Inadimplência cresce entre os endividados no Amazonas

Em: 17 de setembro de 2019
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O percentual de famílias com dívidas em Manaus alcançou 77% em agosto, totalizando 478.160 pessoas. Houve elevação em relação ao patamar apresentado em julho de 2019 (75,3% e 466.998 consumidores) e principalmente na comparação com os números registrados exatos 12 meses atrás (63% e 385.804).

A capital amazonense também ficou bem acima da média nacional (64,8%), que também aumentou nas duas comparações, mas com menos força (64,1% e 60,7%, respectivamente). Os dados estão na Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), apurada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgada nesta sexta (13).

Entre as famílias da capital amazonense nessa situação, 35,9% se dizem “pouco endividadas”, 22,4% estão na faixa do “mais ou menos” e 18,7% se assumem como “muito endividados”. O cartão de crédito (58,9%) é o principal motivo para isso, principalmente entre aqueles que ganham mais de dez salários mínimos por mês (91,7%). Carnês (42,9%) a segunda posição. 

A quantidade de endividados com contas em atraso e que entrou na inadimplência chegou a 239.794, ou 38,6% do total, sendo superior a julho de 2019 (34,6% e 214.739) e agosto de 2018 (33,4% e 204.451). Em nível nacional, a taxa foi de 24,3%, sendo igualmente superior à do mês anterior (23,9%) e de agosto do ano passado (23,8%).

E, diferente do ocorrido em nível nacional (9,5%), o percentual de famílias sem condições de quitar as dívidas atrasadas também aumentou, ao passar de 18,8% para 20,1% na comparação mensal e ficar bem acima do patamar de agosto de 2018 (16,6%).

Entre os inadimplentes de Manaus, o tempo médio de atraso é de 68,7 dias – contra 63,2 dias no Brasil –, sendo que a maioria (58,1%) já passou dos 90 dias. O tempo médio de comprometimento com as dívidas em Manaus (5,5 meses), por outro lado, ficou abaixo da média nacional (6,9 meses) e a maioria (29,6%) leva até três meses para conseguir honrar o compromisso. 

Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas na capital amazonense (28,6%) também ficou abaixo da média nacional (29,8%), sendo que a maioria dos manauenses (49,3%) tem entre 11% e 50% de seus vencimentos empenhados em compromissos financeiros. Essa faixa de endividamento é muito maior entre aqueles que ganham mais de dez salários mínimos mensais (84,7%).  

Efeito PIM

No entendimento do presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, os números de Manaus ficaram acima da média nacional em razão da capital – e o Estado – terem a maior parte de sua atividade econômica vinculada ao PIM, que vem sofrendo de forma mais acentuada os meses de incerteza de 2019.

“Até julho, o Distrito Industrial estava desempregando muita gente e existia grande apreensão dos empresários em virtude da reunião do CAS [Conselho de Administração da Suframa], que ainda não havia ocorrido neste ano, e pelos investimentos que não vinham em decorrência disso”, lembrou.

Aderson Frota recorda que o período ainda foi de atritos entre Executivo e Legislativo, afetando a confiança de investidores e consumidores. Destaca também que, apesar da redução dos juros, as “pressões do governo” para que o menor custo do dinheiro chegue aos bancos anda está demorando para surtir efeito, dada a baixa taxa de concorrência no setor bancário brasileiro.

“A situação está melhorando, ainda que devagar. Mas, como já disse antes: é melhor crescermos aos poucos, do que aos saltos e sem consistência. E teremos números muito positivos a partir do começo deste primeiro trimestre, com a chegada do Dia das Crianças e proximidade do Natal”, amenizou.

Juros e FGTS

A economista da CNC, Marianne Hanson, destaca que, apesar do aumento no percentual de famílias brasileiras com contas em atraso em agosto, o incremento foi menor em comparação à expansão do nível de endividamento das mesmas. 

“Isso demonstra que a redução das taxas de juros ainda tem permitido, pelo menos para a maior parte das famílias, acomodar as dívidas no seu orçamento e pagar as contas em dia”, amenizou a economista, no texto distribuído pela assessoria de imprensa da entidade.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, salientou, no mesmo release, que o aumento do endividamento e da inadimplência, as famílias brasileiras se mostraram mais otimistas em relação à sua capacidade de pagamento, pois diminuiu o percentual das que afirmam que “não terão condição de pagar” as contas. 

“A redução do comprometimento de renda dos consumidores na comparação mensal e a perspectiva de renda extra com os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do PIS/Pasep ajudam a explicar esse resultado”, finalizou. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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