conta: R$ 2,46.
Quando o preço do álcool é colocado em evidência, a posição do Amazonas cai para 6º no ranking nacional. Nas primeiras colocações, as posições se invertem: o Pará tem o litro mais caro, ao valor de R$ 2,19, e o Acre aparece logo na sequência, com R$ 2,06. Nesse item, os paulistas também pagam mais barato: R$ 1,40.

Outros combustíveis

Depois de meses consecutivos de altas, o GNV (Gás Natural Veicular) teve leve redução de 0,63%, com preço médio nacional de R$ 1,81 o m³, enquanto o valor cobrado pelo litro do diesel não sofreu alteração alguma, ficando em R$ 2,23. Esse foi o resultado apontado pelo último levantamento do Ticket Car, produto de gestão de despesas de veículos da Ticket.
A pesquisa do Ticket Car foi realizada junto aos mais de oito mil postos credenciados à sua rede, considerando os preços médios dos combustíveis nos 27 Estados brasileiros.
“O objetivo do Ticket Car com esse serviço é agregar valor às operações de seus clientes, oferecendo consultoria contínua para gestores e usuários. Além de reduzir os custos com abastecimento, os dados fornecidos também são úteis no momento de definir se vale ou não a pena comprar automóveis bicombustível em sua região”, destacou nota da empresa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar