O valor recorde de consultas e aprovações de projetos de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2012 aponta uma retomada dos investimentos na economia no segundo semestre deste ano. Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as consultas ao banco saltaram 65,2% do primeiro para o segundo semestre do ano passado.
De acordo com o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Gomes de Almeida, um projeto consultado junto ao BNDES demora, em média, um ano para se traduzir em investimento. Assim, é possível estimar que a aceleração nas consultas no segundo semestre de 2012 será refletida nos investimentos na segunda metade deste ano.
O ano passado fechou com R$ 312,3 bilhões em consultas ao BNDES, alta de 60% frente a 2011 -no segundo semestre, o avanço foi de 85,6% em relação a igual período de 2011. O banco também aprovou uma carteira recorde de projetos, com R$ 260 bilhões, incluindo a usina hidrelétrica de Belo Monte, maior financiamento da história da instituição.
Uma “aceleração no investimento público” poderia antecipar a alta dos investimentos, mas Almeida descarta a possibilidade, mesmo com o maior direcionamento de empréstimos do BNDES para governos estaduais.
Esse fator foi um dos responsáveis pela alta de 5,4% (descontada a inflação) nos desembolsos do banco em 2012, de R$ 156 bilhões. Descontada a influência da administração pública, a alta nas consultas ao BNDES no segundo semestre seria de 48,9% em relação a 2011.
Ao divulgar os dados na terça-feira (22), o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, não fez previsões para a liberação de empréstimos neste ano. Para os investimentos, o BNDES enxerga alta de 5,5% em 2013. Na projeção de Almeida, porém, os investimentos crescerão cerca de 4%: “Há um sinal de aceleração pelas consultas ao BNDES, mas o aspecto negativo é a indústria”
Crescimento
O estudo do Iedi classificou os 44 setores que constam nas estatísticas do banco de fomento sobre as consultas em cinco níveis: “crescimento expressivo”, “crescimento explosivo por causa de grandes projetos”, “declínio com tendência de recuperação”, “declínio moderado” e “declínio expressivo”. No geral, 27 setores ficaram nos dois primeiros níveis, enquanto 13 tiveram “declínio expressivo”, sendo seis na indústria de transformação. Segundo Almeida, siderurgia, papel e celulose, petroquímica e minerais não metálicos são os casos críticos. “O governo poderia voltar o foco das desonerações para os insumos básicos”, disse.
Embora reconheça que a falta de competitividade da indústria é um freio para os investimentos, o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, destacou que, hoje, “as condições estão melhores”. Desonerações e o câmbio menos valorizado ajudam, Lacerda prevê crescimento gradual dos investimentos neste ano, podendo chegar a 5,5%, com a “grande demanda por infraestrutura”
Mais pessimistas, os pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) projetam queda de 1,3% nos investimentos no quarto trimestre de 2012, sem uma firme recuperação neste ano. De acordo com o Boletim Macro, divulgado mensalmente pelo instituto, aumentou a incerteza com a economia doméstica, sobretudo em relação à oferta de energia elétrica, o que tende “a segurar o investimento”.
Ainda no time otimista, a consultoria LCA prevê alta de 9% nos investimentos ao longo deste ano -após uma queda de 4,3% em 2012. Já o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco trabalha com alta de 6,5% nos investimentos em 2013.






