O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) defendeu ontem o financiamento público para campanhas eleitorais.
Tradicional bandeira petista, a consulta sobre a forma de financiamento de campanhas políticas será uma das questões levadas ao Congresso pelo governo para constar do plebiscito. O Planalto corre contra o tempo para viabilizar a consulta já em agosto.
A Folha de S.Paulo mostrou na edição de hoje que a presidente Dilma Rousseff encaminhará na segunda-feira ao Congresso mensagem sugerindo a convocação de plebiscito sobre reforma política, na qual listará as perguntas que, em sua opinião, devem ser feitas aos eleitores.
“Se a gente quer acabar com a corrupção, temos que ter uma resposta clara. Não pode, não pode ter financiamento empresarial de campanha, porque aí nasce a corrupção, nós sabemos disso. Qualquer pessoa que vive a política sabe disso”, disse o ministro.
“Nós temos que ir para um financiamento público de campanha, modesto, com muita fiscalização, ou no máximo um financiamento combinado público com o financiamento de pessoa física, e dentro de um limite. Se não tivermos coragem de mudar isso, não adianta, é hipocrisia a gente criticar a corrupção”, completou.
Questionado se acha que a população tem condições de absorver a quantidade de informações que serão levantadas por conta do plebiscito, disse: “Eu acho que, se tomarmos providências de um amplo processo de esclarecimento, de informação muito intenso, aberto e livre, eu acho que está [preparada a população]. Acho que suspeitar do despreparo da população seria um erro, o mesmo erro de quem desconsideraria a capacidade da mobilização nas ruas”.
Lula
Carvalho disse também que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tem atuado para ouvir movimentos sociais -papel esse que a presidente Dilma Rousseff assumiu com mais ênfase nesta semana.
“O presidente Lula fez uma reunião com os jovens, que eu soube que foi muito interessante. Eu acho que é natural que os partidos procurem nesse momento articular as suas bases, as suas militâncias para fazer esse debate, fazer essa disputa que está dada na sociedade. Acho legítimo, natural e prudente que se faça isso, assim como outras forças também o farão”, disse.
Em meio às manifestações, o ex-presidente tem se mantido em silêncio, mesmo nos bastidores, sobre uma reação do PT para mobilização.
“Nós temos muito a consciência tranquila de que nós mudamos o Brasil. Ninguém está pedindo pão, ninguém está pedindo emprego no Brasil”, disse Carvalho.






