Grupo espanhol estuda possibilidade de aportar no polo naval

Em: 17 de novembro de 2010
Considerado como o segundo Estado com a maior indústria da construção naval do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, o Amazonas já inicia os preparativos para formalizar o Polo Naval e melhorar a dinâmica da marinha mercante na região
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Considerado como o segundo Estado com a maior indústria da construção naval do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, o Amazonas já inicia os preparativos para formalizar o Polo Naval e melhorar a dinâmica da marinha mercante na região

Considerado como o segundo Estado com a maior indústria da construção naval do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, o Amazonas já inicia os preparativos para formalizar o Polo Naval e melhorar a dinâmica da marinha mercante na região.
Segundo o presidente em exercício do Sindnaval (Sindicato da Indústria e Construção Naval do Estado do Amazonas), Matheus Araújo, o aval para a criação do polo já havia sido dado em maio do ano passado, mas, com a entrada do projeto para a Copa do Mundo, perdeu a notoriedade.
Entretanto, devido à importância do setor nas promessas eleitorais, voltou a fazer parte da pauta governamental. Ontem, a entidade se encontrou com representantes da Seplan (Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas) para dar o diagnóstico do segmento no Estado. “Vamos sair da teoria para a prática, com a arte do projeto já pronta”, frisou o dirigente.
Atualmente, investidores de vários países já mostram interesse na ideia e planos de se estabelecer na cidade. Representando a Monaga do grupo Acopafi, os espanhóis Carlos Rodriguez e Pablo Gonzalles vieram à capital na última semana para tratar sobre o assunto.
Em funcionamento na Espanha há 15 anos, a empresa fatura cerca de R$ 14 milhões por ano e recebe um grande volume de encomendas para o consumo interno, além de exportar para a Holanda e alguns outros países europeus. O número representa 15% do que foi faturado pelo segmento amazonense até setembro deste ano (R$ 93,43 milhões), segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Como já acontece na construção civil, a Monaga produz pré-moldados para a construção naval, blocos de aço para edificação de barcos e navios. “Estamos verificando se os estaleiros estão dispostos a terceirizar este produto”, detalhou Carlos Rodriguez.

Incentivos fiscais

Em princípio, a intenção dos empresários era exportar o produto fabricado na Espanha para os estaleiros locais. Araújo comenta que, devido aos incentivos fiscais concedidos às empresas que se instalam na cidade, os espanhóis começam a estudar a montagem de uma filial no Estado. “Uma vez instalados aqui e produzindo bens de consumo para vender nos estaleiros mais próximos, há toda uma isenção fiscal. Eles terão um proveito muito grande, assim como gerarão renda na capital”, analisou o dirigente.

Pernambuco, Santa Catarina e Rio também disputam investimento

Além de Manaus, os dois representantes já visitaram as capitais dos Estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco. Eles confessam que, por enquanto, a disputa está entre as regiões amazonense e pernambucana.
O presidente do sindicato patronal fala que, no caso de bater o martelo, Pernambuco é o maior concorrente porque tem mostrado um volume de trabalho muito grande, mas ainda com áreas desocupadas para a montagem de novas empresas.
Contudo, os empresários não descartam a preferência por Manaus, que possui uma política fiscal atrativa em virtude da Zona Franca. “Além disso, a Seplan mostrou alternativas interessantes, uma facilidade de acesso a preços muito econômicos. Em outros Estados haveria bem mais requerimentos e não existiria isenção na mesma quantia”, enfatizou Rodriguez.
Para apresentar as propostas de investimentos, geração de empregos, entre outros, o espanhol Gonzalles afirma que eles farão uma nova visita daqui a dois meses. “Temos de estudar as informações fornecidas e de que maneira podemos colaborar. Não dá pra fechar um contrato em uma única visita. Precisamos retornar para reforçar o conhecimento em relação aos estaleiros”, analisou.
Caso os investidores resolvam se instalar na cidade, o presidente assegura que dentro de um período de quatro a seis meses já deve haver algum fruto do projeto. “Além deles terem o apoio do sindicato, terão um feedback com os representantes do Estado”, observou o executivo.
Araújo avalia que, como a indústria naval do Estado trabalha de forma artesanal e constrói da mesma forma, seria uma grande mudança no setor com a fixação da empresa. “Construir uma balsa é diferente de construir um navio”, ponderou.
Deste grupo, composto por 21 empresas, já vieram os espanhóis Alejandro Lago e Juan Rodrigues, fabricantes de sistemas para o interior de navios. Os empresários discutiram a possibilidade de investimentos na ordem de 1 milhão de euros para o segmento produtivo do Polo Naval do Amazonas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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