Imóveis ao longo do trajeto vão ser desvalorizados

Em: 30 de maio de 2010
CDL-Manaus estima que apenas áreas a menos de 300 metros das estações trarão oportunidades
CDL-Manaus estima que apenas áreas a menos de 300 metros das estações trarão oportunidades

O monotrilho mostrou-se a principal preocupação entre os convidados presentes no almoço realizado pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), para apresentação dos planos de ações do Estado para a Copa de 2014, pelo titular da Seplan (Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico), Marcelo Lima Filho.
“A vinda do secretário é justamente para que ele esclareça aos lojistas sobre o trajeto do monotrilho, quais ações já foram definidas, investimentos, entre outros pontos. Para evitar que se faça algum tipo de investimento em áreas que estarão poluídas visual ou sonoramente”, afirmou o presidente da CDL-Manaus, Ezra Azury Benzion.
Para ele, será muito bom estar perto de uma estação do monotrilho, mas será muito ruim estar ao longo do trajeto, devido à possível desvalorização dos imóveis ao longo do trajeto. “Os lojistas não estão contra a construção do monotrilho, mas é preciso esclarecer quais serão as melhores oportunidades no entorno do veículo. Eu acredito que serão aqueles negócios que estarão a 200 – 300 metros de distância dos pontos de embarque e desembarque. Quem estiver mais longe pode ter algum tipo de prejuízo devido à estrutura do monotrilho e a distância entre as estações, mas esse será o preço do progresso”, assinalou Ezra Benzaion.
Segundo o secretário Marcelo Lima Filho, o entorno do monotrilho será ainda mais valorizado devido o planejamento da Seplan para restauro e revitalização das construções localizadas durante o trajeto. “O monotrilho irá oportunizar a revitalização de toda a área de influência. Nós temos um planejamento orçamentário para isso que é em torno de R$ 30 milhões. Já discutimos, inclusive, com o Ministério Público as medidas compensatórias. A valorização imobiliária decorrente da revitalização será imediata”, afirmou o secretário.
O secretário afirmou, ainda, que o custo do projeto está orçado em R$ 1,32 bilhão, sendo R$ 600 milhões da Caixa Econômica Federal, R$ 367 milhões dos recursos orçamentários do Estado e R$ 356 milhões da iniciativa privada a partir da concessão para operação. O monotrilho terá 20,2 km de extensão, a partir do Largo da Matriz (Centro) até a bola do Jorge Teixeira (zona leste), passando pela avenida Constantino Nery.

Vantagem e mobilidade

Para o presidente da FCDL/AM (Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ralph Assayag, a desvalorização de imóveis no entorno da obra é possível, mas a vantagem da mobilidade urbana se sobrepõe a isso de início. “A partir do momento que um funcionário que levava duas horas para chegar ao trabalho, chegar em 25 minutos, isso já será uma grande vantagem. A comodidade e rapidez desse transporte irá alcançar não só os trabalhadores, mas os clientes também que poderão se locomover com mais tranquilidade. Acho que as vantagens serão bem melhores que qualquer desvalorização”, afirma o presidente.
Segundo Assayag, em Miami (EUA), o monotrilho num primeiro momento desvalorizou, mas em um segundo momento foi valorizado, a partir do instante em que, os empreendimentos fizeram modificações nas estruturas de design e layout, além de tornar-se ponto de referência.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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