Sem resposta, segue a greve na Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), por prazo indeterminado. Hoje terceiro dia de paralisação os servidores da autarquia organizaram um ato público onde reunirá 100% dos grevistas na frente da sede do órgão federal. De acordo com o Sindframa (Sindicato dos Servidores da Suframa) a manifestação tem objetivo de chamar a atenção dos empresários do Distrito Industrial para o movimento grevista.
Segundo o presidente do Sindframa, Estênio Ferreira, a greve segue por prazo indeterminado. “Nós não queremos causar prejuízos à população. Nós não vamos parar as vias, não vamos prejudicar o trânsito, nosso intuito é chamar atenção dos empresários para o descaso com que a ZFM está sendo tratada”, garantiu.
O líder sindical reconhece que está havendo uma articulação através do superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, entre os parlamentares da bancada amazonense no sentido de sensibilizar o atual ministro do Mdic (Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior), Mauro Borges, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior em favor do pleito sem causar prejuízos aos empresários e trabalhadores lotados no Polo Industrial de Manaus e nas áreas de abrangência da Suframa. “Nós reconhecemos o esforço, mas ainda não tem resultado”, lamentou.
Impactos na Indústria
Segundo o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini, o setor está em alerta, preocupado com o impacto negativo da paralisação em cadeia da produção por falta de insumos. “Eu não tenho informações pontuais de empresas A, B, C com problemas, mas elas vão ter problemas. A continuar a greve, é obvio que vai impactar. Isso não tem como evitar porque nós dependemos da matéria prima que os servidores da Suframa liberam”, disse.
Piacentini salienta que o Polo Eletroeletrônico, assim como o de segmento de plásticos, produz 24 horas ininterruptas. Está em pico de produção de televisores, smartphone e tablets para abastecer o mercado nacional na Copa do Mundo, se parar de produzir não há como recuperar, o prejuízo será irreversível. “São produções hiperaquecidas e que vão perder sem, dúvida nenhuma. Mas, existem duas situações diferentes: onde se usa capital intensivo, ou seja, na área de inserção automática, linhas de SMD todo mundo gira 24 horas, que é para pagar os investimentos, é igual a fábrica de Plásticos que é uma indústria de capital intensivo. O Eletroeletrônico é misto, tem capital intensivo e mão de obra pura, então a maioria das empresas está virando 24 horas e que não há como recuperar”, explicou.
Sobre os impactos no Distrito Industrial, Estênio Ferreira informou que até o momento não há como analisar os reflexos da greve nas indústrias porque não receberam nenhuma reclamação direta. Mas alerta para o risco de prejuízos com a continuidade da greve. “O reflexo de uma greve passa a sentir depois de três ou quatro dias de paralisação. Nós não gostaríamos que isso estivesse acontecendo, mas infelizmente o governo federal jamais repassa algum rejuste ou aprova alguma tabela se não houver uma pressão da categoria”, frisou.
Os servidores da Suframa lutam desde 2009 pelo reajuste da categoria e agora culminou na greve. “Chega um momento em que não há mais alternativa de negociação. A assembleia aprovou a greve e estamos aqui aguardando uma posição do Ministério do Planejamento”, sinalizou o presidente do Sindframa.
O vice-presidente do Sindframa, Anderson Belchior é auditor de carreira, há cinco anos na Suframa. Ele garante que, apesar da paralisação total dos servidores as mercadorias essenciais que compõem a cesta básica, serão liberadas sem prejuízos para a população. “Nós tivemos 100% de adesão, todos os que estão nas unidades descentralizadas estão de braços cruzados. Estamos atendendo só as recomendações do Ministério Público, que são de medicamentos, materiais médicos hospitalares e alimentos de primeira necessidade (itens da cesta básica)”, garantiu.
Primeiras ameaças
Anderson Belchior relatou que alguns servidores foram ameaçados por transportadores no Posto de atendimento da Suframa localizado no Aeroporto de Manaus. “Alguns transportadores foram lá e ameaçaram os servidores no posto do aeroporto”, disse. Por medida de segurança o posto foi fechado e alguns servidores ficaram de prontidão para fazer a liberação de mercadorias, na sede da Suframa. “A população não vai ser prejudicada”, informou.
Ainda segundo Belchior as indústrias possuem força para pressionar o governo federal a tomar as providências em relação ao pleito estabelecido e evitar os prejuízos com uma eminente paralisação por tempo indeterminado dos serviços da Suframa. “A Indústria tem o poder, um pouco mais forte e podem pressionar a Presidência da República para descontingência de recursos. Eles têm os incentivos muito fortes e isso não está retornando para a Amazônia, nem para os servidores, nem para a população”, criticou.
Belchior ainda afirmou que não houve retorno por parte do governo federal e que os prejuízos causados são menores em detrimento da falta de investimentos na Amazônia. “O superintendente informou que não tinha nada formalizado. Nós não recebemos nenhuma manifestação do Ministério do Planejamento, do Ministério do Desenvolvimento ou da Casa Civil então para nós continua do mesmo jeito. Os prejuízos causados, nós temos que pensar na falta de investimentos na região Amazônica, isso causa mais prejuízos do que os incentivos do PIM, porque aqui só se está pensando no PIM e os outros Estados que não tem o PIM, como é que fica?” indagou o sindicalista.
O Ministério do Planejamento disse desconhecer o teor do pleito do Sindframa, e também da paralisação dos servidores. Esclareceu ainda que qualquer reivindicação deverá ser encaminhada através do CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil). Cerca de 1,7 milhão de servidores federais terão reajuste salarial neste ano. Para a maior parte, o aumento vai corresponder à segunda das três parcelas da recomposição acertada entre a União e os sindicatos, em 2012. Para a maioria dos servidores, o reajuste total, considerando as três parcelas será de 15,8%.
Procurado pela reportagem, o Mdic não se pronunciou sobre a greve na autarquia.






