Greve dos Correios tem pouco impacto no Amazonas

Em: 17 de setembro de 2019
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A greve dos Correios teve pouco ou quase nenhum impacto no Amazonas, segundo as lideranças do comércio no Estado, principalmente em relação às vendas online de grandes e pequenas redes de varejo e atacadistas dos mais diversos produtos no Estado. A categoria decidiu, nessa sexta-feira (14), encerrar o movimento até a terça-feira (17) em todo o País.

O presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, informou que há pelo menos cinco anos o setor vem recorrendo a transportadoras independentes para o envio de mercadoria como uma forma de prevenção à paralisação de servidores da estatal, que já se tornou recorrente no Brasil. “Mesmo com custos maiores de 10% a 20% no transporte, é mais vantajoso recorrer a essas empresas de transportes particulares porque temos a garantia de que os produtos serão entregues a curto e médio prazos, de acordo com o tipo de mercadoria”, afirmou Assayag.

Segundo ele, os Correios passam por uma crise econômica profunda como reflexo da situação financeira do País, que há mais de seis anos tenta equilibrar as suas contas. “Na minha avaliação, a opção seria a privatização da empresa porque, só assim, teríamos mais segurança nos serviços postais. Muitas vezes, a estatal demora muito tempo para fazer a entrega regular das mercadorias, o que não ocorre com a iniciativa privada”, afirma a liderança.

O grupo Bemol, que possui uma das maiores redes de vendas físicas e online no Amazonas e para outros Estado brasileiros e até para o exterior, também não teve o seu serviço afetado. A comercialização pela internet representa até 30% de suas atividades, mas é na rede física onde acontece a maior comercialização de seus produtos. “Também recorremos a transportadoras para a entrega de nossas mercadorias vendidas pela internet no interior ou fora do Estado, uma forma também de fugir de uma eventual paralisação dos Correios”, disse Herivelto Queiroz, atendente do serviço de recall do grupo empresarial.

A Ramsons, que tem como foco principal a venda de eletroeletrônicos, disse também não sentir os efeitos da greve. Porém, a empresa só vende online, além das lojas físicas, para os mercados de Manaus e do interior do Estado. “Fazemos o transporte para fora da capital através de transportadoras que utilizam embarcações no porto. Para dentro da cidade, entregamos os produtos por meio de mototáxi e outros modalidades de transporte”, informou Orivelto Pimenta Junior, do setor de comercialização pela internet do grupo empresarial.

De acordo com Enock Lunière, diretor-financeiro da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), o impacto da greve dos Correios tem repercutido mais nas vendas online de produtos em menor quantidade. Segundo ele, grandes lojas como Bemol e TV Lar fazem o transporte de forma terceirizada com empresas da iniciativa privada, sem comprometer, portanto, a entrega de encomendas em tempo hábil.

“Os grandes atacadistas recorrem geralmente a transportadoras, o que dispensa o uso dos Correios para produtos para esse fim. Claro, a estatal é importante, mas apenas a comercialização de pequenos itens está sendo afetada. Não de forma tão agressiva”, disse ele.

Lunière informou que as vendas online de produtos representavam há pouco tempo quase nada no Amazonas, mas nos últimos dez anos passaram a ganhar uma importância que hoje detêm pelo menos de 15% a 20% da fatia de mercado através da comercialização por essa modalidade. “E a tendência é crescer nos próximos anos porque é mais fácil a compra e dá mais comodidade aos clientes”, acrescentou.

Os Correios decidiram aceitar as condições dos trabalhadores para pôr fim à greve, que começou na quarta-feira (11), durante audiência no TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília. A empresa aceitou as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (2018/2019), bem como a vigência do plano de saúde, até o dia 2 de outubro, quando haverá o julgamento do dissídio pela Corte.

As representações sindicais se comprometeram ainda a levar a proposta de encerramento da paralisação parcial para as assembleias o mais breve possível, fixando como prazo máximo de deliberação até as 22h da próxima terça-feira, dia 17.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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