Imobiliárias crescem 7% em 2021

Em: 3 de março de 2022

A indústria imobiliária do Amazonas somou R$ 1,03 bilhão em vendas, de janeiro a dezembro de 2021, configurando alta de 7,63% sobre 2020 (R$ 957 milhões). É o que apontam os Indicadores Imobiliários do quarto trimestre de 2021, estudo periódico da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), dados coletados e analisados de 34 empresas incorporadoras no Estado. O ano foi de expansão proporcional ainda maior na quantidade de empreendimentos, que passaram de 14 (2020) para 16 (2021), uma diferença de 14,28%.

O resultado, no entanto, ficou abaixo da projeção da entidade, que esperava encerrar o ano passado com faturamento de R$ 1,20 bilhão. Ainda assim, a Ademi-AM estima ao menos repetir a performance do VGV (valor geral de vendas) em 2022, e seguir em trajetória positiva no quantitativo de lançamentos imobiliários. Mas, adianta que, em virtude da resiliência do panorama econômico desfavorável, a tendência é que o mercado volte a se concentrar mais nos produtos de padrão econômico, em detrimento da maior diversificação experimentada em 2021.

Em ano de pandemia, crise no abastecimento de insumos, e desajustes na inflação e juros, o cenário foi de oscilações, mas o saldo foi positivo. Após a desaceleração anterior, as vendas recuperaram fôlego nos últimos três meses de 2021, com o maior número de lançamentos (6) desde o terceiro trimestre de 2020. O VGV chegou a R$ 291 milhões, patamar 6,20% superior ao registrado no terceiro trimestre (R$ 274 milhões). Na comparação com igual intervalo do ano passado (R$ 234 milhões), o incremento foi de 24,36%. O desempenho só perdeu para o dado de abril a junho (R$ 304 milhões).

O número de unidades vendidas em 2021 (4.413) superou com folga os resultados de 2020 (3.226), 2019 (1.052) e 2018 (1.240). Segundo a Ademi-AM, a virada do terceiro para o quarto trimestre rendeu impulso de 16% no volume comercializado. Imóveis no Parque Mosaico (Planalto) –na zona Centro-Oeste –e nos bairros Ponta Negra, Tarumã –ambos na zona Oeste –, Lago Azul, Colônia Terra Nova e Novo Aleixo –os três na zona Norte – responderam por 72,8% da oferta. A entidade adianta que janeiro já mostrou “ótimos números” (R$ 91 milhões), impulsionadas pelo VGV da Ponta Negra (R$ 23,61 milhões), Parque Mosaico (R$ 21,90 milhões) e Adrianópolis (R$ 8,79 milhões) –zona Centro-Sul.

Subsídios e Implurb

O presidente da Ademi-AM, Albano Maximo, avalia que 2021 foi o melhor ano da série histórica da entidade –iniciada em 2015 –, tanto em número de lançamentos, quanto de vendas. O dirigente, que também é um dos vice-presidentes da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), lembra que a boa notícia é que a geração de empregos e o PIB da construção “estão garantidos” para os próximos meses. Mas, destaca que o crescimento desacelerou.

“Notamos que nos dois últimos trimestres houve uma inflexão de lançamentos e vendas, em relação ao segundo trimestre. Isso aconteceu por conta do aumento dos insumos e dos juros. Houve um descasamento entre a renda das famílias e o preço dos imóveis, que já sofreu repasse. Para este ano, esperamos que haja uma diminuição das vendas de outros produtos e um incremento do Casa Verde e Amarela. Isso porque alguns gargalos estão sendo superados”, observou.

Segundo o dirigente, o governo federal está trabalhando em uma elevação de subsídios para minimizar a diferença entre o “bolso do comprador” e o “custo da construção aumentado”, que está prevista para sair entre março e abril. Na estimativa do presidente da Ademi-AM, a mudança ainda deve fomentar as vendas dos imóveis de padrão econômico, uma vez que o mercado segue demandante em razão dos impactos do deficit habitacional. Produtos de maior valor agregado, contudo, devem decrescer na procura e ter “menor aderência”.

Albano Maximo destaca que ainda há gargalos no setor que precisam ser superados, a exemplo da tabela do programa habitacional federal. Em nível nacional, a lista inclui “problemas com cartórios” e a regularização de imóveis em faixas marginais de proteção, recentemente discutida no Congresso. No rol de entraves locais, o executivo cita a mudança de entendimento do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano) em relação às taxas de projetos imobiliários –especialmente para o Casa Verde e Amarela –, fator que estaria impactando negativamente na realização de novos projetos. 

“Quem paga isso é o comprador, que ganha dois, três salários, e não tem condições de suportar gorduras de aumento de custos. Já apresentamos um estudo, demonstrando que, pelo nosso entendimento, os custos de projeto [deveriam ser] um terço do que é cobrado atualmente. O entendimento do Implurb com relação a habitação de interesse social difere do governo federal. Estamos aguardando um posicionamento do órgão”, desabafou. 

“Ano difícil”

Na mesma linha, o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina, ressalta que 2021 foi um ano de “recorde de vendas” e que o crescimento no número de lançamentos é um bom sinal, demonstrando a confiança do empresário no mercado. Da mesma forma, avalia que 2022 também vai ser um período de desempenho positivo para o mercado do Amazonas, a despeito das dificuldades que persistem na escalada da inflação e da Selic. 

“Confiamos no ano, que vai ser difícil e de muitos desafios. É um período em que atravessaremos com juros altos nos empréstimos para clientes e incorporadores. O aumento dos insumos é algo que também preocupa a cadeia produtiva do setor. A partir do momento em que você vende um produto, não tem mais condições de repassar a diferença no preço. Isso é ruim também para o cliente, que vê sua renda sendo corroída pela inflação. Mas o ano deve ser interessante e nossas projeções é que as vendas sejam pelo menos iguais a 2021. Em termos de lançamentos, talvez seja um pouco melhor”, ponderou. 

O executivo salienta que o mercado é resiliente e busca oferecer produtos alinhados com as necessidades do consumidor, e localizados em bairros onde há pouca oferta. E acrescenta que os dados preliminares da pesquisa trimestral da Ademi-AM apontam que janeiro foi um “mês bom” para as vendas, apesar de janeiro não ter tido uma sazonalidade favorável aos negócios. “Mas, em termos de volume de financiamentos, já se percebe uma redução”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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