Líderes da oposição na Câmara começaram a discutir hoje uma estratégia conjunta para um eventual encontro com a presidente Dilma Rousseff. PSDB, DEM e PPS acertaram que não aceitam restringir a pauta da reunião a um debate sobre reforma política.
Para os oposicionistas, ao propor um plebiscito sobre a reforma política a presidente lança uma “cortina de fumaça” em resposta às manifestações populares que há mais de 14 dias tomam as ruas do país.
Se o convite for confirmado, os líderes pretendem reunir os comandos dos partidos para fechar um documento que será apresentado a presidente.
“Temos outros assuntos para tratarmos como saúde, educação redução de gastos públicos, de ministérios essa é a pauta que está em sintonia com as ruas e isso queremos discutir”, disse o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP).
O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), reforçou o discurso. “Não temos nada contra o plebiscito, mas nós temos capacidade de diagnosticar e fazer uma reforma política. O que a presidente está fazendo é lançar uma cortina de fumaça para tentar esconder as mazelas do governo na educação, na saúde, no transporte”, afirmou. “A população é a favor da reforma política, mas tem inúmeras demandas para o governo que não consegue perceber o que é prioridade”, completou.
Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), disse que a ideia é cobrar a presidente pelo desgoverno do país. “Se a pauta dela é só reforma política, já poderia ter feito há muito tempo. O governo tem 80% dos deputados e do Senado. Se tivesse interesse, já teria feito”, afirmou.
Hoje, a presidente recebe os líderes e presidentes de partidos da base. A expectativa é que chame os oposicionistas nos próximos dias. A iniciativa foi motivada depois do desgaste da presidente com aliados ao defender, sem consulta a aliados, a realização de um plebiscito para realizar uma constituinte exclusiva para reforma política.
Base aliada
O Palácio do Planalto anunciou hoje ter chegado a um acordo com os presidentes dos partidos políticos que compõem a base de apoio para a realização de um plebiscito para “nortear” uma reforma política.
As perguntas que serão levadas à população não foram definidas, mas o discurso do governo já embute uma desidratação do plebiscito. O consenso alcançado com os presidentes partidários é que a consulta envolverá apenas os “pilares” dessa reforma.
O ministro Aloizio Mercadante (Educação), novamente escalado para falar com a imprensa sobre o andamento das tratativas, citou dois exemplos específicos, ambos restritos ao sistema eleitoral: financiamento de campanha e sistema de votação.
“A interpretação amplamente majoritária na reunião é que o plebiscito é um instrumento muito importante de participação popular na reforma política. Permitirá não discutir todas as questões, porque é uma matéria complexa, mas debater e o povo decidir os pilares da reforma, os aspectos fundamentais”, afirmou o ministro.
Referendo descartado na base
A hipótese de referendo, que envolveria primeiro a votação no Congresso e depois a consulta à população, foi descartada. A presidente Dilma Rousseff bateu pé no sentido do plebiscito. Parte da base apoiava a solução alternativa, como o PP.
“Seria mais cômodo fazer o referendo, mas a população precisa participar dessa discussão”, disse Mercadante, defendendo o plebiscito.
A reunião é a primeira de uma série de audiências no Palácio do Planalto em que a presidente recebeu líderes partidários para discutir o formato do plebiscito sobre a reforma política. Ontem, Dilma recebeu apenas integrantes da base aliada. Hoje, a previsão é que receba representantes da oposição.
A Folha de S.Paulo mostrou hoje que a presidente encaminhará na segunda-feira ao Congresso mensagem sugerindo a convocação de plebiscito, na qual listará as perguntas que, em sua opinião, devem ser feitas aos eleitores.
Ontem, integrantes da oposição defenderam a realização de referendo em vez de plebiscito. Eles também querem propor que a reforma política altere a Constituição, proibindo a reeleição do presidente da República, que passaria a ter um mandato maior.







