Depois da barbárie no Vale do Javari, em Atalaia do Norte (AM), o novo governo central promete jogar duro contra o narcotráfico e atividades ilegais na segunda maior reserva indígena do País. Ainda hoje, a comunidade internacional cobra explicações sobre o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, acaba de autorizar o envio de efetivos da Força Nacional de Segurança para o combate a traficantes de drogas e a crimes ambientais no Estado. Estão também na mira pescadores e garimpeiros ilegais que invadem as terras indígenas demarcadas, fatos que teriam motivado o assassinato de Phillips e Bruno, no ano passado, com requintes de muita crueldade.
Os agentes federais irão atuar no combate ao crime organizado, ao narcotráfico e aos crimes ambientais, na Operação Arpão, já em execução no Estado.
A base de segurança fica atracada no Rio Solimões, entre os municípios de Coari e Tefé, uma das principais rotas de escoamento de drogas, produzidos em países vizinhos, principalmente na Colômbia e no Peru, segundo a Polícia Federal.
“A ajuda chega em boa hora. E fortalece as medidas estaduais para conter a disseminação do crime em uma área continental, muito vasta, que dificulta uma presença mais efetiva das forças do poder público”, avaliou o governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), reeleito para o segundo mandato consecutivo.
Ao assumir o cargo, o ministro Flávio Dino se manifestou imediatamente sobre o caso no Vale do Javari, que ainda está sob os holofotes da comunidade internacional. “É um dever nosso esclarecer essa atrocidade. E vamos punir os responsáveis por tanta barbárie”, promete ele.
Dom Phillips e Bruno Pereira foram emboscados por pescadores ilegais quando voltavam de uma comunidade no Vale do Javari, a poucas horas do município Atalaia do Norte. Eles tiveram seus corpos esquartejados e enterrados em uma área da floresta, sendo descobertos posteriormente após a prisão de suspeitos.
Na sexta-feira (06), durante a primeira reunião com seus ministros em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que é um dever de seu governo reforçar a proteção e a defesa da Amazônia, onde centenas de povos tradicionais estão à mercê do crime organizado.
Advertência
O presidente Lula mandou um recado ao ruralismo que avança sobre a Amazônia e outros biomas. “O governo vai exigir que a lei seja cumprida contra aqueles que quiserem teimar em continuar desmatando e desrespeitando a lei, invadindo o que não pode ser invadido e usando o agrotóxico que não pode ser usado”, advertiu.
Durante o encontro, o petista voltou a dizer que o crescimento econômico pode conviver com a proteção ambiental: “A perspectiva que nós temos é de fazer com que as pessoas sérias, o homem de negócio do agronegócio, os empresários de verdade que sabem a responsabilidade da produção de alimento nesse País, que sabem a necessidade da produção sem ofender ou adentrar as florestas da Amazônia ou qualquer outro bioma que tem que ser protegido”, disse.
Segundo o presidente, as empresas responsáveis pelo ambiente terão um grande respaldo de seu governo. “Esse empresário que produz de forma responsável será por nós muito respeitado e muito bem tratado. Agora, aqueles que quiserem teimar em continuar desrespeitando a lei, invadindo o que não pode ser invadido. Usando o agrotóxico que não pode ser usado, a lei imperará sobre eles e nós vamos exigir que a lei seja cumprida. Porque nesse País tudo vale. A única coisa que não vale é o cidadão bandido achar que pode desrespeitar a boa vontade da população brasileira, a nossa Constituição e a nossa legislação”, afirmou.
Lula, porém, deu uma amenizada em suas declarações. “Iremos tratar muito bem os empresários de verdade do agronegócio, as pessoas sérias que têm a responsabilidade de produzir alimento no País sem ofender ou adentrar as florestas na Amazônia ou qualquer outro bioma. Esse empresário que produz de forma responsável será por nós muito bem tratado”, disse ressaltou
Segundo dados do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais), o acumulado de alertas de desmatamento em dezembro de 2022 na Amazônia foi de 218,41 quilômetros quadrados. O número equivale ao tamanho da cidade do Recife (PE) em área.
É o terceiro pior dezembro da série histórica, atrás apenas de 2017 e 2015, quando as áreas de desmate chegaram a 288 e 266 quilômetros quadrados, respectivamente. Além disso, o índice representa um aumento de 150% em relação ao mesmo mês do ano anterior.







