O percentual de amazonenses na fila do desemprego caiu pela terceira vez consecutiva, na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2021. A taxa encolheu de 13,4% (264 mil pessoas) para 13,1% (252 mil), e também ficou menor do que a do mesmo período de 2020 (15,7% e 295 mil). O nível de ocupação da mão de obra no Amazonas, contudo, também encolheu 1,8% na variação trimestral –de 55% (1,70 milhão) para 54,4% (1,67 milhão) –, embora tenha avançado 5,6% ante a marca de um ano atrás 52,2% (1,58 milhão). A construção foi o setor que mais empregou.
A variação na oferta de postos de trabalho foi acompanhada por um leve recuo na proporção de pessoas trabalhando sem carteira assinada, fazendo o Estado cair da segunda para a terceira posição do ranking nacional. A taxa amazonense chegou a 58,7%, na virada trimestral –contra os 59,5% anteriores. Com isso, o Estado ficou atrás apenas do número do Pará (62,7%) e Maranhão (59,4%). A média de rendimentos médios também ficou menor. É o que mostram os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, do IBGE.
Apesar da queda a taxa média de desocupação do Amazonas (13,1%) no quatro trimestre de 2021 bateu a média nacional (11,1%), em um mês em que a pandemia já mostrava repique em todo país, por conta da ômicron. Foi a nona maior em um ranking liderado pelo Amapá (17,5%) e encerrado por Santa Catarina (4,3%). A média anual do percentual de desempregados no Estado foi de 15% no ano passado, perdendo apenas para os dados de 2017 (15,9%) e 2020 (16%), e ficando bem acima da menor taxa da série histórica da sondagem, registrada em 2014 (7,9%).
A pesquisa estimou que a população desocupada, no Amazonas, no 4º trimestre de 2021, era de 252 mil pessoas, 13 mil a menos (-4,8%), em relação ao trimestre anterior. E na comparação com o 4º trimestre de 2020, foram 43 mil desocupados a menos (-14,6% de queda), no Estado.
O IBGE-AM aponta, por outro lado, que o desemprego não decresceu no Estado, em razão maior empregabilidade, mas em virtude de uma retração na força de trabalho (nem ocupadas e nem buscando ocupação), que não passou dos 62,5%. No total, o número de amazonenses nessa situação foi de 1.923 milhão, nos três meses encerrados em dezembro, ficando 2,2% abaixo do quantitativo do trimestre anterior (1.966). Já a quantidade de habitantes fora da força de trabalho cresceu 2,3% e chegou a 1.152 milhão, na mesma comparação.
Informalidade e rendimentos
A “posição de ocupação” classificada pelo IBGE como “empregado” respondeu por mais da metade (885 mil) dos amazonenses com ocupação profissional, no quarto trimestre de 2021. Desses, 559 mil estavam no setor privado, contingente 2,38% superior ao registrado um ano antes (546 mil), e 1,45% acima do trimestre anterior (551 mil). Em torno de 245 mil estavam no setor público, representando baixa proporcional de 1,24% no primeiro caso, e a um acréscimo de 0,41%, no segundo.
No setor privado, 66,37% (371 mil) tinham carteira assinada, enquanto 33,63% (188 mil pessoas) não contavam com o mesmo benefício. A informalidade, por sinal, atingiu 86,42% (70 mil) dos trabalhadores domésticos no mesmo período. A taxa de amazonenses sem formalização também cresceu no setor público, em ambas as comparações, e chegou a 34,69% (85 mil), no acumulado de outubro a dezembro do ano passado. O trabalho por conta própria foi a alternativa para 68,36% dos amazonenses “empregados” (605 mil), sendo que 94,38% (571 mil) não possuíam CNPJ. A quantidade de “empregadores” foi de 42 mil, mas apenas 69,05% (29 mil) trabalhavam com CNPJ.
O grupo que reúne comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (331 mil) se manteve como o setor que empregou mais pessoas no Amazonas, mas registrou a maior baixa trimestral (+12%). As atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (293 mil) vieram na sequência, sendo seguidas por administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (289 mil).
A lista se completa com indústria (186 mil), construção (116 mil), e os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (113 mil), de transporte, armazenagem e correio (97 mil), e de alojamento a alimentação (85 mil), entre outras. A construção foi a atividade que teve o maior crescimento em relação a igual intervalo de 2020 (+33,5%), seguida por serviços domésticos (+32,1%).
O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas foi de R$ 1.794, ficando 0,5% acima do número capturado no trimestre anterior (R$ 1.786). Na comparação com o mesmo acumulado do exercício anterior (R$ 2.071), houve perda de 13,4%. Já a massa de rendimento –que reflete o quanto os salários dos trabalhadores contribuíram para a economia local –alcançou R$ 2,75 bilhões, ficando estável na variação trimestral e 6,46% mais baixa em relação ao quarto trimestre de 2020 (R$ 2,94 bilhões).
Sem impacto
Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou que a queda na força de trabalho compensou a redução dos ocupados e fez a quantidade de desocupados ficar “praticamente inalterada”. O pesquisador destaca ainda que apenas as categorias de trabalhador “por conta própria” com CNPJ, e de trabalhador familiar auxiliar “tiveram alterações significativas”. “A população ocupada subiu e os desocupados reduziram. Infelizmente a informalidade bateu em quase 60% de média anual. Tanto o trimestre, quanto o ano, foram bons para o trabalho no Amazonas. Embora a taxa de ocupação e de informalidade ainda permaneçam altas.
Adjalma Nogueira Jaques descarta a hipótese de impactos significativos nas estatísticas de óbitos pela pandemia, na menor procura por emprego. “À medida em que a empregabilidade aumenta, algumas pessoas da família perdem o interesse por buscar emprego, uma vez que outro membro da casa já está trabalhando. Não se pode atribuir às mortes por Covid-19 qualquer influência sobre a força de trabalho, pois elas vieram em quantidade pequena, no Estado, para influenciar um número tão alto de pessoas. E, no grupo atingido pode haver tanto força de trabalho, quanto fora da força de trabalho”, finalizou.







