Para se ensinar um instrumento musical são necessários alguns componentes como paciência do professor, atenção e interesse do aluno e o instrumento tanto quanto mais perto do aluno, que precisa de ensaio e mais ensaio para se aperfeiçoar. Talvez por isso o violão barroco de 13 cordas, ainda que com um belo som, em Manaus tenha praticamente só o músico a executá-lo, o compositor e concertista de violão, Edgar Montrezol.
“Alguns dos meus alunos de violão até se interessam em aprendê-lo, mas ao mesmo tempo ficam com receio quando veem o número de cordas. Complica mais quando ficam sabendo o preço do instrumento. Um bom violão pode custar de R$ 300 a R$ 500. O barroco de 13 cordas não se encontra em lojas. Só encomendando a um luthier, e vai ficar em torno de R$ 10 mil. O meu encomendei do luthier Edson Ribeiro”, disse.
Montrezol dá aulas de violão no Atelier Montrezol, localizado na avenida Umberto Calderaro Filho, altos do Café com Texto. “Pra violão, sempre têm alunos, mas o que noto é que com essa rapidez que vivemos no mundo de hoje, com informações sobre tudo a todo segundo, os jovens estão se interessando menos em aprender um instrumento, o que é muito triste. Preferem ficar com um celular na mão, olhando as redes sociais, ao invés de aprender a tocar algo e viajar nos sons de uma música”, lamentou.
Em 2015, Montrezol foi jurado do Concurso Internacional de Guitarra Alírio Diaz, na Venezuela. “O concurso é considerado o mais importante no mundo do violão”, disse. “Eu tenho um objetivo, como professor, que é levar o aluno a fazer música. Não fazer no sentido de compor uma música, mas transformar os sons de seu instrumento em música”, ensinou.
Mas bem que Montrezol gostaria que alguns, ou mesmo algum dos seus alunos, seguisse aprendendo no barroco de 13 cordas, instrumento pelo qual ‘se apaixonou’ já tem alguns anos. “Em 2010 mandei fazer o meu primeiro, e hoje tenho mais um”, contou. “O instrumento, na realidade, é um violão, porém, com sete cordas a mais. Queria um instrumento que tivesse o som o mais fiel possível do alaúde barroco, então tive a ideia de fazer essa peça que une o som do alaúde com o aspecto moderno do violão. Depois, pesquisando na internet, verifiquei que outras pessoas tinham tido a mesma ideia ao redor do mundo. Com o barroco de 13 cordas posso ler as tablaturas francesas dos séculos 17 e 18”,afirmou.
Aprender a tocar violão, como qualquer outro instrumento, requer aptidão, afirma Montrezol “Acredito muito na força de vontade de cada um. Uma pessoa que tenha essa aptidão, esse talento nato, pode aprender a tocar violão em uns três meses. Depois é só se aperfeiçoar. Quem não nasce com esse talento nato, mas tem força de vontade, pode até demorar um pouco mais, mas aprende. Pra mim não tem aluno sem talento. Quantas vezes já aconteceu de um aluno meu ficar vindo pra aulas sem evoluir e quando eu menos esperava, me surpreendeu tocando como nunca”, concluiu. Para mais informações sobre as aulas de Montrezol, ligue para (92) 9 8193-8286.
Um dos mais difíceis
Um dos instrumentos mais difíceis de se aprender a tocar. Assim pode ser definido o oboé, um parente do clarinete. Mas foi esse instrumento que o oboísta da Filarmônica do Amazonas, Edmilson Alves da Silva, resolveu aprender. “Eu tocava saxofone e gostava de ouvir música clássica na Rádio Cultura, em São Paulo. Apenas ouvindo o oboé, sem nunca tê-lo visto, me apaixonei pelo som do instrumento”, contou.
Edmilson foi atrás de seu objeto de desejo, comprou um e foi aprender a tocá-lo, se formando em Música na Universidade Estadual de São Paulo. Em 2004 Edmilson veio para Manaus e foi dar aulas de oboé na UEA, além de coordenar o curso de Música no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro.
“Na UEA tive uns quatro alunos e no Cláudio Santoro foram uns 20. Até onde sei, só um deles foi adiante e são vários os motivos de os outros terem desistido. Além de o oboé ser muito difícil de aprender, trata-se de um instrumento bem caro. O oboé mais barato, e que não é dos bons, fica entre quatro e cinco mil reais. Um bom mesmo, profissional, custa em média R$ 30 mil. O meu, comprado no ano passado, foi R$ 24 mil”, falou.
Segundo Edmilson, as orquestras, no mundo, sempre estão precisando de um oboísta. “Na Chicago Symphony, nos Estados Unidos, o salário do oboísta é o mais alto, o mesmo do scala (o primeiro violinista) e, numa orquestra é o oboé a referência de afinação para o restante dos instrumentos”, ensinou. Sobre seus alunos, Edmilson sabe de apenas um, que se tornou professor de oboé, aqui mesmo em Manaus. “Uma característica do oboé é que você nunca vai estar tocando-o em sua plenitude. Explico. Ele tem duas palhetas de bambu utilizadas na boquilha. Essas palhetas vão sendo raspadas e a cada raspagem o instrumento apresenta um som diferenciado, porém, se você as raspar de menos, elas ficam duras; se as raspar demais, elas ficam moles, então é preciso ir fazendo isso de acordo como vai desenvolvendo sua técnica no tocar. Até isso eu repassava para os meus alunos”, lembrou.
Atualmente Edmilson só toca na Filarmônica. “Temos aqui quatro oboístas, mas uma orquestra precisa de no mínimo dois, pois esse instrumento é utilizado em quase todas as músicas clássicas. Outro fator que dificulta o aprendizado é o tempo que se leva para dominar o instrumento. Para tocar numa orquestra o músico precisa estar estudando há ao menos oito anos, ou seja, o ideal é que se comece ainda adolescente (eu tive um aluno com 12 anos). Quando estiver adulto, já estará apto, sem esquecer que o oboé é um instrumento que você nunca para de aprender”, ensinou. Como referência para os curiosos, Edmilsom recomenda: “Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o oboé, pode ouvir o tema do filme ‘A Missão’, Gabrie’s Oboé, de Ennio Morricone, cujo solo do instrumento é o destaque”, avisou. Mais informações com o oboísta pelo número (92) 9 9317-8505.
Ensinando gerações
A educação musical de gerações manauaras teve como exemplo de educadora a pianista amazonense Ivete Freire Ibiapina. Nascida em 1932, Ivete iniciou nas artes aos cinco anos com a professora Maria Antonieta Marinho. Em apenas dois meses concluiu as classes preparatórias e, aos seis anos, apresentou-se em público pela primeira vez. Ivete Ibiapina foi professora normalista graduada em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Conceituada virtuose e mestra do teclado, é considerada a figura mais importante da cultura musical amazonense. Em 1998, Ivete mereceu o título de Mulher Amazonense, concedido pelo governo do Estado. A mestra faleceu em agosto de 2007.
Uma ex-aluna de Ivete Ibiapoina, hoje se dedica a passar os conhecimentos apreendidos. Viviane Antony Afonso, há 10 anos dirige uma escola que leva seu nome onde são ministradas aulas de piano, violão e violino.
Para maiores informações sobre as aulas contate-a pelo e-mail [email protected], pelos telefones (92) 3233 7765 e (92) 99989 2813 e pelo Facebook www.facebook.com/CursoDeMusicaVivianeAntonyAfonso.







